Beijing, 23 set (Xinhua) -- A China instou nesta quarta-feira o Japão a tirar lições da história, refletir profundamente sobre o passado e conquistar a confiança de seus vizinhos asiáticos e da comunidade internacional por meio de ações concretas.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, emitiu essas declarações em uma coletiva de imprensa regular quando questionado sobre o discurso da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi na Assembleia Geral das Nações Unidas na terça-feira, no qual ela disse que o Japão é um país amante da paz e pediu a remoção das "cláusulas de estado inimigo" da Carta da ONU.
"Comparado ao que o Japão diz, a comunidade internacional está mais preocupada com o que o Japão faz", disse Guo.
Ele disse que o conceito do Japão do pós-guerra de ser um "país amante da paz" foi construído sobre uma profunda reflexão sobre sua história e uma ruptura completa com o militarismo.
"Na verdade, a atual administração japonesa não apenas nega seu histórico de agressão e branqueia seus crimes de guerra, mas também continua a fortalecer suas forças armadas e expandir seus armamentos, acelera a 'remilitarização', busca abandonar os Três Princípios Não Nucleares e revisar a Constituição pacifista, e desafia abertamente a ordem internacional do pós-guerra", disse Guo.
O Japão tem se tornado um fator proeminente que ameaça a paz e a estabilidade regionais, enfatizou.
Este ano marca o 81º aniversário da fundação das Nações Unidas e o 80º aniversário da abertura do Julgamento de Tóquio, disse Guo, acrescentando que o Japão se juntou à ONU sob o pressuposto de reconhecer os crimes de militarismo e aceitar a Carta da ONU em sua totalidade.
As "cláusulas de Estado inimigo" na Carta da ONU constituem arranjos institucionais importantes destinados a impedir que o fascismo e o militarismo ameaçem novamente a paz e a segurança internacionais, e fornecem salvaguardas institucionais importantes para a manutenção da ordem internacional pós-guerra, disse Guo.
"Até hoje, eles ainda carregam um significado prático importante", disse ele.
"Exortamos o lado japonês a tirar lições da história, refletir profundamente sobre o passado e conquistar a confiança de seus vizinhos asiáticos e da comunidade internacional por meio de ações concretas", disse Guo.

