Taipei, 24 mar (Xinhua) -- A recente decisão das autoridades de Taiwan de reiniciar as usinas de eletricidade nuclear desencadeou um intenso debate, com críticos acusando-as de inconsistência política e erros dispendiosos que pesaram fortemente sobre a economia e os meios de subsistência da ilha.
A medida ocorreu apenas dez meses depois que as autoridades do Partido Progressista Democrata (PPD) anunciaram que Taiwan seria um território livre de eletricidade nuclear, com o último reator em operação sendo desativado em maio de 2025.
A repentina reviravolta do PPD em sua política de longa data contra a eletricidade nuclear gerou críticas generalizadas quanto à manipulação da estratégia energética como ferramenta política e ao desrespeito pelo alto preço pago pela população de Taiwan.
A energia nuclear vinha sendo uma importante fonte de suprimento de eletricidade em Taiwan até que o PPD assumiu o poder em 2016 e promoveu a eliminação total da energia nuclear, apesar da alta dependência de Taiwan em relação à energia importada e das necessidades de suas indústrias.
Desde então, as usinas de eletricidade nuclear foram gradualmente desativadas, culminando no desligamento completo em maio de 2025.
Durante esse período, o suprimento de eletricidade de Taiwan permaneceu escasso, com relatos de múltiplos apagões rotativos e medidas de racionamento de emergência. Setores de alto consumo de energia, como semicondutores, eletrônicos e petroquímicos, enfrentaram riscos operacionais crescentes.
Para suprir essa lacuna energética, o PPD recorreu às usinas termelétricas, que hoje geram mais de 80% da produção de eletricidade da ilha.
Essa política não só agravou a poluição atmosférica, como também causou escassez crônica de eletricidade, que se tornou um obstáculo persistente ao crescimento econômico e à vida cotidiana em Taiwan.
De acordo com Wang Hung-wei, uma legisladora local, os preços da eletricidade em Taiwan foram aumentados seis vezes desde 2016, com um aumento médio de aproximadamente 44%.
Apesar dos custos crescentes da eletricidade, da instabilidade no suprimento e das pressões ambientais, as autoridades do PPD mantiveram sua política até recentemente, quando fatores geopolíticos externos agravaram os riscos de suprimento energético e forçaram uma mudança.
Comentadores observaram que a mudança abrupta da oposição absoluta à eletricidade nuclear para um reinício apressado resultou em enormes investimentos duplicados e desperdício de recursos, com custos de tentativa e erro estimados em centenas de bilhões de novos dólares taiwaneses.
A presidente do Partido Kuomintang Chinês, Cheng Li-wun, afirmou que as políticas do PPD impulsionadas por ideologias, sobre esta e outras questões impuseram custos excessivos a Taiwan e devem ser abandonadas o mais cedo possível.
Enquanto isso, Huang Kuo-chang, presidente do Partido Popular de Taiwan, argumentou que as autoridades do PPD sofreram um colapso em sua credibilidade política e pediu que seu líder, Lai Ching-te, se desculpasse formalmente com o público.
Comentadores da mídia também observaram que a mudança de política só ocorreu à beira de uma crise, mas acrescentaram que as consequências das decisões anteriores, incluindo preços elevados ao consumidor, energia elétrica cara, maior dependência da energia térmica, pressão ambiental e desperdício de investimentos, já são irreversíveis.
O jornal China Daily News, com sede em Taiwan, escreveu que, embora as correções nas políticas possam limitar novas perdas, a população já arcou com o peso dos custos.

