Maputo, 30 set (Xinhua) -- Moçambique lançou o Mecanismo de Intercâmbio da África Austral, uma plataforma regional que visa promover esforços conjuntos para restaurar paisagens degradadas e fortalecer a resiliência climática em toda a região.
A inauguração na segunda-feira coincidiu com a abertura do terceiro seminário regional do Programa de Impacto em Paisagens Sustentáveis de Terras Áridas, financiado pelo Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF, em inglês).
"O Mecanismo de Intercâmbio Regional que inauguramos hoje em Maputo (capital de Moçambique) visa reforçar a cooperação regional e acelerar a implementação de soluções integradas para restaurar paisagens degradadas", disse Gustavo Djedje, Secretário de Estado da Terra e Ambiente de Moçambique.
"No nosso país, esta realidade assume contornos dramáticos: as províncias do sul, como Gaza e Inhambane, registraram reduções de 20% a 30% na precipitação anual nas últimas décadas, acompanhadas pelo aumento de temperaturas e prolongados períodos de seca que afetam cerca de 2,3 milhões de pessoas apenas nesta região", disse.
Desde 1961, Angola, Zimbábue e Namíbia relataram perdas agrícolas de mais de 40% devido a secas prolongadas, enquanto a produtividade agrícola na região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, em inglês) caiu 34%, uma tendência diretamente relacionada ao aquecimento global, apontou Djedje.
Ele acrescentou que os ecossistemas Miombo e Mopane, um importante patrimônio compartilhado pelo sul da África, regulam o clima e recursos hídricos, possui uma rica biodiversidade e apoiam mais de 300 milhões de pessoas.
Segundo Djedje, desde 2000, o ecossistema Miombo perdeu cerca de 800 mil quilômetros quadrados, uma área maior que o território inteiro de Moçambique. "Esta não é apenas uma estatística ambiental, é sim uma ameaça direta à prosperidade, à saúde e futuras gerações da região", disse.

