
Por Zhou Yongsui
João Pessoa, 10 mar (Xinhua) -- Nos dias 7 e 8 de março, o Consulado-Geral da China em Recife, em parceria com o governo do estado da Paraíba e a Universidade Federal da Paraíba, realizou em João Pessoa a quinta edição do Festival da Cultura Chinesa da Paraíba. Das artes tradicionais à sabedoria da antiguidade, a cultura chinesa deixou de ser um conceito distante para se tornar uma experiência viva, que pode ser tocada e aprendida.
Na cerimônia de abertura do festival, a cônsul-geral da China em Recife, Lan Heping, afirmou que a construção da comunidade de futuro compartilhado entre China e Brasil e o alinhamento entre as estratégias de desenvolvimento dos dois países tiveram um bom começo, estabelecendo um exemplo de solidariedade e cooperação entre os países do Sul Global. Segundo ela, embora China e Brasil estejam geograficamente distantes, ambos são países multiculturais e valorizam profundamente a diversidade e a inclusão culturais. Por isso, o intercâmbio e a cooperação culturais constituem uma parte importante da construção da comunidade de futuro compartilhado entre os dois países. Lan destacou ainda que o festival, como uma das atividades importantes do Ano Cultural China-Brasil, oferece uma plataforma relevante para que a população do Nordeste brasileiro conheça a excelente cultura tradicional chinesa e para aprofundar os intercâmbios culturais e humanos entre os dois países.
O secretário de Estado da Cultura da Paraíba, Pedro Santos, afirmou que o festival aproxima as expressões culturais e os modos de vida dos dois países. Segundo ele, quando as tradições chinesas encontram as da Paraíba, abre-se espaço para a troca de experiências que envolvem cultura, tecnologia e ciência, mas, acima de tudo, respeito mútuo entre as nações. "Eu acho que isso é um grande exercício de como a gente consegue desenvolver colaborativamente e com respeito mútuo", disse.
No palco, as luzes se acendem lentamente e um grupo de jovens bailarinas se posiciona com elegância. As pontas do balé encontram delicadamente os leques chineses que as dançarinas seguram nas mãos. As apresentações, interpretadas por jovens bailarinas brasileiras e inspiradas na estética chinesa, arrancaram aplausos do público.
A diretora do Ballet Jovem da Paraíba, Denilce Regina, contou a Xinhua que, graças a um programa de intercâmbio entre a Universidade Estadual da Paraíba e instituições chinesas, uma das integrantes do grupo teve a oportunidade de estudar dança tradicional na China e depois transmitir o que aprendeu às demais bailarinas.
"No início pensamos em combinar o balé com a dança chinesa, começamos a fazer pesquisa, amadurecer a ideia, e fomos partir para coreografar. Peguei as meninas, inclusive participamos de competições, onde tivemos colocações também. Foi muito bacana que a gente pudesse mostrar o nosso trabalho. Imagina uma dança popular com dança chinesa, seria incrível", disse Regina.
Durante os dois dias de atividades, dezenas de estandes culturais ofereceram, em diferentes horários, experiências de caligrafia, artes marciais, recorte em papel e arqueologia, apresentando de forma concentrada a cultura e a arte tradicionais chinesas. As longas filas diante de cada espaço de experiência demonstraram o entusiasmo do público local, que passou da curiosidade inicial à exploração e à participação ativa.
Na área de caligrafia, Allison seguiu as orientações do professor e escreveu, com pincel sobre papel de arroz, os quatro caracteres chineses. Ele contou que era a primeira vez que entrava em contato com a cultura chinesa e acredita que esse tipo de intercâmbio de experiências, culturas e idiomas pode enriquecer ambas as culturas. "Quando a Universidade Federal da Paraíba abrir um curso de chinês, eu vou me inscrever", disse.
Raica Bernardo, estudante de Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba e voluntária no evento, observou que tanto os chineses quanto os brasileiros valorizam profundamente suas próprias culturas, o que é fundamental para a identidade nacional. "Esse compartilhamento, essa cooperação aconteça porque é o que nos une à cultura, porque mesmo que sejam países diferentes, tem coisas, pequenas coisinhas que podem se entrelaçar e de alguma forma trazer esse sentimento de unidade", afirmou.


