Pessoas testam veículo na prévia para mídia do Salão do Automóvel de Los Angeles 2024 em Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos, no dia 21 de novembro de 2024. (Foto por Zeng Hui/Xinhua)
"As tarifas anunciadas hoje prejudicarão, em vez de ajudar, a indústria automobilística dos EUA, colocarão em risco muitos empregos americanos e levarão ao esvaziamento da fabricação de automóveis nos Estados Unidos".
Beijing, 27 mar (Xinhua) — O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas abrangentes de 25% sobre automóveis importados e algumas peças automotivas, uma medida que gerou fortes reações de grandes parceiros comerciais e líderes da indústria em todo o mundo.
O anúncio gerou reação imediata de revendedores de automóveis americanos e analistas do setor, que alertam que as tarifas aumentarão significativamente os preços dos carros e prejudicarão os consumidores que já enfrentam custos crescentes.
Cody Lusk, presidente e CEO da Associação Americana Internacional de Concessionárias de Automóveis, emitiu uma declaração alertando que as tarifas sobrecarregarão as famílias americanas.
"Para revendedores de automóveis e seus clientes, que já sofrem com o aumento dos preços de veículos e de peças, além de altas taxas de juros e custos de seguro, essas novas tarifas representam mais um indesejável desafio à acessibilidade", disse Lusk. "As tarifas podem ter um papel importante no equilíbrio das relações comerciais e na garantia da segurança nacional. Mas o aumento das barreiras ao comércio também coloca mais pressão nos bolsos das famílias americanas".
Especialistas do setor também têm essas preocupações. Kenneth Kim, economista sênior da KPMG, estimou em uma nota de pesquisa que os preços de veículos novos podem aumentar em milhares de dólares americanos, com alguns chegando a aumentos de 10.000 dólares ou mais.
John Murphy, vice-presidente sênior da Câmara de Comércio dos EUA, alertou que as tarifas prejudicarão em vez de ajudar a indústria automobilística dos EUA.
"As tarifas anunciadas hoje prejudicarão, em vez de ajudar, a indústria automobilística dos EUA, colocarão em risco muitos empregos americanos e levarão ao esvaziamento da fabricação de automóveis nos Estados Unidos", disse Murphy.
Além dos Estados Unidos, as respostas globais às tarifas foram rápidas e firmes. No Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney condenou a medida, chamando-a de "um ataque direto" aos trabalhadores canadenses. Durante sua campanha eleitoral, Carney prometeu que seu governo buscará possíveis medidas de retaliação.
Anteriormente, Carney havia anunciado um "fundo de resposta estratégica" no valor de 2 bilhões de dólares canadenses (1,4 bilhão de dólares americanos) para reforçar a fabricação doméstica e neutralizar o impacto das tarifas. Ele destacou a necessidade de fortalecer o setor automotivo do Canadá reduzindo a dependência de cadeias de suprimentos transfronteiriças.
As peças automotivas geralmente cruzam a fronteira várias vezes, e os custos adicionais de tarifas e contratarifas rapidamente virariam uma bola de neve. Carney chamou isso de "enorme vulnerabilidade" e prometeu construir uma rede de fabricação "all-in-Canada" (tudo no Canadá, em tradução livre) para fabricar mais peças automotivas domesticamente, limitando a frequência com que elas cruzam a fronteira nas etapas de produção.
Na Europa, a reação foi igualmente crítica. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lamentou muito a decisão dos EUA, enfatizando a importância do comércio transatlântico.
"A indústria automotiva é impulsionadora de inovação, competitividade e empregos de alta qualidade, com cadeias de suprimentos profundamente integradas em ambos os lados do Atlântico", disse von der Leyen em comunicado. Ela acrescentou que as tarifas "são ruins para as empresas, piores para os consumidores" nos Estados Unidos e na UE.
Ela acrescentou que a UE avaliaria as implicações da decisão dos EUA enquanto continuava buscando soluções negociadas.
Foto de drone mostra carros de passeio sendo exportados em porto em Lianyungang, província de Jiangsu, leste da China, no dia 21 de fevereiro de 2025. (Foto por Wang Chun/Xinhua)
A indústria automotiva da Alemanha emitiu uma forte repreensão, com Hildegard Muller, presidente da Associação Alemã da Indústria Automotiva, alertando que as tarifas interromperão as cadeias de suprimentos globais e prejudicarão as relações comerciais.
"Essas tarifas adicionais não afetarão só os fabricantes europeus, mas também terão consequências diretas para a própria economia dos EUA. As consequências dessas medidas ameaçam o crescimento e a prosperidade em ambos os lados do Atlântico", afirmou Muller, pedindo negociações imediatas entre EUA e UE para estabelecer um acordo de comércio justo.
O Reino Unido também levantou preocupações sobre as potenciais consequências. A chanceler britânica do Tesouro, Rachel Reeves, alertou que a escalada das tensões comerciais prejudicará ambas as economias.
"Ninguém se beneficia com as guerras comerciais. Elas acabarão com preços mais altos para os consumidores, aumentando a inflação depois de termos trabalhado duro para controlar a inflação e, ao mesmo tempo, dificultarão a exportação para empresas britânicas", disse Reeves à mídia local na quinta-feira. "Queremos garantir um melhor relacionamento comercial com os Estados Unidos", acrescentou ela, mencionando que novas discussões aconteceriam no final da semana.
Líderes da indústria britânica têm as mesmas preocupações. Mike Hawes, CEO da Sociedade de Fabricantes e Comerciantes de Automóveis, descreveu as tarifas como "decepcionantes" e pediu aos Estados Unidos e ao Reino Unido que buscassem uma resolução construtiva.
"Em vez de impor mais tarifas, devemos buscar maneiras pelas quais oportunidades para fabricantes britânicos e americanos possam ser criadas como parte de um relacionamento mutuamente benéfico, beneficiando consumidores, gerando empregos e crescimento através do Atlântico", disse Hawes, enfatizando a importância de manter fortes laços comerciais.
O Japão, importante fornecedor de automóveis para os Estados Unidos, também está se preparando para repercussões econômicas. De acordo com o Instituto de Pesquisa do Japão, a produção de automóveis no país deve cair 4,3% ao ano devido à redução nas vendas nos EUA, enquanto a produção industrial geral pode cair 0,6% como resultado das tarifas expandidas.
O primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, declarou que o Japão considerará todas as opções para combater o impacto das tarifas.
"Pedimos fortemente aos Estados Unidos que não apliquem a tarifa de 25% ao Japão", disse Ishiba, destacando as contribuições do Japão para a economia dos EUA por meio de investimentos e criação de empregos. Ele também questionou a justiça de colocar uma tarifa uniforme a todos os países.
Conforme a reação global aumenta, as tensões entre os Estados Unidos e seus principais parceiros comerciais se intensificam, aumentando as apostas para futuras negociações comerciais e estabilidade econômica.