
Trabalhadores locais caminham pelos viveiros de peixes no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Aquicultura em Kajjansi, distrito de Wakiso, Uganda, no dia 21 de dezembro de 2022. (Foto por Hajarah Nalwadda/Xinhua)
Wakiso, Uganda, 1º jan (Xinhua) -- Em um dia quente de dezembro no distrito de Wakiso, na região central de Uganda, o especialista em agricultura chinês, Chen Taihua, 56 anos, olhando para os tanques de peixes no centro agrícola construído pelos chineses, estava pensando muito em como as lições aprendidas em casa podem ser implementadas na zona rural de Uganda para tirar milhões de pessoas da pobreza.
A brisa do Lago Vitória refrescou o calor do meio-dia e Chen não pôde deixar de falar sobre a grande quantidade de água e terra arável que Uganda tem.
Enquanto alimentava os peixes, Chen disse à Xinhua em uma entrevista recente que a riqueza de Uganda está nisso, e que, se devidamente aproveitada, pode melhorar a subsistência dos ugandenses.
Chen está trilhando um caminho que outros especialistas chineses seguiram no apoio a Uganda, onde mais de 70% da população tira seu sustento da agricultura, segundo dados do Ministério da Agricultura, Indústria Animal e Pescas (MAAIF) do país.
Chen, que faz parte de uma equipe de especialistas em agricultura chinesa e que chegou ao país há cerca de dois meses, faz parte dos tijolos da construção.
A China, por meio de um acordo tripartite com Uganda e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), enviou uma equipe de especialistas ao país do leste africano para compartilhar experiências com pequenos agricultores sobre a forma mais adequada de melhorar a produção usando tecnologias apropriadas. A cooperação está enquadrada no Programa Sul-Sul da FAO-China, que está na terceira fase em Uganda.
A primeira e a segunda fases, de acordo com o MAAIF, facilitaram a transferência de tecnologia e permitiram melhorias na produção e produtividade dos subsetores de lavoura, pecuária e pesca.
Durante as fases, a variedade de arroz híbrido chinês e a de milho-painço chinês foram apresentadas aos agricultores. O arroz rende cerca de 10 toneladas por hectare em comparação com variedades melhoradas e locais que rendem 3,5 e 2,5 toneladas por hectare, respectivamente, de acordo com o MAAIF. A variedade de milho-painço, por sua vez, produz cerca de 5 toneladas por hectare em comparação com as variedades locais e melhoradas de milheto cultivados em Uganda, que produzem 1 e 2,5 toneladas por hectare, respectivamente.
Durante a implementação das duas primeiras fases, um Parque Industrial de Cooperação Agrícola China-Uganda de 220 milhões de dólares americanos foi estabelecido na parte central do país.
Zhang Xiaoqiang, chefe da equipe de agricultura chinesa para a terceira fase, disse que a equipe pretende levar os agricultores locais a olhar para a agricultura de maneira comercial, em vez de subsistência. Zhang disse que os técnicos chineses irão transferir conhecimentos e habilidades para os agricultores por meio de extensionistas agrícolas.
"Na terceira fase, queremos promover o investimento na indústria agrícola, produtos de alta qualidade e trazê-los para o mercado chinês. Também incentivamos mais empresas chinesas a investir em Uganda e trazer toda a sua cadeia de valor", disse Zhang.
Peter Muyimbo, coordenador da terceira fase do lado ugandês, disse que a fase foi concebida para comercializar a produção agrícola com o objetivo de aumentar as exportações para o mercado chinês. Ele disse que durante a fase, especialistas e técnicos chineses irão interagir com os agricultores locais, compartilhando suas experiências e melhores práticas.
"Vamos aumentar a produção de arroz híbrido chinês, milheto-painço, produção de gado onde estamos lidando com a produção de cabras, especialmente a cabra de orelha grande. Também teremos transferência de embriões, especialmente na produção de laticínios, e rações", disse Muyimbo.
Ele disse que durante a implementação da fase, Uganda aprenderá com a China sobre como ela garantiu a soberania alimentar e também acabou com a pobreza extrema. "Gostaríamos fazer o mesmo aprendendo com o povo chinês".

Trabalhador mostra peixes em recipientes dentro da estufa de teste de ração para peixes no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Aquicultura em Kajjansi, distrito de Wakiso, Uganda, no dia 21 de dezembro de 2022. (Foto por Hajarah Nalwadda/Xinhua)

O especialista chinês em agricultura, Chen Taihua (esquerda), conversa com Zhang Xiaoqiang, chefe da equipe agrícola chinesa para a terceira fase no âmbito da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação do Programa Sul-Sul da FAO-China, no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Aquicultura em Kajjansi, distrito de Wakiso, Uganda, no dia 21 de dezembro de 2022. (Foto por Hajarah Nalwadda/Xinhua)

O especialista em agricultura chinês Chen Taihua (esquerda) conversa com Godfrey Kityo, técnico de criação de peixes, no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Aquacultura em Kajjansi, distrito de Wakiso, Uganda, no dia 21 de dezembro de 2022. (Foto por Hajarah Nalwadda/Xinhua)

Godfrey Kityo, técnico de criação de peixes, alimenta peixes em um viveiro no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Aquacultura em Kajjansi, distrito de Wakiso, Uganda, no dia 21 de dezembro de 2022. (Foto por Hajarah Nalwadda/Xinhua)

Foto tirada no dia 21 de dezembro de 2022 mostra viveiros de peixes no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Aquacultura em Kajjansi, distrito de Wakiso, Uganda. (Foto por Hajarah Nalwadda/Xinhua)

Peter Muyimbo, coordenador da terceira fase por parte de Uganda no âmbito do Programa Sul-Sul da China da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), fala à Xinhua no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Aquacultura em Kajjansi, distrito de Wakiso, Uganda, no dia 21 de dezembro de 2022. (Foto por Hajarah Nalwadda/Xinhua)




