Consumo de serviços cresce mais rápido que o de bens à medida que mercado consumidor da China entra em nova fase, dizem especialistas-Xinhua

Consumo de serviços cresce mais rápido que o de bens à medida que mercado consumidor da China entra em nova fase, dizem especialistas

2026-09-24 17:04:50丨portuguese.xinhuanet.com

Beijing, 24 set (Xinhua) -- O mercado consumidor da China entrou em uma nova fase, marcada pela importância tanto de bens quanto de serviços. Nos primeiros oito meses deste ano, as vendas no varejo de serviços cresceram a um ritmo quase cinco vezes superior ao das vendas de bens, uma mudança estrutural refletida em um novo indicador oficial da China, o segundo maior mercado consumidor do mundo.

As vendas totais no varejo de bens e serviços de consumo aumentaram 2,5% em termos anuais entre janeiro e agosto deste ano. As vendas de serviços cresceram 4,9%, enquanto as de bens avançaram 1%, segundo autoridades e especialistas que participaram da Mesa-Redonda Econômica da China, uma plataforma multimídia de debates promovida pela Agência de Notícias Xinhua.

Em junho deste ano, o Departamento Nacional de Estatísticas divulgou pela primeira vez o indicador de "vendas totais no varejo de bens e serviços de consumo", que, segundo analistas, oferece uma visão mais abrangente do consumo diante da crescente importância de serviços como motor da demanda interna.

"À medida que a renda per capita aumenta, é uma lei econômica objetiva que o consumo de serviços cresça mais rápido que o consumo de bens", disse Lin Jian, vice-presidente da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica, subordinada ao Ministério do Comércio.

A mudança é visível na alteração do comportamento dos consumidores. Zhang Weihua, vice-diretor do Departamento de Cultura e Turismo da Província de Shandong, disse que os consumidores estão passando de "comprar bens" para "comprar tranquilidade" e do "consumo funcional" para o "consumo de experiências", buscando experiências imersivas, interativas e emocionalmente gratificantes.

Por sua vez, Chen Chunhui, presidente do Grupo do Porto Base Internacional de Cruzeiros de Xiamen Co., Ltd., disse que "o consumo de cruzeiros, do navio à costa, integra alimentação, hospedagem, transporte, turismo, compras e entretenimento, refletindo a crescente demanda por experiências integradas".

Em Xiamen, uma cidade costeira na Província de Fujian, leste da China, o Porto Base Internacional de Cruzeiros de Xiamen, um dos quatro portos-piloto de demonstração de transporte de cruzeiros da China, registrou um aumento anual de 33% nas escalas de navios de cruzeiro no primeiro semestre, enquanto o número de passageiros cresceu cerca de 180%, segundo Chen.

"No longo prazo, o crescimento sustentável do consumo depende de um ciclo virtuoso entre a modernização do consumo e a modernização industrial, com políticas do lado da demanda levando os fabricantes a uma produção mais verde e inteligente", disse Lin.

No âmbito das políticas, a China tem incentivado a demanda por produtos verdes e inteligentes por meio de programas de troca de automóveis e eletrodomésticos. Segundo Lin, a relação entre os subsídios concedidos e o consumo gerado passou de 1 para 7,8 em 2025 para 1 para 10,3 neste ano.

A China é o segundo maior mercado consumidor do mundo. O país tem como meta um crescimento relativamente rápido do consumo total de bens e serviços, com as vendas totais no varejo de bens de consumo chegando a cerca de 60 trilhões de yuans (cerca de US$ 8,3 trilhões) até 2030. Também pretende cultivar mercados na escala de 10 trilhões de yuans em consumo verde, inteligente e relacionado à saúde.

A China também pretende atrair 190 milhões de visitas de turistas estrangeiros por ano até 2030, com os gastos anuais do turismo receptivo superando US$ 150 bilhões, de acordo com um novo plano quinquenal de desenvolvimento do turismo divulgado em julho deste ano. O plano sinaliza a ampliação dos esforços do país para atrair visitantes estrangeiros enquanto busca impulsionar o consumo.

Lin disse que novas áreas de crescimento, como "IA mais consumo", devem se expandir rapidamente, proporcionando amplo espaço para a modernização do consumo de bens e serviços.

"O consumo de serviços e o consumo de bens se tornarão mais profundamente integrados, com suas fronteiras cada vez mais difusas. Mas o que permanece inalterado é partir da demanda dos usuários e transformar continuamente necessidades reais em produtos", disse Zhang Dandan, chefe do Instituto de Pesquisa de Novo Consumo de Changsha.

"Durante o período do 15º Plano Quinquenal (2026-2030), espera-se que o consumo de serviços da China acelere ainda mais", acrescentou Lin. 

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