Rio de Janeiro, 21 set (Xinhua) -- A crescente presença de empresas chinesas no mercado brasileiro está ampliando a cooperação econômica entre as duas maiores economias da América Latina e da Ásia, com novos investimentos em tecnologia, produção local, mobilidade elétrica, serviços digitais, alimentos e comércio eletrônico.
Essa movimentação reflete uma evolução na relação econômica bilateral, que incorpora cada vez mais a produção local, a inovação tecnológica e o desenvolvimento da cadeia de suprimentos no Brasil.
Segundo dados da consultoria Euromonitor International, os investimentos de empresas chinesas no Brasil atingiram aproximadamente 230 bilhões de reais (US$ 44,574 bilhões) entre 2015 e 2025. Somente em 2025, os investimentos chegaram a cerca de 31 bilhões de reais (US$ 6,008 bilhões).
Um dos setores em que essa expansão é mais visível é o da mobilidade. Atualmente, 13 marcas chinesas de veículos elétricos operam no Brasil, incluindo BYD, Haval, Geely e Caoa Chery, algumas com produção local.
A BYD, que começou a produzir chassis de ônibus elétricos em Campinas em 2015, expandiu suas atividades para incluir módulos fotovoltaicos, caminhões elétricos e outras soluções de mobilidade. A empresa também possui mais de 150 carregadores rápidos no Brasil e está desenvolvendo uma tecnologia capaz de carregar uma bateria de 10% a 70% em aproximadamente cinco minutos.
Além disso, a empresa está destinando 5,5 bilhões de reais (US$ 1,066 bilhão) ao seu complexo automotivo em Camaçari, Bahia, reforçando seu compromisso com a produção local e o desenvolvimento de novas tecnologias no Brasil.
A presença chinesa também se estende ao setor de alimentos e bebidas. Em abril, a Mixue inaugurou sua primeira loja no Brasil, em São Paulo, tornando o país o primeiro fora da região Ásia-Pacífico a receber um investimento da empresa.
A Mixue planeja investir 3 bilhões de reais (US$ 581 milhões) até 2030, abrir até 1.000 lojas e construir uma fábrica no Brasil.
No setor de serviços digitais, a plataforma de mobilidade 99, adquirida pela chinesa DiDi em 2018, é outro exemplo de cooperação empresarial. A empresa possui 85 milhões de usuários ativos, operando em mais de 4.400 cidades e trabalhando com mais de 2,5 milhões de motoristas parceiros.
Segundo Bruno Rossini, diretor de comunicação da 99, em entrevista ao portal Uol, o Brasil foi o primeiro passo internacional da empresa e, hoje, é o seu maior mercado fora da China e um dos principais motores de crescimento da estratégia global.
A plataforma oferece serviços de mobilidade, logística, entrega de comida e serviços financeiros, além de desenvolver projetos de integração com o transporte público.
Outro setor de crescente cooperação é o de eletrodomésticos. A Midea produz refrigeradores, máquinas de lavar e aparelhos de ar-condicionado no Brasil e considera o país seu segundo maior mercado fora da China.
Em Minas Gerais, a empresa investiu 828 milhões de reais (US$ 161 milhões), incluindo 630 milhões de reais (US$ 122 milhões) para a construção de uma fábrica em Pouso Alegre.
O comércio eletrônico completou esse processo de diversificação. O AliExpress está presente no Brasil há 15 anos e, em 2024, firmou uma aliança com a Magazine Luiza para expandir sua oferta de produtos e conectar consumidores e vendedores brasileiros ao mercado internacional. O Brasil está entre os cinco maiores mercados globais do AliExpress, segundo a empresa.
Para AliExpress, o objetivo é integrar o ecossistema brasileiro à cadeia global do comércio, gerando oportunidades para vendedores locais e oferecendo a melhor experiência possível ao consumidor, indicou Briza Bueno, diretora-geral do AliExpress no Brasil e na América Latina, em entrevista ao portal Uol.
A expansão dos negócios chineses demonstra uma nova etapa na relação entre Brasil e China, na qual comércio, investimento, produção local e inovação se entrelaçam.

