Rio de Janeiro, 22 set (Xinhua) -- O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil reforçou a necessidade de manter uma gestão cautelosa da política monetária, apesar dos sinais de desaceleração da atividade econômica e da recente queda da inflação, segundo a ata de sua reunião da semana passada, divulgada nesta terça-feira.
A reunião do Copom encerrou com um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros Selic, de 14% para 13,75% ao ano.
Na segunda-feira, a pesquisa do Banco Central com as principais instituições financeiras indicou que o mercado agora espera que a taxa Selic chegue a 13,50% até o final do ano.
O documento afirma que o cenário atual ainda exige "calma e cautela" e reitera que o comitê continuará monitorando a evolução dos dados econômicos para manter o nível necessário de aperto monetário para levar a inflação à meta.
Segundo a ata, evidências da transmissão da política monetária contracionista para a economia têm se acumulado gradualmente, enquanto a atividade doméstica continua em trajetória de moderação, em linha com as expectativas do Comitê.
A ata também reforçou as preocupações com as expectativas de inflação, que permanecem acima da meta em todos os horizontes temporais analisados.
O Comitê destacou novamente o processo de desancoragem das expectativas de longo prazo e ressaltou que, no contexto atual, é necessária uma contração monetária maior e mais prolongada do que em outras circunstâncias.
O documento também observou que o mercado de crédito continua a indicar uma desaceleração do crescimento econômico.
O Copom afirmou que continuará monitorando os efeitos das medidas de estímulo à demanda, a evolução dos choques de oferta e as mudanças no mercado de trabalho para calibrar os próximos passos da política monetária.
O texto reforça a avaliação de que a economia brasileira está desacelerando, mas deixa claro que o combate à inflação e a reancoragem das expectativas permanecem as principais prioridades da Autoridade Monetária.

