Rio de Janeiro, 3 mar (Xinhua) -- O ministro da Fazenda brasileiro, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira que o país é "grande e autônomo o suficiente" para se preparar para os potenciais impactos econômicos decorrentes do conflito no Oriente Médio, após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã.
Em entrevista ao programa governamental "Alô Alô Brasil", Haddad disse que a equipe econômica do governo federal está avaliando cuidadosamente os possíveis efeitos da situação internacional sobre a economia brasileira.
"O Brasil é grande e autônomo o suficiente para se preparar. Não dependemos do petróleo. Somos um dos maiores produtores mundiais, principalmente graças às reservas do pré-sal, resultado dos investimentos da Petrobras. Temos reservas internacionais, não temos dívida externa em moeda forte, somos credores internacionais líquidos e temos energia limpa", disse o ministro.
As declarações vêm após o Irã anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz à navegação em resposta aos ataques, uma rota considerada estratégica para o transporte global de petróleo.
Haddad enfatizou que, embora o contexto global seja preocupante, o Brasil possui condições macroeconômicas que fortalecem sua capacidade de reagir a choques externos.
"Humildade é sempre aconselhável. Não se deve superestimar as próprias forças, mas também não se deve subestimá-las. Analisa-se o que se tem e planeja-se para qualquer cenário", afirmou.
O ministro lembrou que o governo já enfrentou situações externas adversas recentemente, como o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros anunciado no ano passado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, bem como eventos climáticos extremos, incluindo as enchentes no estado do Rio Grande do Sul em 2024 e as fortes chuvas registradas este ano em Minas Gerais.
"Quando ocorre um evento externo que está além do controle do país, a equipe econômica desenvolve cenários e se prepara para qualquer um deles. É o que temos feito desde o início", explicou.
No âmbito nacional, Haddad destacou a melhoria do ambiente de negócios, o crescimento econômico médio nos últimos três anos - que, segundo ele, dobrou a média do período anterior - bem como os níveis recordes de empregos e salários totais, além da inflação dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
Em relação à política monetária, o ministro considerou que, por ora, o conflito no Oriente Médio não deve alterar a trajetória de redução das taxas de juros do Banco Central.
"O Banco Central tem um único objetivo, que é a inflação, e um único instrumento, que é a taxa de juros. A inflação do ano passado terminou em 4,3%, dentro da meta estabelecida, enquanto muitos projetavam entre 6% e 7%", ressaltou.
Ele acrescentou que a autoridade monetária deve calibrar cuidadosamente a taxa para evitar tanto pressões inflacionárias quanto efeitos negativos decorrentes de taxas de juros excessivamente altas, como o aumento do endividamento das famílias, custos de financiamento mais elevados para as empresas e o impacto sobre a dívida pública.
"É muito cedo para falar em reverter o ciclo de cortes de juros. Não sabemos como o conflito vai evoluir, mas precisamos observar os dados e agir com prudência", afirmou.
Durante a entrevista, Haddad também destacou o papel do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva no cenário internacional.
Segundo o ministro, Lula é "uma voz respeitada" que defende a paz com responsabilidade e maturidade, em um contexto de crescentes tensões geopolíticas.
"O Brasil é uma voz que se ouve no mundo e, sob a liderança do presidente Lula, tem defendido a reforma das organizações internacionais, especialmente o Conselho de Segurança da ONU", afirmou Haddad, considerando que as instituições que surgiram após a Segunda Guerra Mundial já não respondem plenamente aos desafios contemporâneos.
O ministro concluiu que, diante de um cenário global marcado pela radicalização e pelo aumento das tensões, o Brasil deve se organizar de forma responsável e planejada para preservar a estabilidade econômica e contribuir para a busca de soluções pacíficas.

