Após quatro anos, a paz está mais próxima na crise da Ucrânia?-Xinhua

Após quatro anos, a paz está mais próxima na crise da Ucrânia?

2026-02-27 13:27:34丨portuguese.xinhuanet.com

Homem passa por loja destruída após ataque aéreo perto de uma estação de metrô no distrito de Shevchenkivskyi, em Kiev, Ucrânia, em 21 de julho de 2025. (Xinhua/Li Dongxu)

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a crise na Ucrânia "é uma mancha em nossa consciência coletiva e continua sendo uma ameaça à paz e à segurança regional e internacional".

Beijing, 25 fev (Xinhua) -- Enquanto a crise na Ucrânia completava seu quarto aniversário nesta terça-feira, o conflito continua em um impasse, com crescentes custos humanos e econômicos e pouca esperança imediata de uma paz negociada.

Embora Kiev e Moscou reafirmem sua disposição para o diálogo, a realidade no terreno reflete uma complexa interação entre ajuda militar, manobras diplomáticas e pressão internacional, deixando o futuro do conflito mais fatal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial incerto.

CRESCENTE APELO POR PAZ

À medida que a guerra se prolonga e o número de vítimas humanas e econômicas continua aumentando, os apelos por um cessar-fogo imediato e pela retomada do diálogo diplomático se intensificaram.

Equipes de resgate trabalham em um prédio destruído após ataques russos em Kiev, capital da Ucrânia, em 27 de dezembro de 2025. (Xinhua/Li Dongxu)

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterou na segunda-feira seu apelo por um cessar-fogo imediato, completo e incondicional como primeiro passo para uma paz justa, duradoura e abrangente.

Em um comunicado, o chefe da ONU disse que a crise "é uma mancha em nossa consciência coletiva e continua sendo uma ameaça à paz e à segurança regional e internacional".

Para que a paz seja justa, disse ele, deve estar em conformidade com a Carta da ONU, o direito internacional e as resoluções relevantes da ONU, respeitando a independência, a soberania e a integridade territorial da Ucrânia.

Em uma declaração na terça-feira, os líderes do G7 prometeram apoio contínuo a um processo de paz e a discussões diretas, acrescentando que a Europa tem um papel de liderança a desempenhar nesse processo, juntamente com outros parceiros.

"Reconhecemos que somente a Ucrânia e a Rússia, trabalhando juntas em negociações de boa-fé, podem chegar a um acordo de paz", disseram os líderes.

Quanto à China, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, disse na terça-feira que a posição da China sobre a crise na Ucrânia tem sido consistente e clara, e que o país apoia todos os esforços pela paz.

Observando que uma porta para o diálogo se abriu, com todas as partes mantendo comunicação, ela disse que o diálogo e a negociação continuam sendo o único caminho viável para resolver a questão.

Espera-se que todas as partes aproveitem a oportunidade para chegar a um acordo de paz abrangente, duradouro e vinculativo, disse Mao.

APOIO MILITAR CONTÍNUO

Apesar dos crescentes apelos da comunidade internacional por diálogo e uma solução negociada, os países ocidentais continuaram intensificando a assistência militar à Ucrânia.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa (centro), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen (direita), e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, participam de uma coletiva de imprensa em Bruxelas, Bélgica, em 18 de dezembro de 2025. O Conselho Europeu aprovou, em 19 de dezembro de 2025, um pacote de empréstimo de 90 bilhões de euros (cerca de 105,4 bilhões de dólares americanos) para apoiar as necessidades militares e econômicas da Ucrânia nos próximos dois anos. (Xinhua/Peng Ziyang)

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciou na terça-feira um novo pacote de ajuda para a Ucrânia, incluindo aproximadamente 2 bilhões de dólares canadenses (1,46 bilhão de dólares americanos) em assistência militar e 20 milhões de dólares canadenses (14,6 milhões de dólares) para reconstruir a infraestrutura destruída pelo conflito.

Para atingir os facilitadores financeiros, o Canadá também está impondo novas sanções e reduzindo ainda mais o teto de preço do petróleo bruto russo, disse ele.

Em 19 de fevereiro, a Suécia anunciou um de seus maiores pacotes de apoio militar à Ucrânia, no valor de cerca de 1,4 bilhão de dólares, com a maior parte do financiamento destinada à defesa aérea, capacidades de longo alcance e munição, de acordo com um comunicado do governo.

Além disso, a Suécia doará certos equipamentos de suas forças armadas, incluindo canhões sem recuo com equipamentos auxiliares e munição, além de fornecer fundos para aquisições de reposição e transporte, segundo o comunicado.

Em 12 de fevereiro, o Reino Unido anunciou um novo pacote de meio bilhão de libras (680 milhões de dólares) para apoio urgente à defesa aérea da Ucrânia durante uma reunião de ministros da Defesa da OTAN em Bruxelas.

Segundo o secretário de Defesa britânico, John Healey, 150 milhões de libras (202,83 milhões de dólares) do total serão destinados a interceptores de defesa aérea e 400 milhões de libras (540,88 milhões de dólares) serão usados para mísseis multifuncionais leves.

Além disso, o Reino Unido também fornecerá 1.200 mísseis de defesa aérea adicionais, em conjunto com seus parceiros no consórcio de defesa aérea.

Embora os Estados Unidos não tenham assumido novos compromissos de ajuda em 2025, os países europeus aumentaram significativamente seu apoio e, coletivamente, forneceram mais ajuda do que os Estados Unidos desde o início do conflito, disse o Conselho de Relações Exteriores nesta segunda-feira.

NEGOCIAÇÕES DE PAZ CONTINUARÃO

Com centenas de milhares de soldados de ambos os lados mortos ou feridos no conflito, as duas partes reiteraram recentemente seu compromisso com a paz.

Em seu discurso de terça-feira, que marcou o quarto aniversário do conflito, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky reafirmou a determinação da Ucrânia em buscar uma paz justa e duradoura, defendendo sua soberania.

"É claro que todos queremos que a guerra termine. Mas ninguém permitirá que a Ucrânia acabe. Queremos uma paz forte, digna, duradoura", disse Zelensky. "Preservamos a Ucrânia e faremos tudo para garantir a paz e a justiça".

Em entrevista ao Financial Times na segunda-feira, Zelensky disse que a Rússia e a Ucrânia estavam no "começo do fim" do maior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

"A Ucrânia precisa de um cessar-fogo, ontem, hoje, amanhã", disse ele. "Não precisamos de uma pausa. Precisamos do fim da guerra".

Quanto à Rússia, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse na terça-feira que o país permanece comprometido com a resolução da crise na Ucrânia por meio de esforços políticos e diplomáticos.

"Continuamos os esforços pela paz. Nossa posição é bem conhecida e consistente. Agora, tudo depende das ações de Kiev", disse Peskov, acrescentando que a operação militar especial da Rússia continuará até que seus objetivos sejam alcançados.

Foto tirada em 17 de fevereiro de 2026 mostra momento das negociações trilaterais entre Ucrânia, Estados Unidos e Rússia em Genebra, Suíça. (Foto de Beatrice Devenes/Ministério Federal das Relações Exteriores da Suíça/Divulgação via Xinhua)

Desde o início de 2026, os dois lados, juntamente com os Estados Unidos, realizaram várias rodadas de negociações. A rodada mais recente terminou em Genebra em 18 de fevereiro, sem avanços em questões-chave.

A próxima rodada de negociações poderá ocorrer no final desta semana, segundo uma reportagem da Reuters, citando o chefe de gabinete de Zelensky, Kyrylo Budanov.

Duas rodadas anteriores de negociações trilaterais, realizadas em Abu Dhabi nos dias 23 e 24 de janeiro e 4 e 5 de fevereiro, também não resolveram questões territoriais essenciais.

O que está acontecendo entre os dois adversários e seus aliados é um impasse lento, alimentado pela ambiguidade estratégica, com todos os cenários possíveis para a resolução do conflito ainda indefinidos, informou o jornal francês Le Monde na segunda-feira.

"Ambos estão em chamas, mas a questão é qual deles está se consumindo mais rapidamente. É a mesma corrida um tanto cínica que vem acontecendo desde 2022", disse Élie Tenenbaum, diretor do centro de segurança do Instituto Francês de Relações Internacionais.

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