Rio de Janeiro, 30 dez (Xinhua) -- A retomada e o fortalecimento das políticas ambientais nos últimos três anos reposicionaram o Brasil no centro das discussões globais sobre meio ambiente e mudanças climáticas, após um período marcado por enfraquecimento institucional, aumento do desmatamento e isolamento internacional.
No início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2023, o Brasil enfrentava taxas recordes de desmatamento, órgãos de fiscalização enfraquecidos, políticas ambientais desmanteladas e acordos comerciais bloqueados, além da paralisia do Fundo Amazônia, considerado até então a maior e mais transparente iniciativa do mundo baseada em resultados para a redução das emissões provenientes do desmatamento e da degradação florestal.
Em resposta a essa situação, o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas liderou um amplo processo de reconstrução institucional. Partindo do princípio de que o desenvolvimento econômico não pode ser dissociado da sustentabilidade, o novo governo redefiniu a preservação ambiental como força motriz do projeto de desenvolvimento nacional, permitindo que o país retomasse a proeminência na agenda climática global.
Nos últimos três anos, o presidente Lula fez da política ambiental e climática uma agenda governamental verdadeiramente transversal, condição essencial para que alcance seu pleno potencial na geração de desenvolvimento econômico e na preservação da vida e dos ecossistemas, afirmou a ministra do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, Marina Silva.
Segundo a ministra, além de restaurar orçamentos e capacidades operacionais, o governo "reabilitou a governança ambiental e reduziu pela metade o desmatamento na Amazônia e em 32,3% no Cerrado", estabelecendo a proteção ambiental e o combate às mudanças climáticas como pilares centrais para um futuro próspero e seguro.
Dados oficiais indicam que o desmatamento na Amazônia caiu 50%, com três anos consecutivos de redução. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, a área desmatada foi de 5.796 quilômetros quadrados, o terceiro menor valor da série histórica iniciada em 1988. No Cerrado, o segundo maior bioma do país, a redução acumulada foi de 32,3%, marcando o segundo ano consecutivo de declínio.
As políticas sociais e ambientais também avançaram de forma integrada. O programa Bolsa Verde foi relançado e, entre 2023 e dezembro de 2025, beneficiou 84 mil famílias com pagamentos trimestrais de 600 reais (US$ 106), alcançando 436 áreas em 113 municípios. Do total de famílias beneficiárias, 62% são chefiadas por mulheres, 90% por pessoas negras de comunidades quilombolas e tradicionais e 2,17% por indígenas.
Na área de transformação ecológica, o governo mobilizou 138,1 bilhões de reais (US$ 24,45 bilhões) por meio de instrumentos como o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre, o Eco Invest, o Fundo do Clima, o Fundo Amazônia e o Fundo Nacional do Meio Ambiente, com o objetivo de promover uma economia de baixo carbono e o desenvolvimento da bioeconomia.
O manejo do fogo foi outra prioridade. Comparado à média do período 2017-2024, o Brasil registrou uma redução de 39,5% em áreas queimadas nos seis biomas do país entre janeiro e novembro de 2025. Na Amazônia, a redução foi de 75,8%, enquanto no Pantanal chegou a 93,3%, segundo dados oficiais.
O fortalecimento institucional incluiu a reestruturação de orçamentos e quadros de pessoal no Ministério do Meio Ambiente, no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Em 2025, ocorreu o maior recrutamento de bombeiros florestais federais da história, juntamente com a aquisição de equipamentos, a reativação de bases operacionais e a expansão de ações de fiscalização em larga escala.
No que diz respeito às questões indígenas, a criação do Ministério dos Povos Indígenas representou um marco, reconhecendo formalmente que a proteção das florestas é inseparável da garantia dos direitos dos povos indígenas. Entre 2023 e 2025, 21 Terras Indígenas receberam declarações oficiais, 20 foram ratificadas e 10 reservas foram criadas.
No cenário internacional, o Brasil reafirmou sua liderança climática ao ser escolhido para sediar a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em novembro na cidade de Belém.
O Fundo Amazônia, por sua vez, foi reativado e atingiu seu maior volume anual desde sua criação em 2008, com quase 2 bilhões de reais (US$ 354 milhões) em projetos aprovados. Entre 2023 e 2025, o fundo aprovou e contratou 3,7 bilhões de reais, equivalente a 56% do volume total apoiado desde sua criação.
Os resultados obtidos refletem uma reversão significativa da trajetória de destruição da vegetação nativa, responsável pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa do país. Segundo o sistema Prodes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Brasil evitou a emissão de 733,9 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente provenientes do desmatamento na Amazônia e no Cerrado desde 2022, volume comparável às emissões combinadas da Espanha e da França naquele ano.
Em dezembro, o governo também aprovou o Plano Climático, que orienta as ações para o enfrentamento das mudanças climáticas até 2035 e estabelece diretrizes para o cumprimento da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) no âmbito do Acordo de Paris.
A meta é reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa entre 59% e 67% em comparação aos níveis de 2005 e caminhar rumo à neutralidade de carbono até 2050.
Para o governo brasileiro, na avaliação do triênio 2023-2025, o país passou de uma espiral de descrédito e destruição ambiental para uma trajetória de reconstrução institucional e liderança internacional. As autoridades ressaltaram, contudo, que o progresso exige consolidação e aceleração para erradicar o desmatamento ilegal, expandir a bioeconomia e garantir que o desenvolvimento e a natureza avancem juntos.

