Beijing, 2 abr (Xinhua) -- A política de tarifa zero que a China implementará para países africanos a partir de maio vai ampliar o acesso de produtos do continente ao mercado chinês, reforçar a cooperação Sul-Sul e sinalizar um aprofundamento da cooperação China-Africa, escreveu recentemente um acadêmico angolano.
A medida é estrategicamente vantajosa para ambos os lados, por elevar a visibilidade e a competitividade da África no comércio global e, ao mesmo tempo, consolidar a posição da China na cooperação comercial, afirmou Paixão António José, especialista em política externa de Angola. O comentário foi publicado no jornal angolano Correio da Kianda.
"Essa medida fortalece a posição da China como o maior parceiro comercial da África e reforça a cooperação Sul-Sul, ao ampliar o acesso ao mercado chinês para exportações africanas como café, têxteis, minerais, petróleo e produtos agrícolas", escreveu.
A partir de 1º de maio de 2026, a China implementará integralmente o tratamento de tarifa zero para 53 países africanos que mantêm relações diplomáticas com a China, conforme anunciado durante a 39ª cúpula da União Africana.
Segundo o acadêmico angolano, as relações entre países africanos e a China vêm se expandindo de forma constante nos setores de comércio, infraestrutura, manufatura, tecnologia e diplomacia.
Ele escreveu que, nas últimas duas décadas, a China tem apoiado a diversificação das exportações africanas, antes concentradas em matérias-primas, impulsionado a industrialização do continente, apoiado o desenvolvimento da manufatura local e a transferência de tecnologia e contribuído para uma estrutura comercial mais equilibrada.
"O que começou como uma parceria principalmente voltada para recursos naturais evoluiu para uma relação estratégica e económica mais ampla, baseada em acordos mútuos e cooperação para o desenvolvimento de longo prazo", escreveu.

