
Motociclistas fazem fila para abastecer veículos em um posto de gasolina em Quezon City, Filipinas, em 9 de março de 2026. (Xinhua/Rouelle Umali)
Hong Kong, 14 mar (Xinhua) -- A escalada do conflito no Oriente Médio desencadeou uma onda de volatilidade no mercado de energia em toda a Ásia-Pacífico, provocando aumentos acentuados nos preços dos combustíveis, interrupções na cadeia de suprimentos e receios de uma pressão inflacionária mais ampla, levando governos do Laos à Austrália a implementar uma série de medidas para mitigar o impacto.
FORTES IMPACTOS
O conflito no Oriente Médio provocou uma série de choques energéticos em cascata na região da Ásia-Pacífico, que depende fortemente do Oriente Médio para importações de petróleo bruto e gás.
Os preços dos combustíveis dispararam em toda a região: no Camboja, o preço do diesel subiu 66% desde o início do conflito; no Vietnã, o preço do diesel no varejo aumentou mais de 30% em apenas dois dias; o Sri Lanka também elevou os preços dos combustíveis no varejo.
A volatilidade provocou compras em pânico em diversas economias, desde cilindros de gás liquefeito de petróleo (GLP) na Índia até gasolina na Nova Zelândia e nas Filipinas, enquanto alguns postos de gasolina no Camboja suspenderam as vendas devido a temores de falta de abastecimento.
Além disso, a crise energética desencadeou efeitos em cadeia, incluindo sobretaxas de combustível para companhias aéreas, aumento vertiginoso dos custos de frete e crescentes pressões inflacionárias, com economistas alertando para o aumento dos preços ao consumidor em transporte, produção de alimentos e bens de consumo diário em economias como a Malásia.
CONSERVAÇÃO DE ENERGIA E COMBATE À ESPECULAÇÃO
Diante desses desafios, governos em toda a região da Ásia-Pacífico lançaram uma série de intervenções de curto prazo e medidas estruturais de longo prazo para estabilizar o fornecimento de combustíveis, conter irregularidades no mercado e construir resiliência energética duradoura.
Políticas imediatas de redução da demanda foram implementadas em toda a região. No Sudeste Asiático, a Tailândia determinou o trabalho remoto para funções governamentais que não envolvem a prestação de serviços públicos e suspendeu viagens oficiais ao exterior para reduzir o consumo de energia. O Vietnã também incentivou o trabalho remoto, além do compartilhamento de carros, do transporte público e do uso de veículos elétricos. A Malásia decidiu reduzir as viagens ministeriais ao exterior e diminuiu as comemorações do Eid al-Fitr por departamentos governamentais e empresas estatais para reduzir a pressão sobre o consumo de energia e as finanças públicas.
O Paquistão, país do sul da Ásia, implementou medidas de autocontrole abrangentes: um corte de 50% nas verbas governamentais destinadas a combustíveis por dois meses, 60% dos veículos oficiais parados, semana de trabalho de quatro dias para repartições públicas e fechamento das escolas por duas semanas.
Governos têm reprimido o açambarcamento, a especulação de preços e o contrabando, com alguns introduzindo controles de preços raros. A Coreia do Sul planeja implementar um teto para o preço dos combustíveis no mercado interno, o que, se implementado, seria a primeira vez em quase cinco décadas desde o Segundo Choque do Petróleo, em meados da década de 1970.
O Camboja iniciou investigações em quase 2.000 postos de combustíveis que interromperam as vendas, alertando os especuladores sobre multas ou revogação de licenças. O primeiro-ministro do Vietnã ordenou inspeções rigorosas do contrabando e açambarcamento de combustíveis transfronteiriços, determinando que os postos não suspendam as vendas sem justificativa válida. A Índia interveio para conter o mercado negro de GLP, com autoridades refutando rumores de escassez e pedindo calma aos consumidores.
DESBLOQUEIO DE RESERVAS E ACELERAÇÃO DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
Os países agiram rapidamente para acessar reservas estratégicas de combustíveis e ajustar as regras de abastecimento para alívio imediato. A Austrália liberará até 762 milhões de litros de gasolina e diesel e flexibilizará temporariamente os padrões de qualidade do combustível por 60 dias, o que poderá adicionar 100 milhões de litros ao fornecimento mensal de gasolina.
Segundo relatos da mídia, o Japão planeja usar suas reservas de petróleo já em 16 de março, 15 dias de estoques privados seguidos por 30 dias de reservas governamentais, para compensar a queda esperada nas importações e uma sequência de quatro semanas de aumento nos preços da gasolina no varejo.
Além das medidas de curto prazo, as nações estão acelerando reformas estruturais para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, transformando a crise em um catalisador para a transição energética.
O Laos realizou uma reunião de alto nível para discutir a diversificação das fontes de abastecimento e aprimoramentos na supervisão das reservas, priorizando a promoção de veículos elétricos e redes públicas de veículos elétricos, além de criar uma força-tarefa dedicada para formalizar políticas de longo prazo por meio de legislação. A Indonésia disse que está se preparando para substituir gradualmente as usinas termelétricas a diesel por energia renovável, com projetos de grande escala de energia solar e geotérmica previstos para serem implementados em breve.
Em uma declaração conjunta divulgada na sexta-feira, os ministros da Economia da ASEAN enfatizaram a necessidade de gerir o consumo de energia, diversificar as fontes de energia e as rotas de abastecimento, particularmente através de biocombustíveis e energias renováveis, assim como acelerar a transição para energias renováveis e o desenvolvimento de energias alternativas.
"Estamos com os ministros das Relações Exteriores da ASEAN no apelo pela desescalada do conflito no Oriente Médio por meios diplomáticos e pacíficos, incluindo a cessação das hostilidades, o exercício da máxima contenção e a busca do diálogo por todas as partes envolvidas", diz o comunicado.








