
Pessoas fazem compras em um mercado chinês em Cabul, Afeganistão, em 20 de janeiro de 2026. (Foto de Saifurahman Safi/Xinhua)
Cabul, 29 jan (Xinhua) -- Todas as manhãs, muito antes do meio-dia, famílias começam a chegar ao recém-inaugurado mercado chinês em Cabul. Sacolas de compras são enchidas rapidamente, crianças percorrem os corredores lotados e o suave ruído dos carrinhos se mistura à conversa dos clientes.
Embora o mercado esteja funcionando há apenas duas semanas, ele já se tornou parte integrante do cotidiano da cidade.
"O número de clientes tem sido sem precedentes", disse Khorshid Habibi, um gerente de vendas de 22 anos do mercado, que ganha 20.000 afeganes por mês e sustenta uma família de 10 pessoas. "As pessoas vêm de todas as partes de Cabul porque os preços são razoáveis e a qualidade é alta".
Ao contrário de muitos mercados tradicionais, o mercado chinês emprega muitas mulheres, criando um ambiente confortável para as famílias, especialmente para as compradoras. "A presença de funcionárias faz com que as famílias se sintam mais à vontade", acrescentou Habibi.
Lá dentro, o ritmo é implacável. As prateleiras são reabastecidas quase tão rápido quanto ficam vazias. Omid, 23 anos, que gerencia o depósito e trabalha das 8h às 22h todos os dias, disse que a alta demanda exige trabalho constante. "Em muitos dias, reabastecemos as prateleiras duas vezes. Os clientes saem satisfeitos e alguns voltam duas ou três vezes".
Uma conta simples, preços acessíveis mais boa qualidade, resultou em clientes fiéis e corredores lotados. "Investimentos podem gerar empregos para jovens", acrescentou Omid. "O Afeganistão tem uma força de trabalho robusta e, com oportunidades, as pessoas não se sentirão forçadas a migrar".
O mercado emprega 25 pessoas, entre homens e mulheres, e foi criado por meio de investimento conjunto de parceiros afegãos e chineses. O gerente financeiro, Rafatullah Qasimi, disse que milhares de pessoas visitam o mercado diariamente. "Os produtos que trouxemos inicialmente já se esgotaram e novos carregamentos chegarão em breve", disse ele.
A cada dia, enquanto famílias saem com sacolas cheias e sorrisos no rosto, a promessa de recuperação econômica se torna um pouco mais real.
Para o diretor do mercado, Rahmat Qasimi, a ideia surgiu há mais de um ano, inspirada por algo difícil de presenciar. "Quando vi meninos e meninas vendendo nas ruas, me senti mal", disse ele. "Fiquei pensando que deveria haver uma maneira melhor".
Após visitar mercados em diversos países, ele gradualmente moldou uma visão: um centro que oferecesse produtos acessíveis, empregos estáveis e uma ponte entre comerciantes afegãos e chineses. Essa visão agora se concretiza no coração de Cabul, movimentada da manhã à noite.
Já estão em andamento os planos para um segundo centro que apoiará os vendedores ambulantes, fornecendo mercadorias a preço de custo, permitindo que eles obtenham uma renda diária e, eventualmente, virem empresários independentes.
Até mesmo os parceiros chineses, inicialmente cautelosos quanto à demanda, ficaram surpresos com a resposta do público. "Os parceiros chineses estavam inicialmente cautelosos, mas ficaram impressionados com a grande quantidade de pessoas", disse Qasimi.
"O Afeganistão, tendo sofrido anos de guerra, precisa urgentemente de reconstrução. Esperamos trazer mais produtos de alta qualidade e acessíveis ao Afeganistão no futuro, e também esperamos que nosso mercado sirva como uma ponte de amizade entre a China e o Afeganistão", disse Ma Haishan, o parceiro chinês do Mercado da China.
Em uma cidade que lentamente retoma seu caminho comercial, o Mercado da China se tornou mais do que um shopping center. É um lugar de movimento, oportunidade e pequenas esperanças que se acumulam como caixas em um armazém, cada uma carregando a promessa de trabalho, dignidade e um futuro econômico mais promissor.

Mulher faz compras em um mercado chinês em Cabul, Afeganistão, em 20 de janeiro de 2026. (Foto de Saifurahman Safi/Xinhua)

