Enfoque: China reafirma desenvolvimento pacífico diante da crescente volatilidade global-Xinhua

Enfoque: China reafirma desenvolvimento pacífico diante da crescente volatilidade global

2026-03-12 11:20:30丨portuguese.xinhuanet.com

Beijing, 12 mar (Xinhua) -- As "duas sessões" anuais da China atraíram crescente atenção global neste ano, à medida que os legisladores se preparam não apenas para definir a agenda do ano que vem, mas também para aprovar um plano que poderá moldar a trajetória do país até o fim da década.

As reuniões do mais alto órgão legislativo e do órgão máximo de consulta política da China ocorrem em meio ao agravamento da turbulência global. Com o acirramento das rivalidades geopolíticas, o enfraquecimento das regras estabelecidas e a intensificação dos conflitos no Oriente Médio, a ordem internacional enfrenta uma tensão sem precedentes.

As decisões políticas da China, a segunda maior economia do mundo e lar de 1,4 bilhão de habitantes, têm impacto muito além de suas fronteiras. Por isso, a direção definida nas "duas sessões" deste ano será acompanhada de perto, sobretudo num momento em que muitos veem a China como uma fonte de estabilidade em um mundo cada vez mais incerto.

O projeto de esboço do 15º Plano Quinquenal traça o caminho que a China seguirá nos próximos cinco anos rumo à meta de basicamente alcançar a modernização até 2035. Uma característica distintiva dessa modernização é a ênfase no desenvolvimento pacífico.

De acordo com o documento, nos próximos cinco anos a China deverá trabalhar com seus vizinhos para promover o desenvolvimento integrado e manter a estabilidade geral em suas relações com os principais países.

Em uma coletiva de imprensa sobre a política externa da China realizada à margem da sessão legislativa, o ministro das Relações Exteriores Wang Yi reafirmou que a China não buscará hegemonia à medida que sua força cresce, nem subscreve à lógica de que o mundo pode ser governado por grandes países.

Analistas dizem que a preferência da China pela paz decorre, em parte, de um instinto cultural e histórico profundamente enraizado.

Durante grande parte de sua história milenar, a China esteve entre as principais nações do mundo. Sua influência tendia a se expandir por meio do comércio, da circulação de ideias e dos intercâmbios culturais, e não por conquista ou colonização.

A antiga Rota da Seda levou caravanas através de continentes, enquanto as viagens marítimas do almirante Zheng He, no século XV, chegaram até a África, deixando seda, chá e porcelana - não fortes, colônias ou tiros de canhão.

Essa contenção foi uma escolha deliberada, parte integrante da arte clássica de governança da China. "A Arte da Guerra" eleva a vitória sem batalhas ao mais alto ideal estratégico, e antigos pensadores advertiam que potências viciadas em conflito acabariam por se exaurir.

A história moderna reforçou essa psique nacional de forma ainda mais brutal. Após a Guerra do Ópio de 1840, a China sofreu invasões, intimidação e humilhação nas mãos de potências ocidentais. A invasão japonesa, iniciada no começo da década de 1930 e prolongada durante a Segunda Guerra Mundial, deixou cicatrizes profundas e duradouras no país.

Essas experiências consolidaram a aversão à guerra e alimentaram a convicção de que a recuperação e a revitalização devem vir do esforço interno, e não da expansão externa.

As décadas transcorridas desde a fundação da República Popular da China, em 1949, confirmaram esse caminho. O país não iniciou uma guerra nem tomou um centímetro de território estrangeiro, mas ainda assim cresceu, tornou-se a segunda maior economia do mundo e mantém essa posição há mais de uma década.

Essa posição reflete não apenas a continuidade cultural da nação chinesa, mas também a filosofia fundadora do governante Partido Comunista da China (PCCh).

O desenvolvimento pacífico não é um chavão diplomático. Ele está incorporado na estrutura institucional do país, explicitamente consagrado tanto na Constituição nacional quanto na Constituição do PCCh.

Ao propor, em 2013, a construção de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade, a China transmitiu uma mensagem clara: em uma era marcada por desafios, os inimigos da humanidade não são uns aos outros, mas a guerra, a pobreza, a fome e a injustiça.

Ninguém pode travar essas batalhas sozinho, nem esperar abrir um caminho olhando apenas para os próprios interesses. Em vez disso, o mundo deve unir forças para construir um futuro comum.

Em um nível estrutural mais profundo, as garantias da China para o mundo decorrem do fato de que o país mantém seus vínculos com o mundo mais amplo por meio de redes de comércio e produção.

A China reúne todas as categorias industriais listadas na classificação industrial da ONU. Como maior comerciante mundial de bens e um dos maiores mercados consumidores do mundo, o país mantém comércio amplo com mais de 160 países e regiões.

Essa interdependência é, sem dúvida, uma das salvaguardas mais eficazes da segurança global, já que interesses econômicos mútuos podem ajudar a conter a rivalidade geopolítica.

Espera-se que o próximo 15º Plano Quinquenal leve esse modelo de engajamento global para uma nova etapa. O plano provavelmente fará a China abrir mais suas portas, promover um comércio mais equilibrado e aperfeiçoar a disposição no exterior de suas cadeias industriais e de suprimentos.

Em meio a esses amplos vínculos econômicos, a China manteve uma postura militar defensiva. Seus gastos com defesa seguem modestos em principais indicadores relativos, como participação no PIB, gasto com defesa per capita e gasto com defesa por integrante do pessoal militar.

Por exemplo, os gastos com defesa da China permaneceram consistentemente abaixo de 1,5% do PIB por muitos anos. Em contraste, os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte decidiram elevar esses gastos para 5% do PIB até 2035.

No leste asiático, o gasto com defesa per capita do Japão no ano fiscal de 2025 foi três vezes maior que o da China, enquanto o gasto por integrante do pessoal de defesa superou em mais de duas vezes o nível chinês.

A China adota uma política de não ser a primeira a usar armas nucleares. É o segundo maior financiador das operações de manutenção da paz da ONU e o principal contribuinte de tropas entre os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

O país aspira à paz, mas reconhece que manter a paz exige vigilância.

Há inúmeras formas de defender a paz, sustentar a segurança e dissuadir a guerra, mas a capacidade militar continua sendo o respaldo final. A China é inequívoca na defesa de sua soberania, segurança e interesses de desenvolvimento. Essa determinação jamais deve ser subestimada.

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