Abrindo novos caminhos, o café de Yunnan leva o aroma chinês pela região Ásia-Pacífico-Xinhua

Abrindo novos caminhos, o café de Yunnan leva o aroma chinês pela região Ásia-Pacífico

2026-10-08 09:37:25丨portuguese.xinhuanet.com

* Yunnan situa-se na extremidade norte do "cinturão do café" global, a zona equatorial entre os Trópicos de Câncer e de Capricórnio. Durante séculos, suas terras altas e onduladas foram conhecidas como o coração da produção de chá da China. Nas últimas duas décadas, investimentos constantes, técnicas agrícolas aprimoradas e um consumo interno em expansão incentivaram uma indústria cafeeira local próspera.

* A inovação transfronteiriça na cultura do café também está ganhando forma na bacia do rio Lancang-Mekong, compartilhada pela China com Mianmar, Laos, Tailândia, Camboja e Vietnã.

* Embora o Sudeste Asiático continue sendo o centro do comércio de café de Yunnan na região Ásia-Pacífico, os grãos estão viajando muito mais longe, chegando até a Nova Zelândia, onde se firmam como uma novidade de nicho, porém notável, no cenário dos cafés especiais.

Kuala Lumpur, 6 de outubro (Xinhua) -- Quando Thomas Ooi provou o café de Yunnan pela primeira vez em Beijing, em 2015, seu sabor peculiar, quase semelhante ao de carne-seca, chamou sua atenção por ser incomum. Na época, poucos no cenário cafeeiro da Malásia estavam de olho nos grãos de Yunnan, uma província chinesa mais conhecida pelo chá.

Uma década depois, tudo mudou. Ooi, fundador da Ghostbird Coffee Roastery em Kuala Lumpur, importou seu primeiro lote de grãos de café especial de Yunnan em 2025, incluiu-os no cardápio de sua cafeteria e viu o estoque se esgotar em apenas dois meses.

Essa crescente popularidade reflete uma mudança regional mais ampla: o café proveniente do sudoeste montanhoso da China ganha espaço além de seu mercado de origem, conquistando novos consumidores em toda a região Ásia-Pacífico e abrindo novas vias para o comércio, o intercâmbio cultural e a apreciação de sabores.

UMA ORIGEM CAFEEIRA EM ASCENSÃO

Yunnan situa-se na extremidade norte do "cinturão do café" global, a zona equatorial entre os Trópicos de Câncer e de Capricórnio. Durante séculos, suas terras altas e onduladas foram conhecidas como o coração da produção de chá da China. Nas últimas duas décadas, investimentos constantes, técnicas agrícolas aprimoradas e um consumo interno em expansão incentivaram uma indústria cafeeira local próspera.

A indústria cafeeira de Yunnan abrange seis zonas de cultivo principais: Pu'er, Baoshan, Lincang, Dehong, Xishuangbanna e Nujiang, cada uma com características próprias favoráveis à produção de cafés especiais. Nos primeiros oito meses de 2026, a província exportou 11.000 toneladas de café, totalizando 450 milhões de yuans (67 milhões de dólares americanos).

"Acho Yunnan muito interessante, não apenas pelas variedades de café em si. Considero os produtores de Yunnan muito inovadores", disse Ooi, ao compartilhar seus planos de visitar as fazendas de café da região ao final da safra deste ano, acompanhado por outros colegas torrefadores ansiosos para conhecer as plantações pessoalmente.

Thomas Ooi, fundador da Ghostbird Coffee Roastery, demonstra o preparo de café pelo método pour-over em Kuala Lumpur, Malásia, em 29 de setembro de 2026. (Foto de Chong Voon Chung/Xinhua)

A Malásia está entre os principais destinos asiáticos de exportação do café de Yunnan. Segundo a associação de comércio internacional da província, o café de Yunnan foi exportado para 43 países e regiões em 2025, com países europeus e asiáticos entre os principais destinos dos embarques. Dentro da Ásia, o Vietnã e a Malásia destacam-se como os dois maiores mercados.

BLENDS TRANSFRONTEIRIÇOS

Para Pham Duy Anh, especialista em café de Hanói, os grãos de Yunnan estão conquistando gradualmente os consumidores vietnamitas, com um número crescente de cafeterias de especialidade e torrefações passando a oferecê-los.

Segundo ele, o atrativo está na melhora da qualidade a cada safra e na variedade de métodos de processamento, que atendem aos consumidores vietnamitas em busca de novos sabores.

"Métodos de processamento variados, como lavado, natural, honey e anaeróbico, impediram que os grãos ficassem restritos a um único perfil de sabor, proporcionando aos consumidores notas que remetem a vinho suave, uva-passa, goiaba, chá e melancia", disse Anh, apontando isso como uma vantagem em um mercado que valoriza a diversidade e a personalização na experiência de consumo de café.

Uma funcionária prepara café utilizando grãos de Yunnan em uma cafeteria em Hanói, Vietnã, em 2 de outubro de 2026. (Xinhua/Liu Ying)

Os laços comerciais entre Yunnan e o Vietnã se expandiram para além da simples troca de produtos, criando um ambiente que impulsionou o crescente comércio de café entre as duas partes. Iniciativas conjuntas, incluindo o festival de café China-Vietnã, alianças comerciais lideradas pelo setor, rodadas de negócios entre empresas e visitas técnicas à cadeia de suprimentos, estabeleceram conexões sólidas entre os setores dos dois países.

Na 4ª edição da Exposição Internacional de Cadeia de Suprimentos da China, realizada em Beijing em junho, um estande de café de 40 metros quadrados com o tema Yunnan-Vietnã atraiu grande atenção ao destacar seu diferencial competitivo nas cadeias de suprimentos transfronteiriças de café.

A inovação transfronteiriça na cultura do café também ganha forma na bacia do rio Lancang-Mekong, região compartilhada pela China com Mianmar, Laos, Tailândia, Camboja e Vietnã. Omar Ali, cofundador e gerente-geral da SinoTaste, criou o "Mekong Coffee with Six Flavors", um blend de cafés de vários países, utilizando grão de todas as seis nações da bacia do Lancang-Mekong, após avaliar cerca de 50 lotes de grãos e testar dezenas de fórmulas.

"Ao criar um blend de múltiplas origens, o objetivo não é fazer com que uma origem se sobressaia às outras. Trata-se de como esses cafés se complementam e criam algo que nenhum deles conseguiria alcançar sozinho", disse Omar Ali. "Isso reflete as parcerias: cada país e cultura possui pontos fortes distintos; quando reunidos, geram novas possibilidades".

ALÉM DAS FRONTEIRAS

Embora o Sudeste Asiático continue sendo o centro do comércio de café de Yunnan na região Ásia-Pacífico, os grãos estão viajando muito mais longe, chegando até a Nova Zelândia, onde se firmam como uma novidade de nicho, porém notável, no cenário dos cafés especiais.

A cultura de cafeterias da Nova Zelândia dependeu fortemente de grãos de produtores latino-americanos consolidados, como Brasil e Colômbia. No entanto, grãos verdes de Yunnan começaram a aparecer em algumas torrefações locais, segundo a Radio New Zealand.

A MQ Coffee, sediada em Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia, é uma das empresas que estão ajudando o café de Yunnan a ganhar espaço no país. Sua coproprietária, Wang Yanqi, disse que a qualidade dos grãos melhorou significativamente nos últimos anos, ao mesmo tempo em que cresce o interesse internacional pela China como origem de cafés.

A empresa utiliza grãos de Yunnan em suas sessões de treinamento e degustação, colocando-os lado a lado com cafés de outras origens para que os participantes possam conhecer diretamente os distintos perfis de sabor de Yunnan.

Wang observou que alguns cafés de Yunnan apresentam boa doçura e corpo, permitindo que seu caráter marcante se destaque mesmo com a adição de leite.

Zhu Hong, responsável pela propriedade cafeeira Xigui, inspeciona o desenvolvimento dos frutos do café na aldeia de Xigui, cidade de Lincang, província de Yunnan, no sudoeste da China, em 13 de setembro de 2026. (Xinhua/Chen Xinbo)

A empresa organizou viagens de estudo para que profissionais e entusiastas do café da Nova Zelândia visitassem as regiões produtoras em Yunnan, permitindo que conhecessem diretamente as práticas locais de cultivo e processamento.

Para transformar o interesse internacional em compras recorrentes, o café de Yunnan precisa se tornar mais competitivo em termos de qualidade, preço e confiabilidade no fornecimento, disse Wang.

A qualidade do café de Yunnan melhorou significativamente na última década, disse Ooi. "Agora estamos conhecendo seus perfis de sabor, mas queremos compreendê-los mais a fundo". (Repórteres de vídeo: Li Shutong, Wang Jiawei, Zul e Jonathan Tham Yao Ming. Edição de vídeo: Zhao Tianlin, Liu Xiaorui, Zhang Yuhong e Zhang Yichi)

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