Eixo franco-alemão enfraquecido por crises políticas-Xinhua

Eixo franco-alemão enfraquecido por crises políticas

2024-12-16 11:23:43丨portuguese.xinhuanet.com

Presidente francês, Emmanuel Macron, (centro) é fotografado durante cúpula do Conselho Europeu em Bruxelas, Bélgica, no dia 17 de outubro de 2024. (Xinhua/Zhao Dingzhe)

Nos próximos meses, os governos das duas nações serão testados em sua capacidade de enfrentar desafios internos, como uma crise econômica prolongada e aliviar a pressão externa, como a guerra na Ucrânia.

Berlim, 14 dez (Xinhua) -- França e Alemanha, o "motor duplo" da integração europeia, foram recentemente pegos em dilemas políticos significativos, incluindo índices de aprovação em queda para partidos governantes, a dissolução de seus parlamentos nacionais, colapsos de coalizões e mudanças no gabinete.

A turbulência doméstica ocorre em meio a pressões internas e externas, levantando preocupações sobre a estabilidade e a formulação de políticas em ambos os países.

FRANÇA EM DIVISÃO

O presidente francês, Emmanuel Macron, nomeou na sexta-feira Francois Bayrou como novo primeiro-ministro, o quarto nomeado este ano, após um voto de desconfiança na semana passada ter destituído seu antecessor, Michel Barnier.

Agora Bayrou tem a missão de formar um governo e aprovar o projeto de lei do orçamento de 2025 na Assembleia Nacional.

Francois Bayrou (direita, à frente) e primeiro-ministro francês, Michel Barnier, (esquerda, à frente) participam da cerimônia de transferência de poder em Paris, França, no dia 13 de dezembro de 2024. (Foto por Henri Szwarc/Xinhua)

O impasse político da França começou com as eleições do Parlamento Europeu deste verão, que viram uma forte derrota para o partido Renascimento de Macron e uma vitória para o Rally Nacional de extrema direita. Esse revés desencadeou uma crise de confiança, levando Macron a dissolver a Assembleia Nacional e a convocar eleições legislativas.

A coalizão centrista de Macron perdeu a maioria nas eleições legislativas, resultando em um cenário político fragmentado, dividido entre as alianças de esquerda e centristas e os partidos de extrema direita.

Enquanto isso, a França está lutando com um enorme déficit orçamentário que chega a 6,1% do seu PIB, que Bayrou descreveu como "Himalaia".

Um parlamento fragmentado inevitavelmente prejudicará a capacidade de formulação de políticas na administração de Macron, o que pode resultar em um período incerto de caos político.

ELEIÇÕES ANTECIPADAS NA ALEMANHA

A Alemanha, a maior economia da Europa, também está em uma crise política. A coalizão governante do Partido Social-Democrata, do Partido Democrático Livre (PDL) e dos Verdes, que assumiu o poder no final de 2021, se desintegrou em novembro após desentendimentos de longa data em questões como política fiscal.

A demissão do líder do PDL, Christian Lindner, do cargo de ministro das finanças deixou o chanceler Olaf Scholz com um governo minoritário.

Como resultado, o governo enfrentará um voto de confiança na próxima semana na câmara baixa do parlamento, ou Bundestag. Espera-se que Scholz perca o voto de confiança, o que desencadeará a dissolução do parlamento e levará a eleições antecipadas em 60 dias.

Chanceler alemão, Olaf Scholz, chega para reunião informal dos líderes da União Europeia (UE) em Bruxelas, Bélgica, no dia 17 de junho de 2024. (Xinhua/Zhao Dingzhe)

Os principais partidos na Alemanha concordaram em realizar as eleições federais em 23 de fevereiro de 2025. Um novo chanceler será eleito pelo parlamento recém-eleito.

INCERTEZAS IMINENTES

Ambas lutando contra a disfunção administrativa, Alemanha e França também estão promovendo agendas divergentes no nível da UE, o que prejudicou seus papeis como líderes do bloco, disse Wu Huiping, vice-diretora do Centro de Estudos Alemães da Universidade Tongji.

A atual crise econômica da Alemanha, disse Wu, pesa muito na coesão da liderança do país, mas as dificuldades econômicas são difíceis de resolver, pois são motivadas por uma combinação de fatores de curto e longo prazo.

Os desafios de curto prazo incluem o aumento dos preços da energia após o início do conflito Rússia-Ucrânia, enquanto, a longo prazo, a economia da Alemanha tem sido sobrecarregada por altos custos trabalhistas e impostos corporativos.

Muita burocracia, falta de investimento em infraestrutura, altos gastos com assistência social e ajuda substancial à Ucrânia aumentaram as pressões sobre as finanças públicas do país, disse ela.

Nos próximos meses, os governos das duas nações serão testados em sua capacidade de enfrentar desafios internos, como uma crise econômica prolongada e aliviar a pressão externa, como a guerra na Ucrânia.

Como opinou o jornal espanhol El País, a crise política nos dois países está privando a UE de seu tão necessário "motor duplo" e dificultando a capacidade do bloco de responder aos desafios globais.

"Não pode haver uma Europa forte sem uma Alemanha e uma França fortes", afirmou.

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