Entrevista: Meta de crescimento de 4,5% a 5% da China serve como “estabilizador global”, diz economista sul-africano-Xinhua

Entrevista: Meta de crescimento de 4,5% a 5% da China serve como “estabilizador global”, diz economista sul-africano

2026-03-08 14:19:40丨portuguese.xinhuanet.com

Robô é exibido na área de exposições da Conferência Global da Internet Industrial 2025 em Shenyang, província de Liaoning, nordeste da China, em 6 de setembro de 2025. (Foto de Pan Yulong/Xinhua)

Em meio a um cenário global complexo marcado pelo crescente protecionismo e pela volatilidade geopolítica, a meta de crescimento econômico da China de 4,5% a 5% para 2026 serve como um estabilizador vital para a economia mundial, disse um economista sul-africano.

Por Zodidi Mhlana

Joanesburgo, 6 mar (Xinhua) -- Em meio a um cenário global complexo, marcado pelo crescente protecionismo e pela volatilidade geopolítica, a meta de crescimento econômico da China de 4,5% a 5% para 2026 serve como um estabilizador vital para a economia mundial, disse um economista sul-africano.

Em entrevista à Xinhua, Tafadzwa Ruzive, pesquisador e economista da Universidade do Estado Livre, disse que o planejamento econômico da China reflete um alto grau de "estabilidade, pragmatismo e viabilidade".

De acordo com dados divulgados pelo governo chinês, o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 5% em 2025 em comparação com o ano anterior. O país asiático apresentou, na quinta-feira, importantes metas de desenvolvimento para o período de 2026 a 2030, juntamente com um relatório de trabalho do governo, submetido ao seu principal órgão legislativo para deliberação.

"A China acredita firmemente no multilateralismo e no livre comércio, atuando como uma âncora em meio a conflitos geopolíticos e volatilidade de mercado", disse Ruzive, observando que a meta de 4,5% a 5% para 2026 não é apenas um número, mas um reflexo da determinação estratégica da China.

Foto aérea tirada por drone em 14 de janeiro de 2026 mostra veículos produzidos internamente para exportação no Porto de Yantai, na província de Shandong, no leste da China. (Foto de Tang Ke/Xinhua)

Ao alinhar setores e recursos para atingir esse objetivo, a China proporciona "segurança interna" que protege seu mercado doméstico, ao mesmo tempo que protege seus parceiros comerciais. "Embora ambiciosa, a meta é pragmática. Ela amplia as capacidades atuais, integrando novos fatores de crescimento", acrescentou ele.

A meta ressalta a confiança da China nas estruturas qualitativas e quantitativas de sua economia, disse Ruzive.

Ele observou que, embora o crescimento quantitativo continue impulsionado pelo desenvolvimento de infraestrutura e pela Iniciativa Cinturão e Rota, o foco está se voltando cada vez mais para fatores qualitativos, como inteligência artificial, energia renovável e inovação tecnológica.

"A importância está em demonstrar a capacidade da China de alinhar o crescimento econômico aos objetivos de desenvolvimento social", disse Ruzive, acrescentando que essa continuidade reflete a força duradoura da abordagem de planejamento quinquenal da China.

Segundo Ruzive, o roteiro claro da China é essencial para estabilizar as expectativas globais, permitindo que os países parceiros alinhem sua própria produção e investimentos. "Por exemplo, países como a África do Sul podem planejar as exportações de commodities como laranjas ou minério de ferro de acordo com esse roteiro", explicou ele. Essa previsibilidade reduz a volatilidade do mercado, ajuda a estabilizar a inflação global e aumenta a confiança empresarial internacional.

Um trabalhador organiza nectarinas no Mercado de Produtos Frescos de Joanesburgo, na África do Sul, em 29 de outubro de 2025. (Foto de Shiraaz Mohamed/Xinhua)

Comentando sobre a ênfase da China em "novas forças produtivas de qualidade", Ruzive disse que a política representa uma "guinada estratégica" que fortalece a infraestrutura atual e, ao mesmo tempo, estabelece novos pilares de crescimento.

"A China combina os motores de crescimento tradicionais com inovação de ponta, como a economia digital e a energia renovável, para aumentar a produtividade", disse ele.

Essa visão, acrescentou ele, incentiva a participação nacional em setores emergentes e garante que a economia permaneça globalmente competitiva.

Foto tirada por drone em 13 de janeiro de 2026 mostra canteiro de obras de uma turbina eólica offshore de 20 megawatts nas águas costeiras da província de Fujian, no sudeste da China. A China é a potência global indiscutível em energia eólica. (Foto de Lin Shanchuan/Xinhua)

Conforme a China prioriza o crescimento impulsionado pela demanda interna, Ruzive acredita que a política de "dupla circulação" oferece imensas oportunidades para o mundo em desenvolvimento. A China tem promovido um padrão de desenvolvimento de "dupla circulação", no qual o mercado interno serve como pilar, enquanto os mercados interno e internacional se reforçam mutuamente. Ao estimular a demanda de sua população de 1,4 bilhão de habitantes, a China cria um mercado resiliente, capaz de absorver choques externos.

"Para outros países, a lição é impulsionar a demanda interna e integrar as populações excluídas à atividade produtiva", disse Ruzive, observando que uma economia chinesa fortalecida proporciona aos parceiros comerciais demanda previsível e maior acesso ao mercado.

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