Rio de Janeiro, 4 nov (Xinhua) -- O governo do Brasil informou nesta quarta-feira que apresentará seu modelo de resposta do sistema público de saúde diante dos efeitos das mudanças climáticas, baseado em investimentos em infraestrutura e prevenção e atendimento a emergências, na 31ª reunião da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), que será realizada de 9 a 20 de novembro na cidade turca de Antália,
Segundo divulgou o Ministério da Saúde, o titular da pasta, Alexandre Padilha, apresentará as transformações realizadas no Sistema Único de Saúde (SUS) na adaptação de instalações e serviços diante de fenômenos climáticos extremos, com o objetivo de garantir a continuidade do atendimento em saúde e fortalecer a proteção de populações vulneráveis.
"A crise climática é, acima de tudo, uma crise de saúde pública", afirmou Padilha, ressaltando que a saúde é um dos temas com maior capacidade de mobilizar a sociedade em prol das medidas necessárias para mitigar as mudanças climáticas e adaptar os sistemas de saúde.
Entre as principais iniciativas está o programa AdaptaSUS, que prevê investimentos de 9,8 bilhões de reais (US$1,815 bilhão) até 2035. O programa contempla a construção de 2.795 unidades básicas de saúde resilientes, a incorporação de 4.056 ambulâncias ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), a instalação de 783 soluções de acesso à água potável em territórios indígenas e a implantação de 20.800 cisternas nas regiões semiáridas do Nordeste e do Sudeste do país.
O Brasil também apresentará os resultados da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS), criada em 2011 para reforçar o atendimento em saúde durante emergências e desastres. Nos últimos quatro anos, o órgão mobilizou 2.423 profissionais em 104 missões realizadas em 25 estados, totalizando 86.918 atendimentos.
Uma das maiores operações ocorreu no estado do Rio Grande do Sul, após as inundações de 2024, quando 763 profissionais realizaram 29.019 atendimentos. Para descentralizar a resposta, o governo criou cinco novas bases da FN-SUS no Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Porto Velho e Porto Alegre. Antes do final de 2026, está prevista a abertura de outras quatro em Recife, Fortaleza, Campo Grande e Belém.
Outra iniciativa que será apresentada em Antália é a criação dos Centros de Informação em Saúde e Clima, encarregados de monitorar dados sobre a qualidade do ar e da água, variações de temperatura e fenômenos climáticos extremos. As informações permitirão antecipar riscos, identificar vulnerabilidades e preparar os serviços de saúde para responder a diferentes cenários.
No âmbito internacional, o Brasil buscará ampliar a cooperação e o financiamento climático por meio do chamado Grupo de Baku, uma coalizão integrada por países que presidiram as últimas conferências climáticas, incluindo Brasil, Azerbaijão, Egito, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido. Austrália e Turquia também aderiram a essa iniciativa.
O governo brasileiro também promoverá o Plano de Ação de Belém sobre Saúde, lançado durante a COP30 de 2025 para fomentar a adaptação climática e fortalecer atendimentos à saúde de populações vulneráveis. Segundo Padilha, a iniciativa conta atualmente com o apoio de 40 países e 50 organizações, reunindo mais de 60 ações.
No que diz respeito ao financiamento, durante a COP30 foram anunciados US$ 300 milhões para projetos voltados à melhoria do atendimento à saúde das populações. O Brasil espera que a próxima conferência permita apresentar os programas selecionados para receber esses recursos e avançar em novos compromissos de financiamento internacional para adaptar os sistemas nacionais de saúde aos efeitos das mudanças climáticas.

