China transforma sorgo brasileiro em novo produto de destaque nas exportações agrícolas-Xinhua

China transforma sorgo brasileiro em novo produto de destaque nas exportações agrícolas

2026-10-08 13:26:15丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 7 out (Xinhua) -- A China está transformando o sorgo brasileiro em um dos novos protagonistas do comércio agrícola entre os dois países, com uma demanda que impulsionou as exportações do cereal e está estimulando novas rotas ferroviárias e portuárias para levar a produção brasileira ao mercado asiático.

Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 231.200 toneladas de sorgo, sendo que a China absorveu 196.050 toneladas, cerca de 85% do total, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior. Apenas em agosto, as exportações brasileiras atingiram um recorde mensal de cerca de 196.000 toneladas.

As perspectivas apontam para um salto ainda maior. O Brasil poderá exportar até 2 milhões de toneladas de sorgo este ano, em um mercado no qual a China concentra mais de 80% das importações mundiais.

"Quando a China entra em um mercado, ela é capaz de impulsionar toda uma cadeia", explicou Carolina Antunes, diretora executiva Comercial, de Projetos e Planejamento Estratégico da empresa de logística VLI, que prevê transportar entre 800 mil e 1 milhão de toneladas de sorgo em 2026.

O impacto dessa nova demanda já vai muito além das propriedades agrícolas e está transformando a logística brasileira. Em setembro, foi realizado o primeiro embarque ferroviário de sorgo brasileiro com destino à China através do porto de Tubarão, em Vitória, no Espírito Santo.

Até setembro, a VLI havia transportado mais de 250 mil toneladas de sorgo, incluindo cerca de 160 mil toneladas via Tubarão e 90 mil toneladas pelo porto de Santos. A empresa também incorporou o corredor norte, conectando as regiões produtoras de Matopiba ao porto de Itaqui, no Maranhão.

"Quando vimos que a China teria essa demanda e que o Brasil tinha uma boa janela de embarque, decidimos criar uma solução logística", explicou Antunes.

A expansão do comércio coincide com um momento de forte crescimento da produção brasileira. A safra de sorgo está projetada em cerca de 7,35 milhões de toneladas, 20,4% a mais que a safra anterior, enquanto a área cultivada atingiu aproximadamente 2,17 milhões de hectares.

Goiás lidera a produção nacional, com 34,5% do total, seguido por Minas Gerais, com 28,7%. O cereal ganha atratividade entre os produtores por sua resistência e por exigir menos água e fertilizantes em comparação ao milho -- características especialmente relevantes para ampliar a produção agrícola em diferentes regiões do país.

O crescimento do comércio com a China é, além disso, recente. O Brasil e a China assinaram, em novembro de 2024, o protocolo fitossanitário que abriu formalmente o mercado chinês para o sorgo brasileiro. Em novembro de 2025, os primeiros estabelecimentos brasileiros foram autorizados a realizar exportações.

Desde então, o cereal passou rapidamente de uma posição secundária na pauta exportadora brasileira para se tornar um produto com perspectivas de expansão internacional.

"Vemos com bons olhos o fato de o Brasil estar crescendo neste mercado e de o sorgo brasileiro estar conquistando novos destinos", afirmou Antunes, que também destacou o crescimento das vendas para países africanos.

O fenômeno reflete a crescente diversificação do comércio agroalimentar entre Brasil e China. À relação tradicional baseada em soja, carne, milho e outros produtos agrícolas, soma-se agora um cereal cuja produção brasileira encontra no enorme mercado chinês um novo motor de crescimento.

Para o Brasil, a expansão do sorgo representa uma oportunidade de ampliar a oferta exportadora e aproveitar melhor as regiões agrícolas em expansão.

Para a China, isso significa incorporar um grande produtor agrícola mundial como fornecedor de um cereal estratégico para sua indústria de alimentação animal e para a produção de baijiu (bebida alcoólica destilada tradicional e mais consumida na China, cujo nome significa literalmente "álcool branco" ou "aguardente branca").

A rápida expansão dos embarques demonstra, assim, como a demanda chinesa está gerando novas oportunidades para o campo brasileiro e abrindo um novo capítulo na crescente integração das cadeias agroalimentares de ambos os países. 

Fale conosco. Envie dúvidas, críticas ou sugestões para a nossa equipe através dos contatos abaixo:

Telefone: 0086-10-8805-0795

Email: portuguese@xinhuanet.com