Rio de Janeiro, 27 fev (Xinhua) -- Desastres climáticos extremos afetaram diretamente 336.656 pessoas no Brasil em 2025 e causaram prejuízos econômicos estimados em 3,9 bilhões de reais (US$ 690 milhões), segundo o último relatório do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O documento, intitulado "Estado do Clima, Extremos Climáticos e Desastres no Brasil", observa que o ano passado foi o terceiro mais quente já registrado no planeta, com temperatura média global 1,47 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais (1850-1900).
De acordo com o relatório, o aquecimento global se manifestou no Brasil como uma sucessão de eventos climáticos extremos, incluindo ondas de calor sem precedentes, secas, incêndios florestais e chuvas torrenciais, que causaram impactos significativos em diversas regiões.
O relatório indica que o verão de 2024-2025 foi o sexto mais quente no Brasil desde 1961 e que, em novembro passado, oito estados sofreram com seca em 100% de seus territórios: Ceará, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins.
Durante 2025, o país vivenciou sete ondas de calor e o mesmo número de ondas de frio, além de uma ampla variedade de desastres hidrometeorológicos associados a padrões climáticos extremos ligados ao aquecimento global.
No total, foram registrados 1.493 eventos hidrológicos, incluindo secas intensas, inundações, transbordamentos, enchentes repentinas, deslizamentos de terra e deslizamentos de lama. Destes, 1.336 foram de pequena magnitude, 146 de média magnitude e 11 de grande magnitude. A região Sudeste foi responsável por 43% de todas as ocorrências, com predominância de inundações e deslizamentos de terra.
O relatório também alerta que 2.095 dos 5.570 municípios do Brasil estão expostos a riscos geo-hidrológicos e devem ser priorizados em ações de gestão e prevenção de desastres.
O estado de Minas Gerais, que neste mês foi novamente afetado por fortes chuvas - como as que aconteceram nos últimos dias na Zona da Mata - aparece como a unidade federal com o maior número de cidades em risco durante períodos chuvosos. Dos seus 853 municípios, 306 são suscetíveis a deslizamentos de terra, inundações e enchentes repentinas, representando uma ameaça potencial para aproximadamente 1,5 milhão de pessoas.
O Cemaden enfatiza que o número de desastres climáticos no Brasil aumentou 222% entre o início da década de 1990 e os três primeiros anos de 2020, e alerta para uma tendência de maior frequência e intensidade de eventos extremos nos próximos anos, incluindo ondas de calor mais intensas e recorrentes.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação destacou que a consolidação desses dados reforça a necessidade de investir em ciência e tecnologia, fortalecer o monitoramento climático contínuo e aprimorar a integração entre a pesquisa científica e a gestão pública para antecipar riscos e reduzir vulnerabilidades diante de um cenário climático cada vez mais complexo.

