Beijing, 16 mar (Xinhua) -- Das salas de aula de acupuntura no Brasil, passando pelos caminhos sinuosos no Jardim Yuyuan em Shanghai, até chegar ao restaurante de chá em Hong Kong, a vida ao estilo chinês está, de formas diversas e interessantes, entrando no cotidiano do mundo.
A hashtag "Becoming Chinese" (Tornando-se Chinês, na tradução literal) ganhou nos últimos tempos popularidade em plataformas de mídia social como TikTok e Instagram Reels, com muitos usuários estrangeiros adotando o estilo de vida chinês.
Medicina chinesa - um estilo de vida para além do tratamento corporal
Após décadas de estudo e imersão na cultura chinesa, a preferência por água morna, a atenção à alimentação sazonal, o respeito por rotinas diárias estruturadas e o hábito de observar a saúde por meio de sinais sutis vêm sendo incorporados à vida do Prof. Reginaldo Filho, fundador da faculdade EBRAMEC, no Brasil.
"Vejo esse fenômeno como um intercâmbio cultural positivo", comentou Filho, cuja família também incorporou alguns desses hábitos, especialmente ajustes na dieta de acordo com as estações do ano e exercícios tradicionais simples.
"Essas mudanças trouxeram mais consciência para o dia a dia e para a manutenção da saúde", disse ele, acrescentando que os hábitos, como beber água morna, valorizar sopas sazonais, praticar exercícios tradicionais, refletem princípios profundamente enraizados na filosofia médica chinesa.
Desde 2001, Filho visitou a China mais de 50 vezes, e segundo ele, cada visita à China foi significativa de uma maneira diferente.
"Uma experiência particularmente impactante, que realmente me marcou e mudou minha vida, foi minha primeira visita à China, em Shandong, em 2001", lembrou ele, que chegou a observar de perto médicos experientes integrando a teoria clássica da medicina chinesa com o diagnóstico preciso do pulso e estratégias de tratamento individualizadas.
"Senti que realmente compreendi sua essência quando entendi que sua força reside na diferenciação de padrões e na observação dinâmica do paciente como um todo. Aquela coerência clínica, a teoria aplicada com precisão em casos reais, foi transformadora para mim", disse.
Após voltar ao Brasil, Filho fundou uma escola de educação em medicina chinesa, que em 2016 se tornou uma instituição de ensino superior oficialmente reconhecida -- Escola Brasileira de Medicina Chinesa -- e, em 2021, obteve aprovação do Ministério da Educação do Brasil para lançar o curso de graduação em acupuntura, fitoterapia chinesa e massoterapia.
A aceitação da medicina chinesa tem crescido consistentemente no Brasil na última década, segundo ele, dizendo que na sua instituição, tem-se visto um aumento constante nas matrículas de alunos, bem como um maior interesse de profissionais de saúde buscando formação pós-graduada estruturada.
Hanfu - uma experiência única com traje tradicional chinês
No Jardim Yuyuan, em Shanghai, Lee Eun-jin, uma visitante da Coreia do Sul, e suas amigas, vestiram hanfu tradicional da China e posaram para fotos.
"Experimentar as diferentes atividades culturais me faz sentir mais conectada à cidade", disse Lee, cercada por lanternas com o tema do Ano do Cavalo. Elas viajaram a Shanghai de sexta a domingo, seguindo uma onda, desde ano passado, de jovens sul-coreanos que passam fins de semana na cidade.
Ela incluiu especificamente a atividade de experimentação de hanfu em seu roteiro de visita, atraída pelas fotos populares que visitantes estrangeiros postaram no Instagram para marcar presença no Jardim Yuyuan.
As lojas de hanfu no Jardim Yuyuan oferecem muitas opções de experiência de troca de visual e variedade de roupas, comentou Lee, avaliando positivamente o serviço de maquiagem no local. Ela e suas amigas ficaram muito interessadas com a experiência. "Sem dúvida, recomendarei que meus amigos, ao visitarem a China, também experimentem vestir hanfu, pois assim podem ter uma experiência mais profunda da cultura chinesa", disse.
Culinária chinesa - tradição e modernidade
Em 2025, Hong Kong registrou uma forte recuperação do turismo, com um total de 49,9 milhões de visitantes à região durante o ano, dos quais 26% eram visitantes de fora da parte continental chinesa. Como parte fundamental da sociedade diversificada de Hong Kong, os restaurantes locais testemunham a transformação econômica da região.
Quando perguntada sobre o que mais recomendaria, Alise Franck, uma professora de música francesa que almoçava no Restaurante Tsui Wah, balançou o copo na mão e disse sorrindo: "Chá com leite ao estilo de Hong Kong".
"Sou da França, e amo Hong Kong", afirmou a francesa que trabalha em Hong Kong há quase um ano, acrescentando que a energia em Hong Kong é fascinante.
Ela gosta de Hong Kong, que fica muito perto da parte continental da China, e ela mesma vai frequentemente à parte continental. De Hong Kong, também é muito fácil ir à Tailândia e ao Japão, entre outros países da Ásia, disse ela.
O Restaurante Tsui Wah começou a operar no Distrito Central de Hong Kong há mais de vinte anos, na década de 1990, e o atual foi inaugurado no ano passado, disse à Xinhua a gerente do restaurante, de nome Fanny.
Segundo ela, o restaurante proporciona uma janela para visitantes de todo o mundo experimentarem a cultura de Hong Kong. Os clientes estrangeiros geralmente aceitam bem a cultura local tradicional, e comparando ao passado, os clientes hoje buscam mais a experiência gastronômica completa, esperando poder desfrutar de comidas tradicionais e autênticas de Hong Kong, disse Fanny.
Chen Fuqiao, pesquisador associado da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS, em inglês), observou que a bebida de chá de novo estilo tornou-se uma janela para as pessoas conhecerem a cultura tradicional do chá chinês.
De acordo com uma reportagem do Nanfang Metropolis Daily, as marcas chinesas de bebidas de chá de novo estilo começaram a abrir filiais no exterior na década de 2010 a ritmo acelerado. Segundo o National Business Daily, até o final do ano passado, as marcas chinesas de bebidas de chá de novo estilo já haviam aberto mais de 5 mil lojas no exterior.
"Becoming Chinese" não se trata de transformar-se em alguém, mas sim, de um reencontro entre civilizações, ao passo que o mundo, no caminho da busca de saúde e bem-estar, compreende a China através das suas práticas cotidianas e abraça calorosamente a cultura chinesa.
É importante que esse interesse vá além de modismos, observou Filho, acrescentando que a compreensão verdadeira exige estudo e respeito pelos fundamentos filosóficos por trás dessas práticas. "Quando abordado com seriedade, esse movimento pode promover um diálogo intercultural genuíno".

