
Foto tirada em 30 de agosto de 2025 mostra vista externa do local principal da Cúpula da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) 2025, em Tianjin, no norte da China. (Xinhua/Sun Fanyue)
Em 2025, o Sul Global desempenhou um papel cada vez mais importante na reformulação da compreensão e da prática globais de justiça e equidade. Sua contribuição não foi para substituir as estruturas existentes, mas para ajudá-las a evoluir a fim de refletir melhor as realidades globais. Conforme o poder econômico e demográfico muda, também muda a legitimidade dos processos de tomada de decisão, que precisam ser mais representativos e inclusivos.
Por Hebah Abbas
Na minha opinião, 2025 não foi um "ponto de virada" repentino ou dramático para o Sul Global, mas sim uma clara inflexão na forma como era percebido e como se percebia. O que vimos foi uma mudança gradual, porém irreversível, de ser visto principalmente como um participante dos sistemas globais para atuar cada vez mais como um agente de transformação.
O que notamos hoje é a crescente sensação de protagonismo. A expansão da escala econômica, o peso demográfico e a experiência institucional do Sul Global estão incentivando maior confiança na articulação de prioridades e no engajamento em debates globais. Essa evolução não se trata de confronto ou substituição, mas de amadurecimento. Em vez de simplesmente correr atrás do prejuízo, muitos países do Sul Global agora estão focados em planejamento de longo prazo, capacitação e resiliência estratégica.
Se houve um ponto de virada, ele aconteceu no alinhamento entre capacidade e voz. Em 2025, o Sul Global pareceu mais consciente de sua importância coletiva e mais deliberado em sua interação com o sistema internacional. Isso se refletiu em sua participação ativa em mediação, diplomacia voltada para o desenvolvimento e esforços de estabilização regional. O que distinguiu esse engajamento foi sua ênfase no diálogo, na cooperação econômica e na capacitação a longo prazo, em vez de condicionalidades políticas.
Para o Oriente Médio, essa evolução foi particularmente relevante. A estabilidade na região estava muito ligada ao desenvolvimento, ao emprego, à infraestrutura e ao acesso a oportunidades. Países do Sul Global, incluindo a China, abordaram cada vez mais o engajamento regional sob essa perspectiva, priorizando a conectividade econômica, a reconstrução e a resiliência institucional, juntamente com a diplomacia.
Em 2025, a crescente influência do Sul Global ficou visível por meio de uma convergência de desenvolvimentos em governança, economia e definição de agendas. Isso incluiu uma presença ampliada em papéis de liderança multilateral, maior coordenação em fóruns internacionais, a evolução de plataformas como o BRICS e uma capacidade crescente de moldar discussões sobre clima, desenvolvimento e reforma institucional.
A escala econômica foi um fator central nessa mudança. O Sul Global se tornou um dos principais motores do crescimento, comércio e investimento globais, com economias da Ásia, Oriente Médio, África e América Latina desempenhando um papel cada vez mais importante na demanda e produção globais. Esse peso econômico está se traduzindo gradualmente em maior confiança e influência no diálogo econômico global.
Igualmente importante é a dimensão qualitativa dessa influência. Os países do Sul Global não apenas contribuem para o crescimento, mas também moldam agendas voltadas para o futuro, sediando importantes plataformas climáticas, investindo em transições energéticas e infraestrutura digital e fortalecendo a cooperação Sul-Sul. O que chama a atenção é a crescente intencionalidade por trás desses esforços, com um alinhamento mais claro entre a expansão econômica e as prioridades de desenvolvimento de longo prazo.
Em conjunto, essas tendências sugerem que a contribuição do Sul Global para o crescimento global não é mais periférica ou episódica. Ela é estrutural, cada vez mais coordenada e está remodelando constantemente os contornos do cenário econômico global.
Em 2025, o Sul Global desempenhou um papel cada vez mais importante na reformulação da compreensão e da prática globais de justiça e equidade. Sua contribuição não foi para substituir as estruturas existentes, mas para ajudá-las a evoluir a fim de refletir melhor as realidades globais. Conforme o poder econômico e demográfico muda, também muda a legitimidade dos processos de tomada de decisão, que precisam ser mais representativos e inclusivos.
O Sul Global traz perspectivas moldadas pela experiência em desenvolvimento, aprendizado institucional e exposição direta a desafios globais, como vulnerabilidade climática, insegurança alimentar e desigualdade social. Essas perspectivas ajudam a fundamentar as discussões globais em realidades práticas e necessidades de longo prazo. Países como a China demonstraram como o investimento sustentado em planejamento, capacitação e desenvolvimento pode se traduzir em estabilidade e progresso, oferecendo uma experiência valiosa que enriquece o diálogo global mais amplo.
A abordagem da China para o planejamento de longo prazo, a conectividade e a construção institucional contribuiu significativamente para a cooperação Sul-Sul, particularmente pela criação de plataformas que incentivam a participação, o diálogo e objetivos de desenvolvimento compartilhados. Iniciativas que se concentram em conectividade e desenvolvimento, quando guiadas pela transparência, inclusão e sustentabilidade, podem ajudar a traduzir a cooperação em capacidade duradoura.
Olhando para o futuro, estou otimista quanto à direção da cooperação entre a China, o Oriente Médio e o Sul Global em geral, não apenas por sua escala, mas também pelos valores que a sustentam cada vez mais. A abordagem da China para o desenvolvimento reflete uma profunda sabedoria enraizada na paciência, disciplina e pensamento de longo prazo. Em um mundo frequentemente movido pela imediatidade, essa ênfase na continuidade, na aprendizagem e na força institucional traz lições importantes.
Conforme a liderança global é mais distribuída, acredito que o crescente envolvimento entre a China e o Oriente Médio tem o potencial de se tornar um modelo ponderado e construtivo de cooperação no Sul Global, que contribui positivamente para uma ordem internacional mais estável, equilibrada e voltada para o futuro.
Nota da edição: Hebah Abbas é presidente do Comitê de Sustentabilidade da Associação de Água do Kuwait e membro do Comitê Executivo do Congresso Mundial de Serviços Públicos de 2026.
As opiniões expressas neste artigo são da autora e não refletem necessariamente as posições da Agência de Notícias Xinhua.


