
David Haigh, presidente e CEO da Brand Finance, fala durante entrevista exclusiva à Xinhua na Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial 2026 em Davos, Suíça, em 19 de janeiro de 2026. (Xinhua/Lian Yi)
Davos, Suíça, 20 jan (Xinhua) -- As marcas chinesas estão em uma fase "emocionante" que coincide com a crescente influência do país no soft power, disse um importante líder empresarial em entrevista exclusiva à Xinhua nesta terça-feira.
David Haigh, presidente e CEO da Brand Finance, discursou em Davos, na Suíça, durante o lançamento de dois importantes relatórios da consultoria global de marcas: "Finanças de Marca Global 500 2026" e "Índice Global de Soft Power 2026".
Desde o salto coletivo das marcas comerciais em direção à "inovação e qualidade" até a imagem nacional da China liderando rankings globais em métricas como "facilidade para fazer negócios" e "potencial de crescimento futuro", Haigh acredita que a China está demonstrando uma ascensão de alta qualidade impulsionada pela construção de marcas e pelo fortalecimento do soft power.
Ao longo do último ano, a pesquisa da Brand Finance mostrou que, em relação à maioria dos países desenvolvidos, "as pessoas, em geral, não se sentem confiantes de que estão alcançando o que prometem, que é paz, estabilidade e ajuda econômica".
Nesse contexto, "a China fortaleceu discretamente sua posição... Está se aproximando muito dos Estados Unidos no índice geral", disse ele.
Haigh destacou a abertura da China para o mundo e sua abordagem amigável, mencionando sua política de não interferência nos assuntos de outros países. Ele também apontou o apoio do país aos países em desenvolvimento por meio de ajuda médica, assistência econômica e projetos de infraestrutura.
A pesquisa para o Índice Global de Soft Power 2026 foi baseada na opinião de 150.000 entrevistados em mais de 100 países, abrangendo todos os 193 Estados-membros da ONU. Notavelmente, a China subiu 27 posições em "amizade" e 18 posições em "diversão". Em 19 dos 35 atributos individuais, a China obteve pontuação superior à dos Estados Unidos.
Especificamente, Haigh elogiou o desenvolvimento da indústria do turismo na China, que, segundo ele, possui um imenso potencial. "Se as pessoas visitam seu país, elas o conhecem, o compreendem e gostam das pessoas", disse ele. "Acredito que todos nós estamos confiantes de que é isso que acontecerá com a China".
A construção da "grande marca" de uma nação depende da imagem internacional construída por empresas individuais, disse Haigh, elogiando a transformação estratégica das marcas chinesas.
A China tem se dedicado à construção de marcas internacionais há muitos anos e, portanto, "o reconhecimento das marcas chinesas no mundo está crescendo", observou Haigh.
"Não tenho dúvidas de que, daqui a 20 anos, as pessoas estarão citando acadêmicos chineses sobre como gerenciar marcas", previu ele.
A China honra suas palavras com ações, enfatizou Haigh. "Quando a China decide fazer algo, faz de forma completa", disse ele, citando o exemplo do TikTok, "uma marca com classificação AAA" que está "crescendo muito rapidamente".
Ele citou a ascensão de fabricantes de baterias como a CATL como um dos principais fatores para a posição de liderança da China no cenário global de veículos elétricos, acrescentando que, no setor automotivo, a BYD consolidou sua posição como líder global.
No setor bancário, as marcas europeias e americanas que antes dominavam os rankings "foram ultrapassadas em grande parte pelos bancos chineses", disse Haigh. Enquanto isso, no setor de bebidas alcoólicas, Moutai e Wuliangye são consideradas "as marcas mais fortes do mundo", e no setor de vestuário, a Bosideng está "se posicionando acima da concorrência", segundo Haigh.
De potências industriais à crescente visibilidade da propriedade intelectual cultural, concluiu Haigh, "as marcas chinesas estão se fortalecendo cada vez mais", não mais definidas pelo preço, mas pela inovação e alta qualidade.


