De choques no preço do petróleo a contas de supermercado, Europa sente impacto das tensões no Oriente Médio-Xinhua

De choques no preço do petróleo a contas de supermercado, Europa sente impacto das tensões no Oriente Médio

2026-03-25 13:17:44丨portuguese.xinhuanet.com

Ônibus vermelho passa por posto de gasolina em Londres, Reino Unido, em 18 de março de 2026. (Xinhua/Li Ying)

A escalada das tensões no Oriente Médio está provocando uma forte oscilação nos preços do petróleo e do gás, ameaçando elevar a inflação e comprometer a frágil recuperação da Europa. Famílias e empresas estão se preparando para o impacto.

Bruxelas, 23 mar (Xinhua) -- Após anos de crescimento lento, a Europa entrou em 2026 na expectativa de uma reviravolta. Mas a escalada das tensões no Oriente Médio provocou uma forte oscilação nos preços do petróleo e do gás, ameaçando comprometer essa recuperação.

O aumento dos custos de energia deve impulsionar a inflação e piorar as perspectivas de crescimento da zona do euro, deixando famílias e empresas se preparando para um ano desafiador.

OSCILAÇÕES NO MERCADO DE ENERGIA

A mais recente onda de turbulência desencadeada pelos ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã desde 28 de fevereiro foi sentida nos mercados de energia na segunda-feira, quando os preços do petróleo e do gás oscilaram bruscamente em meio a sinais conflitantes de Washington e de Teerã.

No início do pregão, o petróleo Brent subiu acima de 113 dólares americanos por barril, ampliando os ganhos para cerca de 50% desde o início do conflito, à medida que aumentavam os receios de interrupções no fornecimento devido ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, uma rota fundamental para o transporte global de petróleo.

Os preços caíram depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter tido conversas "ótimas e produtivas" com o Irã e ordenou um adiamento de cinco dias dos ataques planejados contra a infraestrutura energética iraniana. O petróleo Brent caiu mais de 10%, para menos de 100 dólares por barril.

No entanto, a queda foi de curta duração devido à recusa do Irã em negociar. Os preços do petróleo se recuperaram para cerca de 105 dólares por barril antes de recuarem novamente para perto de 101 dólares no final da tarde.

Os preços do gás na Europa apresentaram um padrão de volatilidade semelhante. Os contratos futuros de referência do TTF holandês subiram para mais de 63 euros (73 dólares americanos) por megawatt-hora no início do pregão. Após as declarações de Trump, os preços caíram para cerca de 54 euros (63 dólares), antes de se recuperarem para cerca de 59 euros (68 dólares) após a resposta do Irã. Os preços recuaram novamente para cerca de 55 euros (64 dólares) no final da tarde.

Motorista alemão abastece galão em um posto de gasolina em Slubice, Polônia, em 16 de março de 2026. (Xinhua/Zhang Haofu)

Com o petróleo Brent como principal referência para o petróleo na Europa, a volatilidade nos mercados de petróleo bruto tem se refletido nos preços dos combustíveis no varejo há quase um mês, fazendo com que famílias em toda a Europa aguentem o peso do conflito por meio do aumento constante dos custos de combustível e energia.

"Desde o primeiro dia da guerra, temos visto aumentos nos preços das faturas das refinarias. Todos os dias, cada nova fatura é mais alta que a anterior... esse novo aumento na fatura acaba chegando aos consumidores. As pessoas estão reclamando", disse à Xinhua, Maria Zagka, presidente da Associação de Proprietários de Postos de Gasolina da Ática e porta-voz da Federação Helênica de Proprietários de Postos de Gasolina.

CONTAS DE SUPERMERCADO MAIS CARAS

O choque energético não está mais restrito aos mercados de petróleo e gás. Em toda a Europa, o aumento dos custos de combustível está começando a se refletir nos preços de produtos do dia a dia, aumentando o risco de que uma prolongada crise energética se estenda a uma inflação mais ampla para o consumidor.

Pesquisadores dizem que o impacto já é sentido com mais intensidade em produtos que consomem muita energia, como pães, laticínios e alimentos processados, enquanto produtos com longas cadeias de suprimentos também estão ficando mais caros.

Foto tirada em 22 de março de 2026 mostra destroços de prédio após ataque de míssil em Arad, Israel. (Xinhua/Chen Junqing)

A Comissão Estatal de Bolsas e Mercados de Mercadorias da Bulgária já relatou aumento nos preços de atacado da maioria dos produtos, com aumentos particularmente acentuados de 11% a 19% nos preços de maçã, tomate e banana na semana passada. Os preços de cebola, pimentão, repolho e arroz também subiram, assim como os de limão, feijão e lentilha.

Os preços de grãos, milho, soja, arroz e carne também podem subir, disse Samina Sultan, do Instituto Econômico Alemão, à agência de notícias alemã dpa, citando os altos custos de fertilizantes e observando que a soja e o milho são amplamente utilizados como ração animal.

O relatório mais recente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (DIW) diz que o aumento dos custos de energia deve impulsionar a inflação na Alemanha em cerca de 0,4 ponto percentual em 2026, em comparação com as projeções anteriores.

David Bharier, chefe de pesquisa da Câmara de Comércio Britânica, acredita que o conflito em curso pode comprometer o progresso recente no controle da inflação no Reino Unido.

"Nossa previsão econômica mais recente sugere que a inflação provavelmente atingirá 2,7% no quarto trimestre de 2026, e não prevemos novos cortes nas taxas de juros no curto prazo. Essa é uma notícia preocupante para empresas que buscam empréstimos como trampolim para investimento e crescimento", disse Bharier.

PERSPECTIVA ECONÔMICA SOMBRIA

A Europa entrou em 2026 na esperança de que uma recuperação há muito aguardada finalmente se consolidasse após anos de crescimento moderado. Mas essa perspectiva se tornou bastante sombria agora.

Em seu relatório de maio, a Alemanha disse que a recuperação econômica deve aumentar significativamente após anos de crescimento moderado. Em suas projeções para março de 2026, o Banco Central Europeu disse que as expectativas de crescimento melhoraram durante boa parte do ano passado e que a economia manteve um ritmo positivo no início de 2026, mas alertou que a guerra no Oriente Médio voltou a obscurecer as perspectivas.

As consequências já estão forçando governos e economistas a reavaliarem o ano que se aproxima.

Pessoas seguram cartazes em frente à Trafalgar Square em um protesto contra ataques dos EUA e de Israel ao Irã, no centro de Londres, Reino Unido, em 21 de março de 2026. (Xinhua/Li Ying)

Luís Montenegro, primeiro-ministro de Portugal, reconheceu na semana passada que Portugal pode registrar um déficit em 2026 devido às "circunstâncias excepcionais" ligadas aos impactos das tempestades e da crise energética.

Na Alemanha, a maior economia da Europa, o DIW projeta um crescimento de 1% e 1,4% para 2026 e 2027, respectivamente, abaixo das projeções anteriores em 0,3 e 0,2 pontos percentuais.

Economistas também estão se mostrando mais cautelosos em relação às perspectivas de crescimento da zona do euro. Franziska Palmas, economista sênior para a Europa da Capital Economics, disse que o crescimento da zona do euro provavelmente desacelerará drasticamente, embora o bloco provavelmente ainda evite uma recessão, com dois trimestres de estagnação neste ano, seguidos por uma recuperação gradual.

Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING Research, adotou um tom mais sombrio, dizendo que, em um cenário grave, o aumento dos preços da energia poderia reduzir o crescimento da zona do euro em 0,5 ponto percentual em 2026 e 0,4 ponto percentual em 2027, levando a economia a uma recessão técnica no verão de 2026 e elevando a inflação significativamente acima das projeções iniciais.

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