Brasil se prepara para sediar a COP 15 sobre Espécies Migratórias, que deve definir novas medidas globais de conservação-Xinhua

Brasil se prepara para sediar a COP 15 sobre Espécies Migratórias, que deve definir novas medidas globais de conservação

2026-03-03 12:59:15丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 2 mar (Xinhua) -- O Brasil sediará a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS) de 23 a 29 de março, um dos principais fóruns multilaterais para a proteção da biodiversidade em escala global, anunciou hoje o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

O evento será realizado na cidade de Campo Grande, capital do estado de Mato Grosso do Sul (centro-oeste), e contará com a presença de mais de 2.000 representantes de governos, cientistas, organizações internacionais e organizações da sociedade civil.

A COP15, realizada a cada três anos sob os auspícios das Nações Unidas, é o órgão internacional de tomada de decisões de mais alto nível para a definição de políticas, prioridades e financiamento para a conservação de espécies migratórias -- aquelas cuja sobrevivência depende de movimentos periódicos através de fronteiras nacionais ao longo de seus ciclos de vida.

O evento assume particular importância por ocorrer num momento em que a comunidade científica alerta para a deterioração acelerada dos habitats naturais e as crescentes ameaças à vida selvagem. Segundo dados da própria Convenção, cerca de 75% das espécies migratórias enfrentam riscos associados à perda, degradação ou fragmentação de seus habitats, enquanto quase 70% sofrem impactos da superexploração.

Durante a conferência, os 133 países signatários do tratado internacional avaliarão o estado de conservação de aproximadamente 1.189 espécies migratórias registradas em todo o mundo, incluindo aves, mamíferos terrestres e aquáticos, peixes, répteis e insetos. Muitas dessas espécies utilizam o território brasileiro como ponto de parada, área de reprodução ou de alimentação ao longo de suas rotas migratórias.

Sob o tema "Conectando a Natureza para Sustentar a Vida", as discussões se concentrarão na adoção de medidas voltadas não apenas à proteção dos destinos finais desses animais, mas também de seus corredores ecológicos, rotas migratórias e áreas de parada, consideradas essenciais para a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas.

Entre os resultados esperados da reunião estão a revisão das listas de espécies ameaçadas incluídas nos Anexos I e II da Convenção, a aprovação de novas ações coordenadas entre os países para enfrentar ameaças comuns e a definição do orçamento operacional do Secretariado da CMS para os próximos três anos.

Além disso, serão analisadas 17 propostas de emendas aos anexos do tratado, juntamente com 11 relatórios sobre ações conjuntas implementadas nos últimos três anos e 16 novas iniciativas destinadas a fortalecer a cooperação internacional na proteção de espécies que dependem de múltiplos territórios para completar seus ciclos de vida.

Especialistas apontam que esses animais desempenham funções ecológicas fundamentais, como a dispersão de sementes, a polinização de culturas agrícolas e o transporte de nutrientes entre ecossistemas terrestres, marinhos e de água doce, além de contribuírem para o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis, como o ecoturismo.

A Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias foi adotada em 1979 com o objetivo de promover a cooperação internacional para a proteção da fauna silvestre que migra entre diferentes países. O Brasil ratificou o acordo em 2013, e ele entrou em vigor no país em outubro de 2015.

Espera-se que a COP 15 termine com a adoção de compromissos políticos de alto nível e declarações ministeriais que orientarão as políticas globais para a conservação de espécies migratórias nos próximos anos, em um contexto marcado pela crescente pressão sobre a biodiversidade global. 

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