
Água flui por canal de irrigação na região de Iringa, Tanzânia, em 5 de janeiro de 2026. (CRJE/Divulgação via Xinhua)
Dar es Salã, 22 mar (Xinhua) -- Ao amanhecer sobre os arrozais da região de Iringa, na Tanzânia, o agricultor Mashauri Julius caminha ao longo de um sistema de irrigação recém-construído pela China Railway Jianchang Engineering Company (CRJE) (East Africa) Limited, uma importante construtora chinesa.
Julius observa a água vital fluir constantemente em sua terra, algo que ele antes considerava impossível.
Durante anos, Julius dependeu de chuvas imprevisíveis e métodos tradicionais de irrigação, sem nunca ter certeza da sua colheita. Hoje, com a água fluindo de forma confiável pelo canal de irrigação, ele sente algo novo: confiança.
"Este projeto já começou a mudar nossas vidas", disse ele. "Antes, colher de 10 a 15 sacos de arroz por acre era considerado bom. Agora, estamos colhendo 30 sacos e esperamos ainda mais".
Seu otimismo reflete a transformação trazida pelas seções 3 e 4 do Projeto de Irrigação de Iringa, parte do projeto maior de Mkombozi. Mesmo antes da conclusão total, mais de 70% do sistema está operacional, permitindo que agricultores como Julius vislumbrem um futuro com maiores rendimentos e maior estabilidade.
Celebrado anualmente em 22 de março, o Dia Mundial da Água destaca a importância da água doce e da gestão sustentável dos recursos hídricos. Em comunidades como a Divisão de Pawaga, a mensagem não é mais abstrata, mas visível nos canais que fluem e nas fazendas prósperas.
Localizado nas terras altas do sul da Tanzânia, o projeto envolve a construção de aproximadamente 78 quilômetros de canais de irrigação e 85 quilômetros de estradas rurais, beneficiando, ao final, mais de 8.000 hectares de terras agrícolas. Após a conclusão, espera-se que beneficie milhares de agricultores em diversas aldeias.
"Concluímos toda a escavação dos canais e a construção das estradas, restando apenas uma pequena parte das estruturas", disse Zhang Hong, gerente do projeto, em entrevista recente à Xinhua. "Apesar dos desafios, especialmente durante a estação chuvosa, estamos confiantes de que o projeto será finalizado em breve e entregue às autoridades tanzanianas".
A construção não foi isenta de obstáculos. As fortes chuvas frequentemente interrompiam o progresso, destruindo o trabalho já realizado e limitando o acesso aos locais. Ao mesmo tempo, as comunidades locais dependiam das mesmas fontes de água para as necessidades diárias e para a agricultura, o que exigiu uma coordenação cuidadosa.
A colaboração foi fundamental. O apoio da Comissão Nacional de Irrigação da Tanzânia, das autoridades locais e dos moradores permitiu que o projeto avançasse de forma constante.
Para a Divisão de Pawaga, onde a agricultura é a base da subsistência, o impacto já é profundo.
Emmanuel Ngabuji, chefe da Divisão de Pawaga, observou que a agricultura tem sido historicamente limitada pela infraestrutura de irrigação inadequada.
"Antes, usávamos canais simples e tradicionais que não conseguiam atender à demanda", disse ele. "Agora, áreas que nunca receberam água estão sendo cultivadas. A produção está aumentando e as oportunidades estão se expandindo".
O projeto, apoiado por um financiamento governamental de aproximadamente 34 bilhões de xelins tanzanianos (cerca de 14 milhões de dólares americanos), apoia um programa que atende a várias aldeias e desempenha um papel fundamental no abastecimento de arroz para grandes cidades como Dar es Salã e Dodoma.
Além da agricultura, os benefícios se estendem por toda a economia local. Estradas melhoradas aumentaram a conectividade, enquanto a irrigação atraiu investimentos no processamento de arroz e indústrias relacionadas. O emprego juvenil aumentou, com centenas de jovens encontrando trabalho na construção civil e em atividades agrícolas.
Para muitos moradores, as mudanças são tangíveis. As famílias estão construindo casas melhores, enviando os filhos para a escola e acessando serviços de saúde com mais facilidade. As mulheres, antes limitadas a pequenas parcelas de terra, estão expandindo suas atividades agrícolas e obtendo acesso a serviços financeiros.
De volta ao seu campo, Julius encara a próxima temporada de plantio com renovada determinação. Com irrigação confiável, os agricultores esperam cultivar várias vezes ao ano e aumentar ainda mais a produção.
"Não cultivamos mais com medo", disse ele. "Cultivamos com esperança".
Neste Dia Mundial da Água, os canais de fluxo de Iringa são uma prova de como o acesso à água, apoiado pela cooperação internacional, pode transformar não apenas os campos, mas comunidades inteiras, transformando a incerteza em oportunidade e sustentando a vida para as próximas gerações.

Água flui por canal de irrigação na região de Iringa, Tanzânia, em 20 de março de 2026. (Xinhua/Nurdin Pallangyo)

Agricultores locais trabalham em campos irrigados na região de Iringa, Tanzânia, em 5 de janeiro de 2026. (CRJE/Divulgação via Xinhua)

Autoridades locais conversam com representante chinês em uma instalação de irrigação na região de Iringa, Tanzânia, em 20 de março de 2026. (Xinhua/Nurdin Pallangyo)

Água flui por canal de irrigação na região de Iringa, Tanzânia, em 20 de março de 2026. (Xinhua/Nurdin Pallangyo)



