
Criança palestina é vista em um prédio destruído no campo de refugiados de Jabalia, no norte da Faixa de Gaza, em 29 de janeiro de 2025. (Foto por Abdul Rahman Salama/Xinhua)
Cairo, 31 dez (Xinhua) -- Após um 2025 instável, o Oriente Médio entra em 2026 oscilando entre a retomada e a recaída, em meio a dinâmicas em constante mudança que determinarão qual caminho prevalecerá. Confira 10 perguntas importantes para acompanhar no próximo ano.
1. O cessar-fogo em Gaza vai durar desta vez?
Mediadores estão pressionando pela segunda fase do cessar-fogo, com o objetivo de estabelecer um Conselho de Paz e uma Força Internacional de Estabilização temporária. No entanto, tensões persistentes ameaçam o progresso: o Hamas resiste ao desarmamento, enquanto Israel exige a completa desmilitarização de Gaza. Além disso, as eleições legislativas israelenses de 2026 e os crescentes desafios da Autoridade Palestina farão com que essas dinâmicas interajam e determinem a trajetória de Gaza em 2026.
2. Israel atacará o Irã novamente?
A guerra entre Israel e Irã em junho marcou uma mudança drástica de um conflito velado para um confronto direto entre os dois arqui-inimigos. Embora o conflito de 12 dias tenha terminado sem desencadear uma guerra mais ampla, os líderes israelenses continuam considerando o programa nuclear iraniano uma ameaça existencial. Enquanto isso, as relações do Irã com a AIEA permanecem tensas. A forma como esses fatores evoluírem em 2026 influenciará fortemente a estabilidade regional e a diplomacia.

Foto tirada em 19 de junho de 2025 mostra cena após ataque a um prédio da emissora estatal iraniana IRIB em Teerã, Irã. (Xinhua)
3. O que acontecerá com esses principais grupos armados?
O Hamas em Gaza e o Hezbollah no Líbano, enfraquecidos por campanhas militares, permanecerão sob pressão israelense. As autoridades sírias continuarão seus esforços para integrar as milícias curdas às estruturas estatais, e a retirada do PKK da Turquia alterará ainda mais a dinâmica curda em toda a região. No Iêmen, os houthis mantêm o controle firme do norte, e suas tensões com Israel permanecem em um ponto crítico. O desarmamento ou reagrupamento desses grupos armados remodelará o equilíbrio de poder na região.
4. Os países pós-guerra podem realmente se reestruturar?
Desde a deposição de Bashar al-Assad no final de 2024, o governo interino da Síria normalizou as relações com os estados árabes, obteve o alívio das sanções e se engajou cautelosamente com os Estados Unidos, embora as disputas com Israel sobre as Colinas de Golã persistam. O Iraque enfrenta uma delicada transição política, enquanto o primeiro-ministro Mohammed Shia' Al-Sudani lida com um parlamento fragmentado e tenta reativar o ímpeto econômico, apesar da dependência do petróleo e das ameaças persistentes das milícias. Os rumos de ambos os países em 2026 testarão se os países pós-conflito conseguem alcançar uma reintegração genuína e estabilidade interna.

Pessoas participam de protesto contra as declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre a desmilitarização do sul da Síria, em frente ao escritório das Nações Unidas em Damasco, Síria, em 25 de fevereiro de 2025. (Foto por Monsef Memari/Xinhua)
5. As nações divididas conseguem escapar do conflito interno?
Apesar dos crescentes esforços de mediação, a sangrenta guerra civil no Sudão não dá sinais de acabar por enquanto, e a crise humanitária atingiu níveis alarmantes. O Iêmen permanece profundamente fragmentado: mesmo os territórios fora do controle dos houthis estão divididos, e o recente aumento das tensões entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos expôs os objetivos conflitantes das facções locais que apoiam. A Líbia continua sendo governada por administrações rivais, mas sua Alta Comissão Nacional de Eleições iniciou os preparativos para a realização de eleições presidenciais e parlamentares em meados de abril de 2026. Em todos esses países, as pessoas comuns anseiam por um rápido retorno à estabilidade e à vida normal.
6. Os Acordos de Abraão podem se expandir ainda mais?
A guerra em Gaza reduziu significativamente as perspectivas de adesão da Arábia Saudita ou da Síria aos Acordos. As elevadas baixas palestinas tornaram a normalização politicamente tóxica, mesmo com os esforços contínuos dos EUA para incentivar a participação. Washington enfrenta agora condições rigorosas: a Arábia Saudita exige um caminho claro para uma solução de dois Estados, enquanto a Síria rejeita a participação devido às Colinas de Golã. Qualquer expansão em 2026 dependerá provavelmente de progressos tangíveis na resolução da questão palestina.
7. A COP31 na Turquia trará resultados significativos?
Após o fracasso da COP30 em garantir compromissos vinculativos sobre a redução do uso de combustíveis fósseis, a COP31 em Antalya, na Turquia, enfrenta expectativas elevadas de ações concretas. Uma questão fundamental é se os Estados Unidos, que não participaram da COP30, retornarão e se comprometerão novamente com os esforços climáticos globais. O sucesso será medido não por promessas, mas por compromissos vinculativos com reduções mensuráveis de emissões.
8. A diversificação econômica dos países do Golfo pode fortalecer a resiliência regional?
Os países do Golfo estão intensificando os esforços para reduzir a dependência do petróleo, se concentrando em turismo, finanças, manufatura, inteligência artificial, energia renovável e hidrogênio verde. Espera-se que o crescimento do setor privado e a integração do comércio global se acelerem em 2026, apoiando economias baseadas no conhecimento. O persistente desemprego juvenil leva os governos a expandir o treinamento profissional, os programas de empreendedorismo e os incentivos ao setor privado. O sucesso desses esforços determinará a estabilidade econômica e social da região a longo prazo.

Expositor apresenta perfumes na exposição "Aroma Arábia" em Manama, Bahrein, em 25 de novembro de 2025. (Xinhua/Chen Junqing)
9. Até que ponto os Estados Unidos podem se afastar do Oriente Médio?
O governo americano prometeu recentemente reorientar o país para o Hemisfério Ocidental e reduzir seus compromissos globais, mas a realidade do Oriente Médio limitará esse afastamento. Mesmo que Washington realmente pretenda se retirar, os conflitos em andamento, as preocupações com a segurança energética, a questão palestina e as tensões entre Israel e Irã impedem que o país simplesmente abandone a região.
10. Até que ponto a cooperação entre a China e os países árabes avançará?
Com o ano de 2026 marcando o 70º aniversário das relações diplomáticas entre a China e os países árabes, a segunda Cúpula China-Estados Árabes, agendada para ocorrer na China, representará mais um marco. Há grandes expectativas de uma cooperação mais frutífera nos setores comercial, econômico, financeiro, tecnológico, cultural e outros, e de um maior progresso na construção de uma comunidade China-Árabe de alto nível, com futuro compartilhado em meio à dinâmica econômica e geopolítica global em constante evolução.

Visitante cumprimenta robô humanoide na 7ª edição da Exposição China-Estados Árabes em Yinchuan, Região Autônoma da Etnia Hui de Ningxia, noroeste da China, em 28 de agosto de 2025. (Xinhua/Zhao Yusi)

