Entrevista: Regeneração urbana centrada em pessoas na China oferece referências ao mundo, diz diretora da ONU-Habitat-Xinhua

Entrevista: Regeneração urbana centrada em pessoas na China oferece referências ao mundo, diz diretora da ONU-Habitat

2026-11-03 19:56:45丨portuguese.xinhuanet.com

Shanghai, 3 nov (Xinhua) -- A abordagem da China para a regeneração urbana e o desenvolvimento habitacional, centrada nas pessoas, oferece referências valiosas para países em desenvolvimento que passam por uma rápida urbanização, disse à Xinhua Anacláudia Rossbach, diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), em entrevista recente.

"Há muitas práticas na China que estão alinhadas aos princípios da Nova Agenda Urbana", disse Rossbach. Segundo ela, um dos princípios centrais da agenda é planejar as cidades para as pessoas, garantindo que elas "possam aproveitar a cidade, se deslocar e morar em áreas mais bem localizadas".

Rossbach fez as declarações durante a Conferência Global de Cidades dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2026, realizada em Shanghai nos dias 2 e 3 de novembro como parte do Dia Mundial das Cidades. Sob o tema "Transformando a cidade: Moradia adequada para todas as pessoas", o evento discute caminhos para melhorar as condições de moradia e as funções urbanas por meio da renovação das cidades.

Segundo Rossbach, o tema reflete duas grandes pressões globais. "Do ponto de vista social, vivemos uma crise habitacional global", disse ela, observando que cerca de 1 bilhão de pessoas vivem em assentamentos informais em condições precárias, enquanto aproximadamente 3 bilhões, ou cerca de 40% da população mundial, vivem em condições habitacionais inadequadas.

Ao mesmo tempo, a crise climática exige que as cidades cresçam com cautela e reduzam o consumo de solo, explicou. "Precisamos olhar para a cidade que já existe e ver como podemos reaproveitá-la, regenerá-la, para atender às necessidades habitacionais. Mas a ideia é atender a essas necessidades com qualidade, para além dos números."

Na avaliação de Rossbach, a China está seguindo esse caminho. Após atender à demanda habitacional em larga escala, o país passou a dar mais atenção à proximidade entre moradia e serviços, buscando integrar as habitações às comunidades e facilitar o acesso dos moradores a serviços básicos, disse ela.

Rossbach também destacou a combinação de áreas verdes e espaços azuis nas cidades chinesas como "extremamente importante" para enfrentar os impactos climáticos, como as ondas de calor. Segundo ela, rios e lagos são "parte intrínseca da cultura e, na verdade, um elemento antigo das cidades chinesas".

A diretora-executiva elogiou a tecnologia de cidades-esponja aplicada às margens dos rios de Shanghai, observando que países europeus, como a Alemanha, já adotaram essa tecnologia, enquanto a ONU-Habitat vem promovendo sua disseminação na África e na América Latina. "É uma maneira muito interessante de criar espaços públicos e, ao mesmo tempo, proteger as cidades contra inundações", disse.

Ao abordar a construção de comunidades inclusivas para diferentes grupos, Rossbach enfatizou a importância do diálogo. "Para começar, precisamos conversar com essas pessoas", disse. Ela defendeu a participação dos jovens em processos de cocriação, já que serão eles os futuros moradores das cidades, além de políticas habitacionais e espaços públicos que também atendam às necessidades de uma população cada vez mais envelhecida.

O Dia Mundial das Cidades teve origem na Declaração de Shanghai, divulgada durante a Expo Mundial de Shanghai 2010, que promoveu o conceito de "Cidade Melhor, Vida Melhor", e é celebrado anualmente em 31 de outubro. Neste ano, a celebração global foi realizada em Fuzhou, na China, juntamente com a cerimônia de premiação da quarta edição do Prêmio Global de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (Prêmio Shanghai).

Rossbach afirmou que os resultados da cooperação entre a ONU-Habitat, Shanghai e a China, incluindo o Manual de Shanghai, o Índice Adaptado de Shanghai e o Prêmio Shanghai, desempenham um papel muito relevante no compartilhamento de conhecimentos em escala global.

"Nenhuma entidade, seja a ONU-Habitat ou qualquer banco de desenvolvimento, tem capacidade de oferecer assistência técnica para todas as necessidades", disse ela. "Por isso, essa cooperação com Shanghai nos oferece uma plataforma muito sólida para promover o intercâmbio entre pares e ampliar o acesso a conhecimentos especializados e experiência prática."

"Temos grandes expectativas para o futuro dessa cooperação com Shanghai", disse Rossbach, acrescentando que ela ajudará a planejar o período posterior à Agenda 2030 e os próximos dez anos da Nova Agenda Urbana. Fim

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