
Um robô humanoide da China Mobile é visto na área de exposição da Conferência Global de Internet Industrial 2025 em Shenyang, província de Liaoning, no nordeste da China, em 7 de setembro de 2025. (Foto de Wang Yuyan/Xinhua)
Desenvolvedores em toda a África estão recorrendo a modelos de IA chineses de código aberto para criar ferramentas acessíveis que atendam às necessidades locais, abrangendo desde serviços jurídicos e agricultura até educação e seguros. Paralelamente às aplicações tecnológicas, a cooperação entre a China e a África na educação em IA e no desenvolvimento de habilidades está em expansão.
Nairóbi, 15 out (Xinhua) -- Para o empreendedor queniano Sentai Simons, a inteligência artificial (IA) chinesa de código aberto ajudou a transformar uma ideia em um negócio.
Utilizando um modelo de IA chinês, Simons criou o JibuDocs, uma ferramenta que converte registros jurídicos em papel em bancos de dados pesquisáveis. Ele adaptou a ferramenta utilizando cerca de 1 milhão de arquivos jurídicos, com um investimento de aproximadamente 25 mil dólares americanos no desenvolvimento e na manutenção da ferramenta.
O uso de um serviço comercial, como o Claude da Anthropic, teria custado mais de 1 milhão de dólares, segundo Simons. "É, sem dúvida, a diferença entre ter e não ter um negócio", disse ele.
Assim como Simons, desenvolvedores em toda a África estão recorrendo a modelos de IA chineses de código aberto para criar ferramentas acessíveis que atendam às necessidades locais, abrangendo desde serviços jurídicos e agricultura até educação e seguros.
CUSTOS MAIS BAIXOS, SOLUÇÕES LOCAIS
Em Uganda, o especialista em tecnologia Ernest Mwebaze, ex-pesquisador do Google, desenvolveu o Sunflower, um sistema de IA que fornece aos agricultores atualizações meteorológicas e orientações agrícolas em idiomas locais.
Após testar modelos chineses e americanos, Mwebaze escolheu o Qwen, da Alibaba, por considerá-lo mais eficaz no processamento de idiomas de Uganda, mais barato e mais fácil de personalizar com dados locais. O Sunflower agora oferece suporte a mais de 30 idiomas de Uganda, ajudando a superar barreiras linguísticas que, por muito tempo, limitaram o acesso a serviços digitais.
O custo e a flexibilidade também estão impulsionando a adoção entre empresas africanas.
A Curacel, sediada na Nigéria, que oferece processamento de sinistros de seguros e detecção de fraudes com o uso de inteligência artificial, integrou modelos GLM da empresa chinesa Zhipu AI, juntamente com modelos ocidentais.
A empresa constatou que os modelos chineses apresentaram resultados comparáveis a um custo menor em tarefas de alto volume, como programação, extração de dados, classificação e suporte ao cliente.
A tecnologia chinesa também está sendo aplicada em áreas que vão além dos serviços comerciais de IA.
Em julho, a Administração Meteorológica da China entregou ao Djibuti uma versão aprimorada de seu sistema inteligente de alerta precoce, o MAZU. O sistema elevou a resolução das previsões de 9 km para 3 km e fornece previsões para três dias, atualizadas a cada seis horas.
A China planeja expandir o MAZU para 30 países nos próximos cinco anos.

Participantes posam para uma foto na cerimônia de premiação que reconheceu as conquistas de estudantes universitários etíopes nas finais nacionais, regionais e globais da Competição de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) da Huawei 2023/2024. A cerimônia também marcou o lançamento da fase seguinte da competição, referente ao ano acadêmico de 2024/2025, em Adis Abeba, Etiópia, no dia 31 de outubro de 2024. (Xinhua/Habtamu Worku)
DESENVOLVIMENTO DE TALENTOS LOCAIS
Além das aplicações tecnológicas, a cooperação sino-africana na educação em IA e no desenvolvimento de competências está em expansão.
A Huawei diz que seu programa "ICT Academy" estabeleceu parcerias com mais de 250 universidades nigerianas e capacitou mais de 100 mil estudantes e jovens profissionais da Nigéria desde 2018.
A Universidade Normal de Zhejiang também oferece programas de treinamento em IA para estudantes e acadêmicos africanos.
Nas finais globais da 10ª Competição de TIC da Huawei, realizadas em junho, que reuniram mais de 220 mil participantes, uma equipe queniana conquistou o prêmio principal na categoria de computação em nuvem. Equipes da Nigéria, do Egito e da Argélia também obtiveram destaque em outras categorias.
Em agosto, um fórum em Lagos sobre governança de IA centrada no ser humano reuniu instituições chinesas e nigerianas para explorar possibilidades de cooperação.
Liu Hongwu, diretor do Instituto de Estudos Africanos da Universidade Normal de Zhejiang, propôs a tradução de recursos chineses sobre IA para os idiomas hauçá, iorubá, igbo e outras línguas nigerianas, para facilitar o acesso dos jovens à formação técnica.
A barreira linguística continua sendo um desafio significativo. Menos de 1% do conteúdo disponível na internet está em idiomas africanos, segundo Robert Lisinge, diretor da Divisão de Tecnologia, Inovação, Conectividade e Infraestrutura da Comissão Econômica das Nações Unidas para a África.
Lisinge disse que modelos chineses de código aberto vêm ajudando a reduzir custos para universidades e instituições de pesquisa africanas, permitindo que cientistas locais desenvolvam aplicações adaptadas às suas próprias comunidades.
AMPLIAÇÃO DA COOPERAÇÃO EM IA
A crescente adoção de tecnologia chinesa de IA faz parte de um esforço mais amplo, por parte da China e de países africanos, para promover a cooperação digital.
A Estratégia Continental de IA da União Africana identifica a agricultura, a saúde e a educação como áreas prioritárias, ao mesmo tempo que enfatiza a necessidade de conjuntos de dados em línguas africanas.
O Plano de Ação da China de Fortalecimento de Capacidades em IA para o Bem e para Todos promove, de forma semelhante, o desenvolvimento de código aberto e a cooperação tecnológica com países em desenvolvimento.
Em 16 de julho, representantes de 29 países assinaram um acordo em Shanghai para estabelecer a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial. Dez países africanos estavam entre os membros fundadores.
A indústria de IA da China ultrapassou 1,2 trilhão de yuans (176,7 bilhões de dólares) em 2025, um aumento de 40% em relação ao ano anterior, segundo a Academia Chinesa de Tecnologia da Informação e Comunicação. O país contava com mais de 6.600 empresas de IA em junho de 2026.
Lisinge disse que uma cooperação mais estreita com a China em conhecimentos especializados e desenvolvimento de capacidades em IA poderia acelerar a transformação digital e o desenvolvimento econômico da África, ajudando simultaneamente a reduzir a exclusão digital do continente.
Para os desenvolvedores africanos que enfrentam altos custos computacionais, infraestrutura limitada e escassez de dados em idiomas locais, os modelos chineses de código aberto oferecem uma maneira mais acessível de criar ferramentas de IA adaptadas às necessidades locais.










