
Soldados iranianos patrulham o Estreito de Ormuz, no sul do Irã, em 30 de abril de 2019. (Xinhua/Ahmad Halabisaz)
Cairo, 17 mar (Xinhua) -- O presidente dos EUA, Donald Trump, tem repetidamente solicitado aos aliados que enviem navios de guerra para o Estreito de Ormuz, uma rota marítima essencial por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, em meio à disparada dos preços globais do petróleo no conflito entre EUA e Israel com o Irã.
A maioria dos aliados rejeitou o pedido.
APELO DE TRUMP
No sábado, Trump disse que os Estados Unidos e diversas outras nações enviariam forças navais para garantir a segurança do estreito.
"Muitos países, especialmente aqueles afetados pela tentativa do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, enviarão navios de guerra, em conjunto com os Estados Unidos, para manter o estreito aberto e seguro", escreveu ele nas redes sociais. Ele disse a repórteres que estava "exigindo que esses países interviessem e protegessem seus próprios territórios".
Mas, na terça-feira, Trump disse que seus apelos não foram atendidos e mudou de ideia, declarando que as forças americanas não precisavam mais da ajuda de aliados no conflito com o Irã.
"Não precisamos da ajuda de ninguém!", escreveu ele na plataforma Truth Social, chamando a recusa dos aliados da OTAN de "um erro muito tolo".

Incêndio em um navio cargueiro tailandês após ser atingido no Estreito de Ormuz, em 11 de março de 2026. (Marinha Real Tailandesa/Divulgação via Xinhua)
QUAIS PAÍSES REJEITARAM O APELO?
- Alemanha
O chanceler alemão, Friedrich Merz, descartou na segunda-feira o envio de navios pela Alemanha, acrescentando que a guerra contra o Irã "não é assunto da OTAN".
"Nunca houve uma decisão conjunta sobre intervir ou não. É por isso que a questão de como a Alemanha poderia contribuir militarmente não é válida. Não faremos isso", disse Merz.
O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, rejeitou o apelo no mesmo dia, dizendo: "Esta guerra não é nossa, não a começamos. O que Donald Trump espera de algumas fragatas europeias no Estreito de Ormuz que a poderosa Marinha dos EUA não consiga administrar sozinha?".
- Reino Unido
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse na segunda-feira que o país não seria "arrastado para uma guerra maior".
Ele disse que Londres está trabalhando com aliados em um "plano viável" para restabelecer a navegação no Estreito de Ormuz, mas esclareceu que "não será, e nunca foi concebido como, uma missão da OTAN".
-- França
A França já havia deixado sua posição clara antes dos comentários de Trump. A ministra das Forças Armadas francesa, Catherine Vautrin, disse na quinta-feira que "não há possibilidade de enviar qualquer embarcação ao Estreito de Ormuz", enquanto a guerra continuar se intensificando.
O presidente francês, Emmanuel Macron, disse na terça-feira que a França não participará das operações para reabrir a importante via navegável enquanto o conflito estiver em curso.
-- União Europeia
Após uma reunião de ministros das Relações Exteriores da UE na segunda-feira, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, disse que os Estados-membros não têm interesse em expandir sua pequena missão naval "Aspides", existente no Mar Vermelho, para o Estreito de Ormuz.
"Ninguém está disposto a colocar seu povo em perigo no Estreito de Ormuz", disse ela, acrescentando: "Esta guerra não é da Europa".

Foto tirada em 23 de maio de 2025 mostra bandeiras da União Europeia na sede da Comissão Europeia em Bruxelas, Bélgica. (Xinhua/Zhao Dingzhe)
-- Itália
O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio, disse que as missões existentes da UE, como a "Aspides", são projetadas principalmente para operações de escolta defensiva e antipirataria, acrescentando que não acredita que "sejam estendidas ao Estreito de Ormuz".
-- Espanha
A ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, rejeitou na segunda-feira a exigência de Trump, além de suas ameaças de um "futuro péssimo" para os aliados da OTAN que não ajudarem a reabrir o Estreito de Ormuz.
"A Espanha jamais aceitará medidas paliativas, porque o objetivo deve ser o fim da guerra, e que ela termine agora", disse Robles.
O governo liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez já havia proibido o uso de bases militares americanas no sul da Espanha para operações contra o Irã.
-- Portugal
O ministro das Relações Exteriores de Portugal, Paulo Rangel, disse na segunda-feira que Portugal "não está nem estará envolvido neste conflito".
-- Finlândia
A ministra das Relações Exteriores da Finlândia, Elina Valtonen, declarou na segunda-feira que a Finlândia "praticamente não dispõe de recursos adicionais" e que o estreito não é uma "prioridade máxima".
-- Holanda
O primeiro-ministro holandês, Rob Jetten, disse na segunda-feira que qualquer missão no Estreito de Ormuz "precisará primeiro de uma redução das tensões na região".
-- Polônia
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, disse na terça-feira que a Polônia "não planeja nenhuma expedição ao Irã", acrescentando que Washington compreendeu a decisão de Varsóvia.

Foto tirada em 19 de fevereiro de 2025 mostra vista distante da aldeia de Kumzar, em Omã. Kumzar, uma remota aldeia de pescadores na Península de Musandam, no norte de Omã, localizada em um porto abrigado próximo à estratégica rota marítima do Estreito de Ormuz. (Xinhua/Wang Qiang)
-- Japão
O Japão não tem planos de enviar navios de guerra para o Oriente Médio, disse a primeira-ministra Sanae Takaichi nesta segunda-feira, distanciando Tóquio do apelo de Trump para que aliados ajudem a proteger a navegação no Estreito de Ormuz.
"Não tomamos nenhuma decisão sobre o envio de navios de escolta", disse Takaichi ao parlamento, acrescentando que o Japão ainda está avaliando suas opções dentro das restrições legais.
-- Coreia do Sul
O ministro da Defesa da Coreia do Sul, Ahn Gyu-back, disse na terça-feira que a Coreia do Sul não recebeu nenhum pedido oficial dos Estados Unidos para o envio de navios de guerra ao Oriente Médio.
Ele disse que qualquer possível envio precisaria ser decidido levando em consideração os interesses nacionais, a segurança pública e as leis pertinentes, e exigiria aprovação parlamentar.
-- Austrália
A Austrália não enviará navios de guerra para proteger petroleiros no Estreito de Ormuz, disse na segunda-feira a ministra da Infraestrutura, Transportes, Desenvolvimento Regional e Governo Local do país, Catherine King.
"Estamos bem preparados no país para enfrentar a crise econômica que está ocorrendo como resultado da situação no Oriente Médio", disse King.

