Alívio das sanções dos EUA ao diesel russo provavelmente não reduzirá preços dos combustíveis-Xinhua

Alívio das sanções dos EUA ao diesel russo provavelmente não reduzirá preços dos combustíveis

2026-10-14 11:33:21丨portuguese.xinhuanet.com

Foto tirada em 4 de setembro de 2026 mostra o preço do diesel em um posto de gasolina em Nova York, Estados Unidos. (Xinhua/Zhang Fengguo)

Por Ben Xie

Nova York, 11 out (Xinhua) -- Os Estados Unidos suspenderam temporariamente, na sexta-feira, as sanções à exportação de diesel da Rússia em uma tentativa de amenizar a escassez global de combustíveis e conter a disparada dos preços internos. No entanto, analistas alertam que a oferta limitada e os danos às refinarias russas podem atenuar o impacto da medida.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na sexta-feira que havia fechado um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, durante uma conversa telefônica. No mesmo dia, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA emitiu uma licença geral temporária, autorizando transações de diesel russo até 7 de abril de 2027.

Segundo o cronograma escalonado, a Rússia entregaria 2,25 milhões de barris em outubro, 3,75 milhões em novembro e 7,5 milhões "imediatamente depois", dependendo das condições das refinarias russas. O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, confirmou os volumes.

O preço do diesel nos EUA ficou em média 6,28 dólares americanos por galão na sexta-feira, segundo a Associação Americana de Automóveis (AAA), uma queda em relação ao recorde de 6,53 dólares registrado em 22 de setembro, mas ainda muito acima dos 3,68 dólares de um ano antes e cerca de 70% mais alto do que quando a guerra dos EUA e Israel contra o Irã começou, em 28 de fevereiro.

Uma pesquisa do Pew Research Center divulgada em 8 de outubro revelou que 74% dos americanos estavam "muito preocupados" com os preços da energia, e 84% dos eleitores registrados disseram que a economia era "muito importante" para o seu voto nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro.

Foto tirada em 24 de agosto de 2026 mostra um navio-tanque de petróleo deixando o Porto de Nova York e Nova Jersey, em Nova York, Estados Unidos. (Xinhua/Zhang Fengguo)

No sábado, o governo russo suspendeu parcialmente a proibição de exportação de diesel com efeito imediato, permitindo que 500.000 toneladas chegassem ao mercado global, com Novak dizendo que o abastecimento interno não seria afetado.

No entanto, analistas disseram que o alívio das sanções dos EUA sobre o diesel russo dificilmente ajudará a conter os preços internos do diesel, que oscilam perto de níveis recordes e ameaçam o controle republicano do Congresso nas próximas eleições.

A Agência Internacional de Energia (AIE) disse que o mundo apresenta um déficit de cerca de 1,6 milhão de barris de diesel por dia. Mesmo que todos os 36 milhões de barris prometidos pela Rússia chegassem de uma só vez, eles supririam a lacuna por apenas cerca de três semanas.

Apenas a liberação de outubro equivale a cerca de 10% do que a Rússia exportava em um mês típico antes de ataques de drones ucranianos atingirem suas refinarias, segundo analistas.

"É como reorganizar as cadeiras no convés do Titanic", disse Michael Lynch, da Energy Policy Research Foundation, em declaração citada pelo jornal americano The Seattle Times. O envio de diesel russo para os Estados Unidos significa simplesmente que outros compradores terão de buscar o produto em outros lugares. Na melhor das hipóteses, disse ele, os americanos poderiam ver "uma pequena queda nos preços locais em áreas como a região de Nova York e de Nova Jersey".

"Claramente não é uma solução definitiva, mas sim um fluxo adicional para ajudar um mercado de diesel muito restrito", disse Jim Mitchell, diretor de análise de negociação de petróleo da consultoria Wood Mackenzie, em declaração citada pela Reuters.

"A maior preocupação é a capacidade das refinarias de realizar isso", disse Ryan McKay, estrategista sênior de commodities da TD Securities, um banco de investimento multinacional e provedor de serviços financeiros canadense, em declaração citada pelo jornal americano Business Times.

Foto tirada em 24 de agosto de 2026 mostra uma refinaria de petróleo no Porto de Nova York e Nova Jersey, em Nova York, Estados Unidos. (Xinhua/Zhang Fengguo)

O carregamento de novembro equivale a aproximadamente um dia de consumo dos EUA, observou Chris Kennedy, responsável pela área de diplomacia econômica da Bloomberg Economics. Ele questionou se Moscou conseguirá realizar a entrega, dadas as avarias em refinarias e os obstáculos logísticos e jurídicos, visto que as maiores remessas subsequentes estão explicitamente condicionadas à situação das refinarias russas.

Para piorar a situação, o furacão Isaias, no Golfo do México, interrompeu a produção de cerca de 1,3 milhão de barris de petróleo por dia nos EUA, o que equivale a quase 63% da produção total americana na região do golfo.

O conflito envolvendo o Irã também continua atrapalhando o fluxo pelo Estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% das remessas globais de petróleo e combustíveis antes da guerra.

Como parte de uma liberação acelerada de estoques de emergência da AIE, a Alemanha liberará até 15 milhões de barris de diesel, óleo de aquecimento e petróleo bruto, enquanto a França comprometeu-se a liberar 10 milhões de barris de diesel. Além disso, a Itália diz ter cumprido seu compromisso de liberar 10 milhões de barris.

Os barris russos ajudam a enfrentar a escassez pelo lado da produção, ao passo que a liberação de estoques a aborda pelo lado dos inventários. No entanto, analistas dizem que nenhuma dessas medidas é suficiente, por si só, para reequilibrar o mercado.

Patrick De Haan, chefe de análise de petróleo da GasBuddy, previu que o acordo poderia resultar em uma redução de curto prazo de 10 a 20 centavos no preço do galão de diesel. Contudo, ele ressaltou que seria "difícil alcançar" o objetivo de Trump.

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