
Bintou Keita (frente, à esquerda), principal enviada da ONU na República Democrática do Congo (RDC), que lidera a Missão de Estabilização da Organização das Nações Unidas na RD do Congo (MONUSCO), cumprimenta oficial das forças de paz chinesas no acampamento da companhia de engenharia do contingente chinês nos arredores de Bukavu, capital da província oriental de Kivu do Sul, na RDC, em 9 de abril de 2024. (27º Contingente Chinês de Manutenção da Paz na MONUSCO/Divulgação via Xinhua)
Beijing, 18 set (Xinhua) -- Uma criança africana faz sinal de positivo para a câmera, cercada por uma dúzia de colegas, todos sorrindo para um soldado de quepe azul. Sob seus pés, uma estrada recém-pavimentada se estende à frente, enquanto a bandeira nacional vermelha com cinco estrelas da China está visível na manga do uniforme camuflado do soldado.
A foto captura um momento de celebração após as forças de paz chinesas limparem uma estrada para um campo de refugiados na República Democrática do Congo. Um mural de fotos foi exibido no 12º Fórum Xiangshan de Beijing, em andamento, comemorando os 35 anos de participação da China em operações de manutenção da paz das Nações Unidas (ONU).
Exibidas durante o prestigiado diálogo internacional sobre segurança, de quarta a sexta-feira, as fotos destacaram marcos importantes na história da manutenção da paz do país, ressaltando o compromisso da China em cumprir suas obrigações internacionais e proteger a paz mundial.
As operações de manutenção da paz são uma ferramenta essencial para a ONU manter a paz e a segurança, prestando apoio a países e regiões em transição do conflito para a paz.
"Nos últimos 35 anos, as Forças Armadas chinesas têm cumprido fielmente suas missões de manutenção da paz e se tornado um fator essencial e uma força motriz nas operações de manutenção da paz da ONU", disse Gong Guoxi, vice-diretor do Centro de Assuntos de Manutenção da Paz do Ministério da Defesa da China, durante um briefing sobre as forças armadas chinesas nas operações de manutenção da paz da ONU no fórum.
Oficiais de defesa e acadêmicos de vários países lotaram a sala de briefing, com muitos em pé nos corredores para ouvir a apresentação.
Após o briefing, o acadêmico argentino Francisco Cafiero disse à Xinhua que ficou impressionado com a formação de forças de manutenção da paz apresentada no enorme desfile militar chinês no início deste mês.
"Isso enviou um forte sinal à comunidade internacional de que, para o Exército de Libertação Popular da China (ELP), as operações de manutenção da paz estão entre suas prioridades", disse Cafiero.

Formação chinesa de forças de paz da ONU participa de desfile militar em Beijing, capital da China, em 3 de setembro de 2025. (Xinhua/Wang Jianhua)
Desde a participação inicial nas operações de paz da ONU com cinco observadores militares em 1990, o engajamento da China tem crescido constantemente. Atualmente, mais de 1.800 militares chineses servem em operações de paz da ONU em sete áreas de missão e na sede da ONU, disse Gong.
Além disso, as Forças Armadas chinesas mantêm uma força de paz de prontidão com 8.000 militares, composta por infantaria, engenheiros, unidades médicas e de transporte.
"É a maior e mais diversificada força de paz do mundo", enfatizou Gong. "A China fornece mais forças de paz do que qualquer outro membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e é o segundo maior contribuinte financeiro para as operações de paz da ONU".
Oitenta anos se passaram desde que a ONU emergiu das cinzas da guerra, mas o cenário internacional ainda está cheio de incertezas e turbulências. O sistema da ONU, com o multilateralismo em seu cerne, enfrenta desafios crescentes na governança global.
"A escalada dos conflitos representa ameaças crescentes à paz e à estabilidade globais. É essencial que nações fortes como a China participem de missões de manutenção da paz, demonstrando seu compromisso com a paz", disse Nikolaus Egger, major-general aposentado e presidente da Associação Austríaca de Soldados da Paz.
"Trabalhei com os soldados da paz chineses em Damasco. Eles eram altamente qualificados e bem treinados para a missão", acrescentou Egger.
Como representante dos soldados da paz chineses, bem treinados, Dai Tingyu compartilhou, no briefing, sua experiência como equipe médica na Missão Multidimensional Integrada de Estabilização da ONU no Mali, de 2021 a 2022, que a ONU há muito considera uma das zonas de missão mais perigosas do mundo.
"O pessoal médico chinês responsável pela manutenção da paz deixou uma marca indelével em algumas das regiões mais devastadas pela guerra do mundo, incluindo o Mali", disse Dai, agora oficial médico na divisão de logística do Departamento de Apoio da Sede da ONU.
"No Mali, nossas equipes médicas realizavam regularmente clínicas e patrulhas gratuitas, aventurando-se em aldeias remotas e assentamentos de refugiados, correndo riscos pessoais consideráveis, para fornecer assistência médica muito necessária", disse Dai. "Apesar das condições adversas e muitas vezes perigosas, nosso compromisso com o princípio fundamental de proteger a vida continuou firme".
Ao longo dos 35 anos desde que se juntou às operações de paz da ONU, a China enviou mais de 50.000 soldados da paz para mais de 20 países e regiões, realizando 26 missões da ONU. Um total de 17 militares chineses se sacrificaram em busca da paz mundial.
"Neste vasto mundo, posso ser como uma pequena pena. Mas, mesmo assim, quero que essa pena carregue o desejo da paz", escreveu em seu diário He Zhihong, soldado da paz chinesa que morreu aos 35 anos em serviço enquanto servia em uma missão de paz da ONU no Haiti.
"Hoje, uma nova geração de soldados da paz chineses assumiu o centro do palco no cenário internacional, exalando confiança, profissionalismo e determinação inabalável", disse Ao Yi, professor associado da Universidade de Defesa Nacional do Exército de Libertação Popular (ELP). "Com vigor e dedicação, eles estão levando paz e estabilidade às comunidades necessitadas".


