Estudo brasileiro alerta para derretimento acelerado das calotas polares e seus impactos globais-Xinhua

Estudo brasileiro alerta para derretimento acelerado das calotas polares e seus impactos globais

2026-03-03 12:41:16丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 2 mar (Xinhua) -- Um estudo brasileiro divulgado nesta segunda-feira alertou para o derretimento acelerado das calotas polares e advertiu que o fenômeno pode intensificar a elevação do nível do mar e agravar os impactos climáticos em diversas regiões do planeta, incluindo áreas costeiras da América do Sul.

A pesquisa, intitulada Planeta em Degelo e divulgada pela rede de divulgação científica do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), indica que, desde 1976, o planeta perdeu 9.179 gigatoneladas de gelo nas regiões polares e geleiras de montanha.

Do total de gelo perdido, 98% derreteu e entrou nos oceanos desde 1990, enquanto 41% dessa perda ocorreu entre 2015 e 2024, demonstrando uma aceleração na taxa de derretimento na última década.

Segundo pesquisadores, o volume de gelo derretido equivale a aproximadamente 9.000 quilômetros cúbicos de água, uma quantidade comparável à vazão do Rio Amazonas no Oceano Atlântico em cerca de 470 dias.

O estudo se baseia em dados do World Glacier Monitoring Service (WGMS) e registros do projeto Carbmet, vinculados ao Proantar. De acordo com o relatório, a maior parte da perda vem da Antártica e da Groenlândia, onde cerca de 8.000 gigatoneladas de gelo foram perdidas desde 2002.

O biólogo Ronaldo Christofoletti, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo e membro da equipe de comunicação científica do Proantar, explicou que o derretimento não é um fenômeno isolado, mas sim parte de um conjunto de mudanças climáticas interconectadas.

O aumento das ondas de calor, das chuvas intensas e dos incêndios florestais está ligado ao mesmo processo de aquecimento global que acelera o derretimento do gelo, afirmou.

O especialista alertou que a transformação do gelo em água contribui diretamente para a elevação do nível do mar, aumentando o risco de inundações, erosão costeira e perda de terras em cidades litorâneas.

Além disso, o influxo maciço de água doce nos oceanos pode alterar a salinidade e afetar as correntes oceânicas responsáveis pela distribuição de calor ao redor do planeta.

Mudanças nessas correntes, especialmente no ambiente antártico, podem modificar padrões climáticos que influenciam até mesmo regiões tropicais do Atlântico Sul.

Embora o Brasil não possua território nas regiões polares, os cientistas enfatizam que o país não está imune às consequências.

Alterações na dinâmica oceânica podem impactar os padrões de chuva, a frequência de eventos extremos e o comportamento das frentes frias na América do Sul.

O estudo também aponta para um aumento na intensidade e frequência de eventos climáticos extremos nas últimas décadas, um fenômeno que os especialistas associam ao aquecimento global e à crescente instabilidade do sistema climático.

Diante desse cenário, os pesquisadores defendem a adoção de políticas públicas voltadas tanto para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa quanto para a adaptação das cidades litorâneas aos novos riscos climáticos.

Eles também enfatizam a importância de expandir a educação ambiental e a cooperação científica internacional para melhorar o monitoramento das regiões polares e compreender com mais precisão os impactos do derretimento do gelo no equilíbrio climático global. 

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