
Menino interage com um dançarino de leão em Lima, Peru, em 21 de fevereiro de 2026. (Foto de Mariana Bazo/Xinhua)
Nos últimos anos, a Festa da Primavera vem ganhando crescente popularidade na América Latina. Países como Suriname e Panamá a declararam feriado oficial.
Por Chen Weihua e Zhang Tuo
Cidade do México, 26 fev (Xinhua) -- Apesar da grande distância, o Ano Novo Chinês, também conhecido como Festa da Primavera, cativou pessoas em toda a América Latina, refletindo vividamente os laços crescentes entre a China e a região.
Em importantes capitais latino-americanas, como Buenos Aires, Santiago e Cidade do México, pontos turísticos foram iluminados de vermelho para marcar a ocasião. Em Buenos Aires, pontos turísticos icônicos como a Ponte da Mulher e o Floralis Generica foram iluminados. Em Santiago, no Chile, uma instalação gigante de lanternas com figuras de pandas da província de Sichuan, no sudoeste da China, iluminou as noites de verão.
Na Cidade do México, decorações do signo do Cavalo, do zodíaco chinês, enfeitaram bairros do centro histórico, enquanto no Brasil, o clima festivo se misturou aos ritmos vibrantes do Carnaval.
No bairro de Puerto Madero, em Buenos Aires, as corridas de barcos-dragão em comemoração ao Ano do Cavalo atraíram grande atenção. Quase 450 remadores de cerca de 30 equipes navegaram pelas águas do Rio da Prata, trazendo uma atividade tradicional chinesa para o centro da cidade.
Essas atividades têm se tornado cada vez mais parte da vida local. "A cada ano aprendemos um pouco mais sobre a cultura chinesa", disse Julieta Esmaiman Strua, uma das competidoras.
Sergio Maximiliano Bracco, capitão de um dos barcos, destacou a essência e o entusiasmo por trás do esporte. "As corridas de barcos-dragão exigem trabalho em equipe. A cultura chinesa nos ensina a unir esforços e remar em direção a um objetivo comum", disse ele.
Nos últimos anos, a Festa da Primavera vem ganhando crescente popularidade na América Latina. Países como Suriname e Panamá a declararam feriado oficial.

Mulher apresenta música tradicional chinesa durante uma comemoração do Ano Novo Chinês em La Plata, Buenos Aires, Argentina, em 21 de fevereiro de 2026. (Foto de Martin Zabala/Xinhua)
No bairro chinês da Cidade do Panamá, Débora Rivera e sua família participaram das comemorações antecipadas. Para ela, o estalo dos fogos de artifício, o ritmo dos tambores, as danças do leão e do dragão e a grande variedade da culinária chinesa se combinaram para criar uma experiência festiva indispensável.
"Embora sejamos panamenhos, o Ano Novo Chinês já virou uma tradição familiar", disse ela durante as comemorações.
"Eu me identifico muito com a cultura chinesa e acredito que essas comemorações ajudam a dissipar as dificuldades do ano que passou e trazem esperança", acrescentou ela.
Em toda a América Latina, costumes como afixar dísticos de primavera, preparar bolinhos de massa (jiaozi), distribuir envelopes vermelhos e praticar Tai Chi ganharam popularidade.
Em Porto Alegre, Brasil, os irmãos Olivia Pedroso e Samuel apresentaram uma dança do leão. Os membros da seleção brasileira juvenil de Wushu treinam em uma escola local fundada por seus pais para promover as artes marciais chinesas.
Samuel disse que o Wushu chinês carrega um forte significado cultural e que sua escola se tornou uma "pequena embaixadora" da cultura chinesa.
Para Milagros Alderete, estudante da Universidade de Buenos Aires, comemorar o Ano Novo Chinês se transformou em um interesse duradouro pela cultura chinesa. Estudando design de moda, ela se inspira na herança têxtil milenar da China. "A China tem uma história esplêndida, e suas roupas tradicionais são uma fonte inesgotável de inspiração", disse ela.
O impacto econômico da Festa da Primavera está se fazendo sentir em todo o Pacífico. Durante a temporada de festas, produtos emblemáticos da América Latina, como cerejas, vinho tinto, carne bovina e café, de países como Chile, Uruguai e Colômbia, tornaram-se presentes populares na China.
De acordo com o Comitê de Cerejas do Chile, o país exportou 113,8 milhões de caixas de cerejas no período de 2025-2026, com 87% destinadas à China, onde a Festa da Primavera marca o pico de vendas.
O exportador chileno de frutas, Patricio Ulloa, disse que compreender o Ano Novo Chinês é essencial para os negócios, observando que o vermelho simboliza prosperidade e riqueza na cultura chinesa.
Conforme que a cooperação entre a China e a América Latina se aprofunda em iniciativas como a Nova Rota da Seda, projetos emblemáticos, incluindo o Porto de Chancay, no Peru, impulsionaram o comércio bilateral.
Em 2025, as exportações do Peru atingiram o recorde de 90,082 bilhões de dólares americanos, um aumento de 21% em relação ao ano anterior. As exportações para a China cresceram mais de 30%, virando um importante motor do crescimento geral.
O Porto de Chancay desempenhou um papel fundamental na facilitação do envio de frutas frescas peruanas, incluindo abacates, mirtilos, frutas cítricas, maçãs e uvas, para consumidores chineses.
"Feliz Ano Novo aos amigos na China e no Peru", disse à Xinhua, Jason Guillen, gerente da Cosco Shipping Ports Chancay Peru. Ele disse que o novo corredor terrestre-marítimo que liga Chancay a Shanghai não só impulsiona o comércio do Peru, como também beneficia outros países da América Latina.


