Análise de Notícias: Alemanha encerra 2025 em ampla estagnação, com tarifas dos EUA frustrando esperanças de recuperação-Xinhua

Análise de Notícias: Alemanha encerra 2025 em ampla estagnação, com tarifas dos EUA frustrando esperanças de recuperação

2026-01-01 11:49:40丨portuguese.xinhuanet.com

O Reichstag iluminado em Berlim, Alemanha, em 15 de junho de 2025. (Xinhua/Gu Ziyi)

Analistas dizem que o choque tarifário agravou as fragilidades estruturais da economia alemã, impulsionada pelas exportações, com o setor manufatureiro já sob pressão.

Berlim, 30 dez (Xinhua) -- A economia alemã continua estagnada no final de 2025, após dois anos consecutivos de contração. As esperanças de uma recuperação modesta no início do ano foram frustradas por uma escalada inesperada de tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Os principais institutos econômicos da Alemanha preveem um crescimento de apenas 0,1% para o ano, após repetidas revisões para baixo das projeções, que no outono passado eram de 0,8%. As revisões para baixo seguiram a decisão de Washington de aumentar as tarifas alfandegárias no início de 2025.

Analistas dizem que o choque tarifário agravou as fragilidades estruturais da economia alemã, impulsionada pelas exportações, com o setor manufatureiro já sob pressão. A combinação de demanda externa mais fraca, confiança abalada e pouca eficácia das políticas internas mais uma vez tornou a recuperação inatingível.

Caminhões aguardam entrada no Terminal de Contêineres Tollerort em Hamburgo, Alemanha, em 28 de maio de 2025. (Xinhua/Zhang Fan)

EXPORTAÇÕES SOFREM O PRIMEIRO IMPACTO

As exportações representam mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha e, por décadas, ajudaram a amortecer a economia durante recessões.

Em 2025, no entanto, essa proteção de longa data se dissipou. Com os Estados Unidos entre os principais destinos das exportações alemãs, os exportadores foram duramente atingidos pelas altas tarifas americanas.

As tarifas afetaram setores que sustentam a força das exportações alemãs, liderados pela indústria automotiva. Um relatório publicado na semana passada pelo Instituto Alemão de Economia (IW) mostrou que as exportações de carros e peças automotivas alemãs para os Estados Unidos, a maior categoria de remessas para esse mercado, caíram 13,9% em relação ao ano anterior nos três primeiros trimestres de 2025. As remessas de produtos de engenharia mecânica e químicos, por sua vez, diminuíram cerca de 10%.

As exportações totais da Alemanha para os Estados Unidos caíram 7,8% durante esse período. A economista do IW, Samina Sultan, disse que as altas tarifas americanas sobre carros, aço e alumínio foram um fator decisivo, com a queda nas remessas para o mercado americano, por si só, reduzindo o crescimento das exportações globais da Alemanha em 0,81 ponto percentual neste ano.

Grupos empresariais veem poucos sinais de uma recuperação em curto prazo. A Associação Alemã de Comércio Atacadista e Exterior (BGA) prevê uma queda de 2,5% nas exportações em 2025, abaixo das projeções anteriores. O presidente da BGA, Dirk Jandura, destacou na segunda-feira a vulnerabilidade da Alemanha em meio ao crescente protecionismo, visto que a prosperidade do país está intimamente ligada à abertura do comércio global.

"Olhando para o futuro, as exportações alemãs ainda enfrentam fortes obstáculos", disse Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING, observando que um rápido retorno das exportações como principal motor do crescimento parece improvável, já que a pressão tarifária dos EUA continua.

Visitantes na área de exposição da BMW no Espaço Aberto da IAA Mobility 2025 em Munique, Alemanha, em 11 de setembro de 2025. (Xinhua/Zhang Fan)

EFEITOS SECUNDÁRIOS NA INDÚSTRIA

O setor manufatureiro, que representa aproximadamente um quinto do valor agregado bruto da Alemanha, virou um entrave crescente para a economia.

Economistas têm alertado repetidamente que o setor enfrenta problemas estruturais profundos, desde custos elevados até investimentos fracos. Este ano, choques externos, incluindo as tarifas americanas, agravaram essas dificuldades, levando as empresas a adiarem planos de investimento e a reavaliarem a atratividade da Alemanha como base de produção.

Um relatório conjunto da consultoria Deloitte e da Federação das Indústrias Alemãs (BDI) constatou que cerca de uma em cada cinco empresas manufatureiras alemãs já transferiu a produção para o exterior, um aumento de 8 pontos percentuais nos últimos dois anos. "As políticas tarifárias americanas estão acelerando a realocação da indústria alemã", diz o relatório.

A atividade industrial continuou em contração ao longo de 2025, com o PMI Industrial da Alemanha (HCOB) compilado pela S&P Global mantendo-se abaixo do limite de 50 pontos. A expectativa é de que o índice caia para 47,7 em dezembro, seu menor nível em 10 meses.

A recessão também se reflete nas avaliações do setor. Em seu relatório anual, a BDI disse que a produção industrial alemã deverá encolher 2% este ano, marcando o quarto ano consecutivo de declínio. A base industrial está "em queda livre", disse o presidente da BDI, Peter Leibinger.

Olhando para o futuro, uma pesquisa do Instituto ifo mostrou que mais de uma em cada quatro empresas manufatureiras espera que as condições piorem em 2026, enquanto mais da metade prevê estagnação. "As empresas permanecem muito cautelosas e não há sinais de otimismo", disse Klaus Wohlrabe, chefe de pesquisas do ifo.

Cliente faz compras em um supermercado em Berlim, Alemanha, em 24 de maio de 2024. (Xinhua/Ren Pengfei)

MEDIDAS INTERNAS DEMORAM A GANHAR TRAÇÃO

Com as exportações em declínio e a indústria sob crescente pressão, o Ministério da Economia da Alemanha disse que a recuperação agora precisa ser impulsionada pela demanda interna, e não pelas exportações, citando a incerteza em relação à política comercial dos EUA e um euro mais forte.

No início deste ano, Berlim apresentou um ambicioso pacote fiscal, incluindo um fundo de infraestrutura de 500 bilhões de euros (588 bilhões de dólares americanos) e planos para flexibilizar o freio da dívida para gastos com defesa. O governo também lançou uma iniciativa conjunta de investimentos com grandes empresas, no valor de mais de 100 bilhões de euros.

Economistas inicialmente descreveram o pacote como um "estímulo" para a economia estagnada, mas, com o passar do ano, a incerteza política decorrente das divisões dentro da coalizão governista retardou a implementação das medidas. Após uma melhora constante do início do ano até o verão, o índice de clima empresarial ifo voltou a apresentar cautela a partir de setembro.

Em seu relatório anual ao governo federal, o Conselho Alemão de Especialistas Econômicos alertou que o estímulo fiscal e os grandes fundos de investimento não conseguiram, até o momento, reanimar a economia. O painel argumentou que reformas estruturais mais profundas e inovação seriam necessárias para restaurar a competitividade e a confiança na economia.

Berlim está agora dando maior ênfase ao investimento público e às reformas. O investimento deverá atingir 126,7 bilhões de euros no orçamento federal de 2026.

Institutos de pesquisa agora preveem que a economia crescerá cerca de 0,8% em 2026, dependendo da eficácia da implementação das políticas internas e da evolução da política comercial dos EUA. (1 euro = 1,18 dólar americano)

Fale conosco. Envie dúvidas, críticas ou sugestões para a nossa equipe através dos contatos abaixo:

Telefone: 0086-10-8805-0795

Email: portuguese@xinhuanet.com