Líder empresarial alemão defende abordagem pragmática para relações econômicas China-UE-Xinhua

Líder empresarial alemão defende abordagem pragmática para relações econômicas China-UE

2026-10-17 14:45:03丨portuguese.xinhuanet.com

Visitantes no estande da Hongqi na Automechanika em Frankfurt, Alemanha, em 11 de setembro de 2024. (Xinhua/Zhang Fan)

Berlim, 15 out (Xinhua) -- A Alemanha e a União Europeia devem abordar seus próprios desafios econômicos estruturais, em vez de depender principalmente do protecionismo em resposta à crescente concorrência da China, disse um líder empresarial alemão.

À medida que o debate sobre a política em relação à China se intensifica na Europa, Michael Schumann, presidente do Conselho da Associação Federal Alemã para o Desenvolvimento Econômico e o Comércio Exterior, enfatizou a necessidade de distinguir entre as pressões competitivas e as causas subjacentes das dificuldades industriais da Europa.

"A competição chinesa é real. Contudo, não é a principal explicação para as dificuldades estruturais da Europa e da Alemanha", disse ele em entrevista à Xinhua.

A Alemanha e outras economias europeias enfrentam problemas estruturais de longa data, incluindo investimentos insuficientes em infraestrutura, burocracia excessiva, altos custos de energia e mão de obra e dependência excessiva de vantagens tecnológicas que antes eram consideradas garantidas, disse ele, observando que a competição da China expôs algumas dessas fragilidades e acelerou a necessidade de mudança, mas não as criou.

A Europa cometeria um grave erro estratégico se respondesse aos seus desafios de competitividade principalmente por meio do protecionismo, disse Schumann.

O objetivo deve ser reequilibrar os laços econômicos com a China, não rompê-los, disse ele, acrescentando que as preocupações com a reciprocidade, o acesso ao mercado e os desequilíbrios comerciais precisam ser abordadas por meio do diálogo e de consultas.

Um contêiner é içado para um caminhão no armazém da empresa alemã de embalagens e logística EPOLOG, em Hamburgo, Alemanha, em 21 de janeiro de 2019. (Xinhua/Shan Yuqi)

Schumann considera prioritário para a Alemanha restaurar a competitividade industrial, mantendo-se aberta a um dos mercados e centros de inovação mais importantes do mundo.

A política comercial pode dar um fôlego às indústrias, mas não pode substituir a transformação estrutural necessária para fortalecer sua competitividade a longo prazo, disse ele.

"A China se tornou uma concorrente industrial formidável, mas a competição não deve ser confundida com hostilidade", disse Schumann, descrevendo a competição como um potencial motor de inovação e renovação.

Ele argumentou que a competitividade da Europa depende, em última análise, de seus próprios esforços para reduzir os custos de energia, acelerar os procedimentos de planejamento, melhorar a infraestrutura e investir mais em educação e pesquisa. "A China não pode fazer esse trabalho por nós, e as tarifas também não", disse ele.

Apesar dos apelos cada vez mais frequentes à "redução de riscos" no discurso político europeu, as empresas alemãs continuaram investindo na China, evidenciando uma discrepância entre a retórica política e as decisões empresariais, disse Schumann.

Segundo o Instituto Alemão de Economia, as empresas alemãs investiram mais de 7 bilhões de euros (7,8 bilhões de dólares) na China em 2025, o maior valor anual em quatro anos. Uma pesquisa recente da Câmara de Comércio Alemã na China revelou que 61% das empresas alemãs planejam aumentar seus investimentos na China nos próximos dois anos, a maior proporção desde 2023, disse Schumann.

O padrão de investimento também está mudando. As empresas alemãs já estabelecidas na China estão reinvestindo localmente, expandindo suas capacidades de pesquisa e desenvolvimento e localizando suas cadeias de suprimentos sob uma estratégia "na China, para a China". As sedes alemãs estão aprendendo cada vez mais com suas operações na China, refletindo um fluxo mais recíproco de conhecimento e inovação, concluiu Schumann.

Pessoas observam um carro Xiaomi SU7 na área de exposição da Xiaomi na IFA Berlin 2026, em Berlim, Alemanha, em 5 de setembro de 2026. (Xinhua/Zhang Haofu)

Após visitar a China várias vezes em um ano, Schumann disse ter visto pessoalmente o dinamismo da economia chinesa.

Uma visita à fábrica de veículos elétricos da empresa chinesa de tecnologia Xiaomi, em Beijing, o impressionou profundamente. "O nível de automação e a eficiência da produção foram realmente impressionantes", disse ele, acrescentando que a experiência ofereceu uma visão do ritmo e da escala da inovação industrial chinesa.

"O ambiente dinâmico de inovação da China é como uma ‘academia’ para empresas estrangeiras, permitindo que elas testem suas capacidades, se adaptem a novos desenvolvimentos e fortaleçam sua competitividade", disse Schumann. Ele acrescentou que as empresas alemãs estão expandindo sua presença na China não apenas para acessar seu mercado, mas também para se manterem conectadas às redes globais de manufatura e às tecnologias emergentes.

Em vez de encarar a China apenas como uma concorrente, as empresas alemãs deveriam buscar oportunidades para aproveitar suas forças complementares, disse Schumann. O futuro da indústria automotiva alemã dependerá não apenas de sua capacidade de competir com as fabricantes chinesas, mas também da eficácia com que essa indústria se adapta às mudanças tecnológicas que estão remodelando o mercado global.

"Manter uma relação econômica aberta e pragmática com a China é essencial para preservar a base industrial da Alemanha e garantir seu crescimento futuro", disse Schumann, acrescentando que a cooperação entre os dois países poderia ajudar suas empresas a fortalecer a competitividade e a enfrentar a transformação da indústria automotiva global.

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