(Multimídia) Dia Mundial da Alimentação: China e Brasil apostam em cooperação tecnológica para estreitar laços na agricultura-Xinhua

(Multimídia) Dia Mundial da Alimentação: China e Brasil apostam em cooperação tecnológica para estreitar laços na agricultura

2026-10-16 18:25:15丨portuguese.xinhuanet.com
Um visitante conhece um veículo utilitário off-road (UTV) da fabricante chinesa CFMoto durante a 20ª Bahia Farm Show, na cidade de Luís Eduardo Magalhães, no estado da Bahia, Brasil, em 11 de junho de 2026. (Xinhua/Jin Haoyuan)  

   Beijing, 16 out (Xinhua) -- O Brasil forneceu 73% da soja e 59% do milho importados pela China em 2025. Por trás desse comércio bilionário, cresce o interesse dos dois países em tecnologias capazes de elevar a produtividade agrícola e proteger a produção dos riscos climáticos.

   Os números fazem parte de um recente estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e pelo Evergreen Environmental Institute, da China. No Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta sexta-feira sob o tema "Inovar hoje para nutrir o amanhã", a pesquisa chama a atenção para a importância da inovação na segurança das cadeias de abastecimento agrícola.

   Um dos avanços recentes ocorreu em setembro, quando a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) firmou um acordo com quatro instituições chinesas para desenvolver soluções de inteligência artificial, robótica e mecanização voltadas à agricultura familiar. A parceria prevê pesquisas conjuntas, intercâmbio de especialistas e centros-piloto de máquinas inteligentes no Brasil.

   O foco tem uma razão prática. No Brasil, muitas máquinas foram desenvolvidas para grandes monoculturas, com custos elevados e características pouco adequadas às pequenas propriedades. O novo acordo da Embrapa busca desenvolver e adaptar tecnologias às condições locais, inclusive por meio de serviços compartilhados de máquinas agrícolas.

   Em Apodi, no semiárido do Rio Grande do Norte, agricultores já experimentam os resultados de uma parceria anterior com a Universidade Agrícola da China. Desde 2024, o projeto colocou 31 máquinas chinesas em uso e testes na região.

   Segundo a equipe responsável, cerca de mil produtores foram beneficiados, com redução média de 80% no tempo de trabalho. Pesquisadores chineses acompanham as atividades nas propriedades e ajustam os equipamentos aos cultivos locais.

   Na China, a modernização agrícola avança com novas variedades de sementes, drones, inteligência artificial e máquinas inteligentes. Segundo dados divulgados em janeiro pelo Ministério da Agricultura e dos Assuntos Rurais, a China já contava com mais de 300 mil drones agrícolas, enquanto a contribuição do progresso científico e tecnológico para a agricultura superou 64% em 2025.

   Na Amazônia brasileira, porém, cerca de 600 mil agricultores familiares ainda têm acesso limitado a máquinas e tecnologias, segundo André Guimarães, diretor-executivo do IPAM.

   Em entrevista anterior à Xinhua, Guimarães disse que equipamentos chineses voltados à agricultura de pequena escala podem ajudar esses produtores a melhorar suas condições de vida e reduzir a pressão pelo desmatamento. Ele também destacou o potencial das imagens de satélite e da inteligência artificial para aumentar a produção sem ampliar as áreas cultivadas.

   "São ferramentas que podem ajudar o Brasil e a China a encontrarem caminhos para produzir mais usando menos terra", disse Guimarães, acrescentando que "como duas das principais economias do Sul Global, temos a oportunidade de mostrar que produção de alimentos, desenvolvimento e conservação podem avançar juntos."

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