
Foto de arquivo de 30 de abril de 2019 mostra soldados iranianos patrulhando o Estreito de Ormuz, no sul do Irã. (Xinhua/Ahmad Halabisaz)
Cairo, 23 mar (Xinhua) -- O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse neste domingo que Teerã impediu a passagem pelo Estreito de Ormuz de embarcações pertencentes aos Estados Unidos e a Israel, e também das que participam das "agressões" contra o país.
O ministério disse que embarcações não hostis de outros países podem garantir passagem segura, coordenando-se com as autoridades iranianas, desde que não tenham participado nem apoiado a agressão contra o Irã e cumpram as normas de segurança.
Pouco menos de 100 navios atravessaram o estreito desde o início de março, e pelo menos 20 embarcações comerciais foram atacadas na costa iraniana desde o início do conflito, incluindo o navio MT Safesea Vishnu, de propriedade americana, informou a emissora britânica BBC em uma reportagem de quinta-feira.
À medida que a situação no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito, continua se agravando, quais declarações e ações foram tomadas pelas partes envolvidas?

Incêndio em um navio cargueiro tailandês após ser atingido no Estreito de Ormuz, em 11 de março de 2026. (Marinha Real Tailandesa/Divulgação via Xinhua)
Estados Unidos
-- O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na segunda-feira que ordenou aos militares dos Estados Unidos que adiassem os ataques contra usinas de energia e infraestrutura energética iraniana por cinco dias, após manter "conversas boas e produtivas" com Teerã.
"Instruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iraniana por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento", disse ele.
Isso ocorre após a ameaça de Trump, no sábado, de "atacar e destruir" usinas de energia iranianas caso o país não abra completamente o Estreito de Ormuz em 48 horas.
"Se o Irã não ABRIR COMPLETAMENTE, SEM AMEAÇAS, o Estreito de Ormuz, dentro de 48 HORAS a partir deste momento, os Estados Unidos da América atacarão e destruirão suas diversas USINAS DE ENERGIA, COMEÇANDO PELA MAIOR!", escreveu ele em uma publicação na plataforma Truth Social.
-- A mídia americana noticiou na sexta-feira que o navio de assalto anfíbio USS Boxer, acompanhado pelo navio de desembarque de doca USS Comstock e pelo navio de transporte anfíbio USS Portland, partiu de San Diego, Califórnia, rumo ao Oriente Médio.
Especialistas militares acreditam que o reforço militar faz parte de um esforço para pressionar o Irã a reabrir o estreito.
-- Em 14 de março, Trump disse que os Estados Unidos e diversas outras nações enviariam forças navais para garantir a segurança do estreito, em meio à alta dos preços globais do petróleo. Mas, na terça-feira, Trump mudou de ideia, dizendo que seus apelos não foram atendidos.
"Não precisamos da ajuda de ninguém!", disse ele, classificando a recusa dos aliados da OTAN como um "erro muito tolo".
Israel
-- O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse na quinta-feira que qualquer tentativa iraniana de fechar o Estreito de Ormuz "não funcionará", ameaçando com mais campanhas militares contra o Irã. "Ainda há muito trabalho a ser feito, e vamos fazer isso", disse ele.
-- Netanyahu também propôs a construção de oleodutos e gasodutos que atravessariam a Península Arábica em direção a Israel. "Basta ter oleodutos e gasodutos indo para o oeste, através da Península Arábica, até Israel, até nossos portos no Mediterrâneo, e vocês eliminarão os pontos de estrangulamento para sempre", disse ele.

Foto de arquivo divulgada em 21 de julho de 2019 mostra o petroleiro britânico "Stena Impero" cercado por lanchas rápidas da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) no Estreito de Ormuz, Irã. (Morteza Akhoundi/ISNA/Divulgação via Xinhua)
Irã
-- O Conselho de Defesa do Irã alertou na segunda-feira que o país lançará minas navais no Golfo Pérsico caso os Estados Unidos e Israel lancem qualquer ataque contra suas costas ou ilhas.
"Qualquer tentativa dos inimigos de atacar as costas ou ilhas iranianas levará, naturalmente e com base em práticas militares comuns, o Irã a lançar diversos tipos de minas navais, incluindo as flutuantes que podem ser lançadas da costa, em todas as rotas de acesso e linhas de comunicação no Golfo Pérsico e nas costas", disse o conselho.
-- O principal comando militar do Irã, o quartel-general central Khatam al-Anbiya, disse no domingo que, caso as ameaças dos EUA sejam concretizadas, o Irã adotará imediatamente diversas medidas punitivas, incluindo o fechamento total do Estreito de Ormuz até que as instalações iranianas danificadas sejam reconstruídas.
Outras medidas incluiriam ataques em larga escala à infraestrutura de energia, eletricidade e comunicações de Israel, ataques a empresas regionais com ligações de capital com os EUA e ataques a instalações de energia em países que abrigam bases militares americanas.
-- O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse no domingo que a restauração completa da segurança e estabilidade sustentáveis no estreito exige o fim da agressão militar e das ameaças contra o Irã, a interrupção das ações desestabilizadoras dos Estados Unidos e de Israel e o pleno respeito aos interesses legítimos do Irã.
O Irã sempre respeitou a liberdade de navegação e a segurança marítima, disse o ministério, acrescentando que tem trabalhado para defender esses princípios ao longo dos anos.
-- O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse no domingo que o Estreito de Ormuz está aberto a todos, "exceto aos que violarem o território iraniano".

Iemenitas participam de manifestação em solidariedade ao Irã em Sanaa, Iêmen, em 1º de março de 2026. (Foto de Mohammed Mohammed/Xinhua)
Iêmen
-- O grupo Houthi do Iêmen disse no sábado que está monitorando de perto os acontecimentos no Estreito de Ormuz e que tomará "medidas apropriadas" diante dos eventos na região.
O grupo disse que os Estados Unidos se colocaram em uma "situação estratégica delicada" e estão tentando arrastar outros países para um conflito mais amplo, instando a uma maior pressão internacional sobre os Estados Unidos e Israel para que interrompam as operações militares contra o Irã.
Reino Unido
-- Na sexta-feira, o Reino Unido concordou em permitir que os Estados Unidos utilizem bases britânicas para realizar "operações para degradar os locais e capacidades de mísseis usados para atacar navios no Estreito de Ormuz", reafirmando, ao mesmo tempo, seu compromisso de "não se envolver no conflito mais amplo".



