
Bicicletas da Addis Bike são vistas em uma estação de compartilhamento em Adis Abeba, capital da Etiópia, em 24 de outubro de 2026. (Foto de Michael Tewelde/Xinhua)
Adis Abeba, 31 out (Xinhua) -- De seu escritório em Adis Abeba, capital da Etiópia, Yeabsera Yismashewa monitora a disponibilização de bicicletas ao longo das ciclovias recém-construídas da cidade.
Yismashewa atua como diretor técnico da Addis Bike, a primeira operadora de compartilhamento de bicicletas com sistema de estações do país. Lançada em agosto de 2024 com uma frota de 20 bicicletas mecânicas, a Addis Bike conta agora com 100 unidades, oferecendo o serviço ao longo de rotas selecionadas e ciclovias designadas na cidade.
"Temos observado um número crescente de pessoas utilizando o serviço de compartilhamento de bicicletas na cidade", disse Yismashewa, acrescentando que o conhecimento e o interesse do público pelo serviço estão aumentando de forma surpreendente.
Yismashewa atribui o lançamento do novo serviço de transporte à expansão, liderada pelo governo, da infraestrutura para meios de transporte não motorizados, o que impulsionou a demanda pelo serviço de bicicletas.
"Percebemos que muitos deslocamentos diários na cidade cobrem distâncias relativamente curtas. Ainda assim, as pessoas costumam gastar muito tempo e dinheiro para chegar aos seus destinos. Queremos oferecer uma alternativa de transporte que combine conveniência, tecnologia e respeito ao meio ambiente", disse ele à Xinhua em uma entrevista recente.
O serviço busca solucionar principalmente os desafios de mobilidade enfrentados por funcionários, que muitas vezes encontram dificuldades para conseguir um táxi ou ônibus ao se deslocarem para o trabalho pela manhã, explicou Yismashewa.
Desde o lançamento da frota em 2024, a Addis Bike registrou mais de 35.311 cadastros e 51.720 viagens, com uma duração média de 30 minutos por percurso. Os usuários pagam por minuto; uma viagem de 30 minutos custa 95 birres etíopes (aproximadamente 0,6 dólar americano).

Um homem utiliza uma bicicleta da Addis Bike em Adis Abeba, capital da Etiópia, em 24 de outubro de 2026. (Foto de Michael Tewelde/Xinhua)
No entanto, a empresa aponta que hábitos de deslocamento já consolidados, a falta de conhecimento do público sobre o serviço e a insuficiência de locais para estacionamento e estações de ancoragem ainda representam desafios para o negócio.
Eyoas Girma é um dos muitos estudantes que utilizam frequentemente o serviço de compartilhamento de bicicletas para se deslocar entre sua casa e a escola.
"Ultimamente, tem sido muito difícil conseguir um táxi durante o período da manhã. Prefiro ir de bicicleta para a escola", disse Girma, acrescentando que considera o serviço mais "flexível e econômico".
O modelo operacional da Addis Bike incorpora uma gestão digital da frota, incluindo rastreamento por GPS e um sistema de trava inteligente, o que permite localizar as bicicletas em circulação, verificar seu status e tomar as medidas cabíveis em caso de uso indevido.
Outros moradores compartilham da mesma opinião. "Fico feliz que o serviço de compartilhamento de bicicletas tenha sido lançado na Etiópia. Tenho aproveitado o serviço há seis meses", disse Etsub Getahun. "Uso as bicicletas para me manter saudável e em boa forma".
Desde 2020, o governo da Etiópia, por meio da Administração Municipal de Adis Abeba, tem construído ciclovias e vias para pedestres como parte de um projeto de desenvolvimento de corredores urbanos, visando reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa e promover a mobilidade sustentável.
Nesse contexto, o governo proibiu a importação de veículos movidos a gasolina e diesel em 2024, ao mesmo tempo em que reduziu os impostos sobre veículos elétricos (EVs, na sigla em inglês), uma medida que impulsionou a adoção desses veículos em todo o país. Essa transição também busca garantir a soberania energética, reduzindo os gastos em moeda estrangeira com a importação de combustíveis.

