Rio de Janeiro, 2 mar (Xinhua) -- As previsões do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos do Brasil em 2026 permaneceram estáveis, com expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,82% e inflação dentro da meta, segundo o Boletim Focus, que reúne estimativas semanais de instituições financeiras sobre os principais indicadores macroeconômicos do país, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central.
No terceiro trimestre de 2025, a economia brasileira cresceu 0,1% em relação ao trimestre anterior, resultado considerado estável pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB consolidado de 2025 será divulgado na terça-feira.
Em 2024, a economia fechou com expansão de 3,4%, marcando o quarto ano consecutivo de crescimento e o melhor resultado desde 2021, quando o crescimento atingiu 4,8%.
Em relação à taxa de câmbio, o mercado prevê que o dólar americano fechará 2026 a 5,42 reais e chegará a 5,50 reais até o final de 2027. Quanto à inflação, a estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), considerado o indicador oficial, permaneceu em 3,91% para 2026, após sete semanas consecutivas de projeções em queda.
A projeção de inflação para 2026 permanece dentro da faixa de tolerância estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que define uma meta de 3%, com uma margem de 1,5 ponto percentual acima ou abaixo, fixando o limite superior em 4,5%. Em janeiro, a inflação registrou uma variação mensal de 0,33%, impulsionada principalmente pelos aumentos nas tarifas de eletricidade e nos preços dos combustíveis. Com esse resultado, o IPCA acumulado em 12 meses atingiu 4,44%.
Para atingir a meta de inflação, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros Selic como seu principal instrumento, atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Essa taxa permanece em seu nível mais alto desde julho de 2006.
De acordo com a ata mais recente, o Copom indicou que poderia iniciar um ciclo de reduções nas taxas de juros em sua reunião de março, desde que a inflação permaneça sob controle e não ocorram surpresas nas perspectivas econômicas. Mesmo assim, a política monetária permanecerá restritiva.
Segundo o Boletim Focus, a previsão para a taxa Selic no final de 2026 caiu de 12,13% para 12% ao ano.
Analistas observam que taxas de juros mais altas encarecem o crédito e tendem a moderar o consumo e o investimento, contribuindo para o controle da inflação, enquanto reduções na taxa Selic podem estimular a atividade econômica, embora com menos pressão sobre os preços.

