Pacto de defesa de Meca enfrenta primeiro teste com escalada do confronto entre Houthis e Arábia Saudita-Xinhua

Pacto de defesa de Meca enfrenta primeiro teste com escalada do confronto entre Houthis e Arábia Saudita

2026-09-23 11:25:54丨portuguese.xinhuanet.com

Foto tirada com um celular em 19 de setembro de 2026 mostra fumaça perto do Aeroporto Internacional Rei Khalid, no nordeste de Riad, Arábia Saudita. (Xinhua)

Sanaa, 21 set (Xinhua) -- Seis semanas após a Arábia Saudita, a Turquia e o Paquistão concordarem, em Meca, em tratar um ataque armado contra um deles como um ataque contra todos, a rápida escalada do confronto entre os Houthis e a Arábia Saudita está submetendo esse compromisso ao seu primeiro teste sério.

As forças Houthis avançaram ao longo da costa ocidental do Iêmen em direção ao estratégico Estreito de Bab al-Mandab, ao mesmo tempo em que intensificaram ataques com mísseis e drones em áreas profundas do território saudita. Riad, por sua vez, intensificou os ataques aéreos contra alvos Houthis no Iêmen.

O confronto tomou um rumo particularmente delicado depois que a Arábia Saudita disse ter interceptado um drone Houthi ao sul de Meca, antes que ele pudesse entrar no espaço aéreo da cidade sagrada. Os Houthis negaram ter como alvo a cidade de Meca.

Então, no sábado, a ameaça chegou a Riad. Enquanto explosões eram ouvidas na capital saudita e as autoridades emitiam um alerta aéreo, a coalizão liderada pela Arábia Saudita informou ter interceptado um míssil balístico Houthi que tinha a cidade como alvo. Os Houthis disseram ter atacado alvos em Riad e no polo energético de Yanbu, no Mar Vermelho.

A crescente troca de disparos está transformando a retomada dos combates no Iêmen em um teste mais amplo de dissuasão regional. A Turquia e o Paquistão prometeram apoio à Arábia Saudita, mas nenhum dos dois anunciou envolvimento direto em combate contra os Houthis.

Isso coloca o acordo de Meca diante de uma questão: podem seus membros tornar a defesa coletiva suficientemente crível para dissuadir novos ataques sem se envolverem em uma guerra mais ampla?

PRESSÃO SE ESTENDE PARA ALÉM DO IÊMEN

A Arábia Saudita enfrenta uma pressão crescente em um arco geográfico em expansão, que vai desde os campos de batalha no Iêmen e o Estreito de Bab al-Mandab até suas cidades e infraestrutura energética.

Os Houthis disseram, no sábado, que lançaram mísseis balísticos e de cruzeiro, assim como drones, contra "alvos sensíveis" em Riad e contra uma instalação da gigante petrolífera saudita Aramco, na cidade de Yanbu, no oeste da Arábia Saudita.

O lado saudita informou que as defesas aéreas interceptaram o míssil que tinha como alvo Riad e frustraram ataques contra Baish, Taif, Farasan e Yanbu.

O porta-voz militar dos Houthis, Yahya Sarea, declarou que a estratégia do grupo é de "escalada por escalada", associando seus ataques à intensificação das operações aéreas sauditas no Iêmen.

Captura de tela fornecida pelo Centro de Mídia Houthi mostra combatentes Houthis inspecionando o caça saudita abatido na província de Marib, Iêmen, em 16 de setembro de 2026. (Centro de Mídia Houthi/Divulgação via Xinhua)

Enquanto isso, o cenário de combate dentro do Iêmen sofreu uma mudança drástica.

Em 10 de setembro, as forças Houthis capturaram Mocha, um porto estratégico no Mar Vermelho, no sudoeste da província de Taiz. Um dia depois, tomaram Dhubab e a ilha de Mayyun, no Estreito de Bab al-Mandab, após as forças governamentais recuarem mais para o sul, em direção à província vizinha de Lahj.

Desde então, intensos combates têm ocorrido na região montanhosa de Kahbub e nas elevações próximas que dominam as vias de acesso ao estreito, com ambos os lados enviando rapidamente reforços para a linha de frente.

O Estreito de Bab al-Mandab conecta o Golfo de Áden ao Mar Vermelho e, mais ao norte, ao Canal de Suez, situando-se em um dos corredores comerciais e energéticos mais importantes do mundo.

Com o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz já prejudicado por tensões regionais mais amplas, a instabilidade em torno deste estreito aumenta a pressão sobre outro ponto de estrangulamento marítimo crítico.

DA PROMESSA À PRÁTICA

Em 7 de agosto, o príncipe herdeiro e primeiro-ministro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman bin Abdulaziz Al Saud, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o primeiro-ministro paquistanês, Muhammad Shehbaz Sharif, assinaram o Acordo de Defesa Conjunta de Meca.

Seu princípio central é a defesa coletiva: qualquer ataque armado contra um dos três países será considerado um ataque contra todos eles.

Os três países começaram a estruturar o pacto institucionalmente ainda naquele mês, concordando em Istambul em fortalecer a coordenação militar e a cooperação na indústria de defesa, além de estabelecer uma secretaria permanente na Arábia Saudita.

O príncipe herdeiro e primeiro-ministro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman bin Abdulaziz Al Saud (centro), o presidente turco Recep Tayyip Erdogan (esquerda) e o primeiro-ministro paquistanês Muhammad Shehbaz Sharif posam para uma foto em grupo após a assinatura do Acordo de Defesa Conjunta de Meca, em Meca, na Arábia Saudita, em 7 de agosto de 2026. (Agência de Imprensa Saudita/Divulgação via Xinhua)

Os ataques Houthis deslocaram abruptamente a discussão do planejamento para a prática.

A Turquia deu a indicação mais clara do que seu apoio poderia envolver. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, disse no sábado que Ancara honraria seus compromissos e poderia fornecer assistência técnica para atender às necessidades militares sauditas.

O Paquistão enviou uma mensagem política ainda mais forte. Islamabad condenou repetidamente os ataques à Arábia Saudita e reafirmou seu apoio à soberania e à integridade territorial do reino. As forças armadas paquistanesas declararam que o país iria "até as últimas consequências" para defender a soberania saudita.

No entanto, nem Islamabad nem Ancara anunciaram operações de combate direto contra os Houthis.

Para Ancara e Islamabad, a defesa coletiva não precisa resultar imediatamente em intervenção direta no Iêmen. O apoio poderia, em vez disso, envolver coordenação de defesa aérea, inteligência, assistência técnica, logística e outras medidas destinadas a fortalecer as defesas sauditas sem abrir uma nova frente, disseram analistas.

DISSUASÃO SEM ENVOLVIMENTO DIRETO?

A atual escalada está testando se a nova aliança consegue tornar sua promessa de defesa coletiva um mecanismo de dissuasão crível sem ser arrastada diretamente para o conflito, disse à Xinhua o analista político Muqbil Naji, sediado em Áden.

"O desafio não é simplesmente demonstrar solidariedade à Arábia Saudita, mas tornar essa solidariedade crível o suficiente para influenciar os cálculos daqueles que a atacam", disse Naji.

O apoio da Turquia e do Paquistão poderia fortalecer a capacidade da Arábia Saudita de detectar e interceptar ameaças iminentes, mas não poderia garantir proteção contra todos os mísseis ou drones, observou ele.

"Mais defesas podem reduzir o risco, mas não podem eliminá-lo", disse ele. "O maior desafio é impedir que os ataques continuem".

No entanto, analistas argumentaram que os esforços para reforçar as defesas sauditas poderiam introduzir outro risco: quanto mais a Turquia e o Paquistão se envolverem, mais difícil poderá ser conter o confronto.

"Quanto mais atores entram na equação, mais difícil se torna conter o conflito", disse Ali bin Hadi, um observador militar sediado em Áden.

Esse risco poderia aumentar significativamente se pessoal ou ativos turcos ou paquistaneses fossem atingidos diretamente, disse bin Hadi. "Uma vez que suas próprias forças sejam atacadas, manter uma postura puramente defensiva torna-se muito mais difícil".

Por enquanto, analistas veem espaço para a dissuasão sem intervenção direta. A Turquia e o Paquistão poderiam reforçar as defesas sauditas, mantendo ao mesmo tempo espaço para a diplomacia e limitando sua exposição aos combates.

Mas esse equilíbrio permanece frágil. Um ataque com muitas baixas dentro da Arábia Saudita, danos graves à infraestrutura energética crítica ou outro incidente nas proximidades dos locais sagrados poderia alterar drasticamente os cálculos estratégicos.

O primeiro teste do pacto de Meca, portanto, pode não ser se as forças turcas ou paquistanesas entrarão no conflito do Iêmen, mas se o compromisso delas pode tornar uma nova escalada custosa o suficiente para impedir que ela ocorra, disseram analistas.

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