
O médico tanzaniano Harun Maisara Mahkum (esquerda) é fotografado com He Zhilong, otorrinolaringologista da 35ª equipe médica chinesa em Zanzibar, no Hospital Abdulla Mzee, na Ilha de Pemba, Zanzibar, Tanzânia, em 1º de janeiro de 2026. (Xinhua/Emmanuel Herman)
Desde que ingressou no Hospital Abdulla Mzee, em Zanzibar, na Tanzânia, há oito anos, Mahkum trabalha em estreita colaboração com sucessivas equipes médicas chinesas. Ele aprendeu procedimentos que vão desde amigdalectomias até cirurgias endoscópicas avançadas.
Zanzibar, Tanzânia, 7 jan (Xinhua) -- Harun Maisara Mahkum está mais feliz e confiante do que nunca, depois de ter extraído, de forma independente, uma moeda do esôfago de um menino de dois anos no Hospital Abdulla Mzee, na Ilha de Pemba, em Zanzibar, na Tanzânia.
O procedimento, o primeiro para Mahkum, 30 anos, foi realizado sob a supervisão de He Zhilong, otorrinolaringologista da 35ª equipe médica chinesa em Zanzibar.
Por trás disso, há uma história de coragem, mentoria e colaboração internacional.
Quando o menino foi levado às pressas para o hospital público na noite de 4 de novembro de 2025, mais de 48 horas já haviam se passado desde que ele engoliu uma moeda de 50 xelins, um pouco menor que a tampa de uma garrafa de refrigerante, mas grossa o suficiente para bloquear o estreito esôfago de uma criança.
Com dor e sem conseguir engolir, o menino corria muito risco.
Para Mahkum, o caso não foi apenas um teste de habilidade médica, mas também um momento decisivo em sua carreira.
A ingestão de corpos estranhos em crianças é uma emergência comum, porém perigosa. Moedas, baterias e pequenos brinquedos frequentemente ficam presos no esôfago, onde podem causar complicações graves, disse Mahkum.

He Zhilong (esquerda), otorrinolaringologista da 35ª equipe médica chinesa em Zanzibar, trabalha com o médico tanzaniano Harun Maisara Mahkum, durante uma cirurgia no Hospital Abdulla Mzee, na Ilha de Pemba, Zanzibar, Tanzânia, em 4 de novembro de 2025. (Equipe médica chinesa em Zanzibar/Divulgação via Xinhua)
Na Ilha de Pemba, geralmente esses casos exigiam a transferência dos pacientes para hospitais maiores ou a espera por especialistas visitantes, atrasando o atendimento urgente e aumentando os riscos. Mas naquela noite de novembro, a presença da equipe médica chinesa mudou tudo, acrescentou ele.
"Eu estava nervoso", admitiu Mahkum em entrevista à Xinhua.
"Foi a primeira vez que fiz esse tipo de cirurgia. Mas o Dr. He confiou em mim para liderar. Ele me guiou passo a passo", disse ele. "Aprendi muito naquele momento. Sou profundamente grato pela mentoria dele".
Minutos depois de Mahkum ligar para ele sobre a emergência, He correu para o hospital com seu esofagoscópio e kit cirúrgico.
Juntos, eles prepararam a criança para a anestesia e posicionaram os instrumentos.
O procedimento era delicado, e a pequena anatomia da criança e as bordas ásperas da moeda dificultavam cada movimento.
Sob a orientação do Dr. He, Mahkum finalmente extraiu a moeda, para alívio de todos na sala de cirurgia. Enfermeiras e anestesistas trocaram sorrisos discretos, sabendo que uma vida foi salva.
Para Mahkum, a moeda se tornou mais do que um artefato cirúrgico. Ela reflete o poder transformador da mentoria.
"Esta cirurgia não se era apenas sobre remover uma moeda, mas sobre ganhar confiança, dominar uma habilidade e provar que podemos cuidar de nossos pacientes de forma independente", disse ele. "O Dr. He me ensinou a ter paciência, precisão e confiança nas minhas habilidades".
"Antes da chegada dos médicos chineses, não realizávamos esse tipo de cirurgias sozinhos. Dependíamos de especialistas externos. Agora, posso agir imediatamente em emergências", disse Mahkum.
"Isso nos dá poder e muda a forma como servimos nossa comunidade", acrescentou ele.
A China enviou sua primeira equipe médica para Zanzibar em 1964 e para a Tanzânia continental em 1968. Até o momento, 27 equipes médicas atuaram na Tanzânia continental e 35 em Zanzibar, tratando quase 20 milhões de pacientes e ajudando hospitais locais a suprir suas necessidades técnicas.
A 35ª equipe médica chinesa a chegar a Zanzibar foi enviada em setembro passado, com um total de 24 funcionários. Além de otorrinolaringologistas, a equipe tem especialistas em cirurgia geral, ortopedia, pneumologia, cardiologia, medicina tradicional chinesa, diagnóstico por imagem e em outras áreas.

O médico tanzaniano, Harun Maisara Mahkum (esquerda), abraça He Zhilong, otorrinolaringologista da 35ª equipe médica chinesa em Zanzibar, no Hospital Abdulla Mzee, na Ilha de Pemba, Zanzibar, Tanzânia, em 1º de janeiro de 2026. (Xinhua/Emmanuel Herman)
Desde que ingressou no Hospital Abdulla Mzee, em Zanzibar, na Tanzânia, há oito anos, Mahkum trabalha em estreita colaboração com sucessivas equipes médicas chinesas. Ele aprendeu procedimentos que vão desde amigdalectomias até cirurgias endoscópicas avançadas.
Cada lição aumentou sua confiança, preparando-o para o momento em que salvaria a vida de uma criança com as próprias mãos.
Para He, 45 anos, o sucesso foi igualmente significativo: "Nosso objetivo não é apenas tratar pacientes, mas treinar médicos locais para que realizem procedimentos complexos por conta própria".
"Ao fornecer orientação passo a passo, demonstrações e supervisão, nosso objetivo é construir uma força de trabalho médica sustentável aqui em Zanzibar", acrescentou ele. "Ao capacitar os médicos locais, garantimos que os pacientes sejam tratados com segurança mesmo depois de ir embora".
A mentoria é o pilar da missão médica chinesa. Médicos como He oferecem ensino prático sobre manuseio de instrumentos, protocolos de anestesia, posicionamento do paciente e cuidados pós-operatórios.
Os programas de treinamento estruturados se expandiram para além dos procedimentos esofágicos. Médicos chineses ensinam cirurgia endoscópica nasal, operações laríngeas e outras técnicas de otorrinolaringologia adaptadas às necessidades locais.
Com o tempo, esses programas visam estabelecer uma rede robusta de cirurgiões qualificados, capazes de lidar com diversos casos de forma independente.
Eles ensaiam os procedimentos repetidamente até que os colegas locais se sintam confiantes o suficiente para prosseguir. "Não se trata apenas de cirurgia", disse He. "Trata-se de construir resiliência e independência".
Graças à mentoria de longo prazo das equipes médicas chinesas, os médicos locais agora podem responder melhor às emergências sem sempre esperar por ajuda externa.
Agora as famílias nas ilhas de Pemba e Unguja podem contar com atendimento mais rápido e seguro. A ansiedade diminuiu, os resultados melhoraram e a confiança nos serviços de saúde locais aumento, disseram as autoridades de saúde de Zanzibar.

