
Moradoras pegam água em torneira na Ilha de Pemba, Zanzibar, Tanzânia, em 1º de janeiro de 2026. (Xinhua/Emmanuel Herman)
Por Hua Hongli, Lin Guangyao e Lucas Liganga
Zanzibar, Tanzânia, 2 jan (Xinhua) -- Com um leve giro da torneira, água potável jorra, uma cena que os moradores de Chaani consideravam impossível.
Localizada na Região Norte de Zanzibar, na Ilha de Unguja, Chaani lutou por décadas com fontes de água inseguras. Essa realidade começou a mudar em 2025.
"Por muitos anos, a água foi nosso maior problema", disse Haji Makame Omari, 53 anos, pai de oito filhos e morador de Chaani.
"Buscávamos água nos rios e por causa disso pegávamos esquistossomose. Agora não precisamos mais fazer isso. Nos sentimos seguros", disse ele, atribuindo o sucesso a um projeto de controle da esquistossomose financiado pela China e implementado em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o governo de Zanzibar, na Tanzânia.
Em Chaani, uma das localidades beneficiadas pelo projeto, agora há água potável disponível de manhã, à tarde e à noite, uma mudança simples que transformou o cotidiano e ajudou a conter uma das doenças mais persistentes da região, a esquistossomose.
Ao combinar sistemas de abastecimento de água potável com tratamento da doença, controle de caramujos e educação em saúde, o projeto reduziu significativamente as taxas de infecção e melhorou a qualidade de vida da população.
A esquistossomose, uma doença parasitária transmitida pela água, há muito assola Zanzibar, principalmente as áreas rurais, onde os moradores dependem de rios e poços inseguros, expondo-se à infecção. Mães como Mwanaisha Abdallah, 30 anos, também moradora da vila de Chaani, se lembram das frequentes visitas de seus filhos ao hospital por causa de doenças relacionadas à água.
Para as mulheres, que carregavam grande parte do fardo de buscar água e cuidar das crianças, a mudança foi transformadora. "Antes, era muito esforço", disse Abdallah. "Agora eu simplesmente pego meu balde, caminho um pouco e volto. Posso cultivar vegetais, criar galinhas e lavar roupa com facilidade. Minha família está mais feliz".
Por trás das mudanças visíveis, está um esforço de cooperação que já dura uma década.
Segundo Wang Wei, líder da equipe de cinco especialistas chineses e professor do Instituto de Doenças Parasitárias de Jiangsu, na China, a cooperação foi iniciada após Zanzibar buscar assistência internacional em 2014, quando a prevalência da esquistossomose permanecia alta apesar dos esforços de controle anteriores.
"A experiência da China no controle da esquistossomose já havia se mostrado eficaz e escalável", disse Wang.
"Com base no compromisso mútuo, a China, a OMS e o governo de Zanzibar assinaram um memorando de entendimento, e o projeto foi oficialmente lançado em 2016".
De acordo com os dados do projeto, a Fase I, implementada na Ilha de Pemba de 2017 a 2020, reduziu as taxas de infecção nas áreas de demonstração de 8,92% para 0,64%, atendendo aos padrões da OMS para a eliminação da esquistossomose como problema de saúde pública. A Fase II, iniciada em 2023, expandiu a cobertura para a Ilha de Unguja.
Os resultados têm sido impressionantes. Os levantamentos iniciais mostraram uma taxa de infecção de cerca de 1,23%. Após dois anos e meio, os dados mais recentes indicam uma queda para apenas 0,15%, bem abaixo do limite de 1% estabelecido pela OMS.
Uma inovação fundamental na Fase II foi a construção de sistemas de abastecimento de água potável. Cinco projetos, quatro na Ilha de Pemba e um na Ilha de Unguja, atendem agora cerca de 30.000 pessoas no total.
Somente em Unguja, 18.000 moradores se beneficiam de água potável e acessível, interrompendo a transmissão de doenças na sua origem e reduzindo também outras doenças relacionadas à água, como infecções intestinais e cólera.
"Este é um verdadeiro projeto de subsistência", disse Wang. "Ele não só controla doenças, também melhora o cotidiano".
Rashid Kassim Juma, coordenador do projeto no Ministério da Água, Energia e Minerais de Zanzibar, descreveu a iniciativa como "uma grande ajuda da China".
"Antes, as pessoas buscavam água em lagoas e poços inseguros", disse Juma. "Agora eles têm água potável. Somos muito gratos à China e esperamos ver mais projetos como este".
Além da infraestrutura, o projeto focou na sustentabilidade. Hospitais comunitários e voluntários foram treinados, bases de educação em saúde e escolas demonstrativas foram estabelecidas, e o monitoramento foi gradualmente integrado aos sistemas de informação de saúde de Zanzibar.
O próximo marco está previsto para janeiro de 2026, quando um sistema totalmente digital de vigilância e resposta à esquistossomose entrará em operação. Assim que os casos forem detectados em nível comunitário, os relatórios poderão ser enviados instantaneamente por computador ou celular, desencadeando respostas rápidas e prevenindo surtos.
"Será um dos primeiros sistemas de informação sobre esquistossomose na África", disse Wang. "Ele tem potencial para ser replicado em outros países parceiros da Iniciativa Cinturão e Rota".
De volta a Chaani, o impacto já é visível. Pequenas hortas surgiram ao redor das casas, possibilitadas pelas fontes de água próximas. A pequena praça onde fica a torneira virou um dos locais mais movimentados da vila.
"Somos muito gratos", disse Omari. "Esta água protegeu nossa saúde e mudou nossas vidas".

Morador bebe água potável diretamente de uma torneira pública na vila de Chaani, na Ilha de Unguja, Zanzibar, Tanzânia, em 31 de dezembro de 2025. (Xinhua/Emmanuel Herman)

Especialistas chineses realizam operações de controle de caramujos em um lago na Ilha de Pemba, Zanzibar, Tanzânia, em 1º de janeiro de 2026. (Xinhua/Emmanuel Herman)

Wang Wei, líder da equipe de especialistas chineses, explica prevenção da esquistossomose aos moradores da Ilha de Pemba, Zanzibar, Tanzânia, em 1º de janeiro de 2026. (Xinhua/Emmanuel Herman)

Foto tirada em 1º de janeiro de 2026 mostra instalação de abastecimento de água financiada pela China em uma comunidade na Ilha de Pemba, Zanzibar, Tanzânia. (Xinhua/Emmanuel Herman)

Foto tirada em 1º de janeiro de 2026 mostra água potável enchendo baldes nas torneiras na Ilha de Pemba, Zanzibar, Tanzânia. (Xinhua/Emmanuel Herman)

