
Tola Tsegaye Alemu (direita), da Etiópia, opera um robô industrial sob a orientação de um professor na Universidade de Tecnologia e Educação de Tianjin, em Tianjin, no norte da China, em 27 de junho de 2024. (Xinhua/Sun Fanyue)
* As habilidades que levaram competidores africanos a disputas como a Competição Mundial de Habilidades de Faculdades Profissionalizantes estão entre os temas cotidianos das salas de aula mantidas em parceria pela China e pela África. Para alguns, o sucesso na competição abriu portas para o emprego.
* Jovens africanos de todo o continente estão adquirindo habilidades práticas à medida que a cooperação China-África em educação profissional continua crescendo. Para muitos, dominar uma habilidade significa, em última análise, conseguir um emprego ou até mesmo abrir o próprio negócio. O objetivo de longo prazo não é apenas treinar uma turma de estudantes, mas capacitar as escolas africanas a formarem seus próprios profissionais.
Por Liu Jie e Lin Jing
Windhoek, 20 set (Xinhua) -- Em uma oficina em Ongwediva, no norte da Namíbia, o tecido farfalha enquanto Wilhemina Amadhila mede, corta e costura.
"Cada ponto se une para formar uma roupa deslumbrante", disse a jovem de 22 anos, que demonstrará seu ofício na 48ª Competição WorldSkills, que será realizada de 22 a 27 de setembro em Shanghai, na China.
Amadhila e outros 16 jovens namibianos competirão em diferentes categorias do evento. Além da Namíbia, outros países africanos, como Quênia, Egito, África do Sul e Marrocos, também participam da competição para demonstrar suas habilidades técnicas e profissionais.
Esta não é a primeira vez que competidores africanos participam de competições de habilidades na China. Sua participação ativa oferece um vislumbre da crescente cooperação China-África em educação profissional, que tem ajudado a proporcionar a muitos africanos habilidades práticas e oportunidades.

Foto tirada em 14 de novembro de 2025 mostra uma cena da final da Competição Mundial de Habilidades de Faculdades Profissionalizantes em Tianjin, no norte da China. (Xinhua/Zhao Zishuo)
APRENDENDO NA PRÁTICA
Na Competição Mundial de Habilidades de Faculdades Profissionalizantes de 2025, realizada em Tianjin, no norte da China, o estudante angolano Massak Ventura Noquena Eduardo conquistou a medalha de prata graças aos conhecimentos adquiridos em robótica industrial e em linhas de produção automatizadas que aprendeu com professores chineses. "Espero aplicar o que aprendi na industrialização de Angola", disse ele.
As habilidades que o levaram ao pódio fazem parte das atividades cotidianas nas salas de aula mantidas em parceria pela China e pela África. No Instituto de Tecnologia Angola-China, os estudantes estudam mecatrônica, robótica industrial e automação.
Guo Xiaoyu, professora da Faculdade Profissional e Técnica de Baotou, na Região Autônoma da Mongólia Interior, no norte da China, lembra-se de estudantes que, no início, hesitavam até mesmo em usar um multímetro ou um osciloscópio.
"O ensino profissionalizante não pode se basear apenas na teoria. Os estudantes precisam pôr a teoria em prática", disse Guo. Após um semestre de prática em montagem de circuitos e diagnóstico de falhas, mais de 90% deles atingiram o padrão exigido.
Na Faculdade Politécnica de Holeta, na Etiópia, a instrutora chinesa Ma Yujie demonstrou técnicas de sutura cirúrgica enquanto estudantes de zootecnia se reuniam ao redor da mesa, revezando-se para praticar em simuladores de treinamento.
"Estamos participando de demonstrações práticas", disse Lemi Abera, 22 anos. "Nossos instrutores chineses estão relacionando os conceitos aprendidos em sala de aula às práticas reais de saúde animal".

Um competidor opera uma máquina de controle numérico computadorizado durante um desafio de habilidades profissionais na Universidade Técnica do Quênia, em Nairóbi, em 29 de agosto de 2025. (Xinhua/Yang Guang)
Ma é uma das 20 professoras chinesas que atuam em seis faculdades profissionalizantes na Etiópia. "Os estudantes realmente valorizam as oportunidades de praticar em modelos de treinamento, a ponto de alguns estarem dispostos a passar um tempo extra no laboratório após as aulas", disse ela.
Em Camarões, a sala de aula foi transferida para o canteiro de obras.
No início de agosto, a China First Highway Engineering Co., Ltd. uniu forças com o Ministério do Ensino Superior de Camarões e a Escola Nacional Superior de Obras Públicas para realizar o primeiro curso de certificação do país para topógrafos. O ministro do Ensino Superior de Camarões, Jacques Fame Ndongo, disse que o programa transforma canteiros de obras em "salas de aula ao ar livre" e cria uma ponte direta entre universidades e grandes projetos.
Essa cooperação não se resume à construção de estradas; trata-se de capacitar pessoas e preparar o futuro da força de trabalho de Camarões, acrescentou o ministro.
De acordo com um plano de ação divulgado na Cúpula de Beijing 2024 do Fórum de Cooperação China-África, a China dará continuidade à cooperação em educação profissional com a África, construirá escolas de tecnologia de engenharia em parceria com países africanos, estabelecerá ou modernizará 10 Oficinas Luban e oferecerá 60.000 oportunidades de capacitação voltadas principalmente para mulheres e jovens africanos.
A China já estabeleceu 17 Oficinas Luban em 15 países africanos e capacitou dezenas de milhares de profissionais.

Foto tirada em 15 de fevereiro de 2024 mostra uma vista da Oficina Luban da Etiópia em um instituto de treinamento profissionalizante em Adis Abeba, Etiópia. (Xinhua/Li Yahui)
DAS HABILIDADES AO SUSTENTO
Para muitos jovens africanos, dominar uma habilidade significa, em última análise, encontrar um emprego ou até mesmo abrir um negócio.
No final de 2025, 30 estudantes ruandeses retornaram para casa após um ano de treinamento avançado na Universidade de Tecnologia Profissional de Jinhua, na província de Zhejiang, leste da China.
Aimable Tuyishime, um jovem de 23 anos formado em comércio eletrônico, que estudou logística, gestão de armazéns e análise de dados na instituição, está agora desenvolvendo uma plataforma de compras on-line para consumidores ruandeses.
"Este é o momento certo para colocar em prática todas as habilidades e a experiência que adquiri", disse ele.
Na Tanzânia, o Instituto de Tecnologia e Gestão de Kilimanjaro lançou um programa de culinária chinesa no início deste ano, combinando videoaulas de chefs da China com aulas práticas em cozinhas locais.
"São habilidades que nos diferenciam, posso até abrir meu próprio restaurante um dia", disse Ruth Washima Seni, estudante da área de hospitalidade.
Para alguns, o sucesso em competições abriu as portas para o emprego. Na competição nacional de habilidades da Namíbia do ano passado, os medalhistas de ouro nas categorias de culinária e serviço de restaurante também conquistaram estágios de três meses em um grupo local do setor de hospitalidade.

Foto de arquivo mostra estudantes ruandeses participando de uma cerimônia de formatura na Universidade de Tecnologia Profissional de Jinhua, na província de Zhejiang, no leste da China, em 20 de dezembro de 2025. (Universidade de Tecnologia Profissional de Jinhua/Divulgação via Xinhua)
SEMENTES QUE PERMANECEM
O objetivo de longo prazo não é apenas treinar uma turma de estudantes, mas capacitar as escolas africanas a formarem seus próprios profissionais.
Na Costa do Marfim, sete escolas profissionalizantes modernas, construídas por empreiteiras chinesas, foram inauguradas em setembro passado. Com uma área de cerca de 83.000 metros quadrados, elas têm capacidade para receber aproximadamente 5.600 estudantes em 15 áreas de especialização, que vão desde usinagem até reparo automotivo e processamento agroindustrial.
Além disso, 184 professores e administradores marfinenses dessas escolas passaram quatro meses na China aprendendo a utilizar e fazer a manutenção de equipamentos, enquanto 15 gestores escolares estudaram gestão escolar no país. Duas instituições de ensino profissionalizante chinesas agora auxiliam na operação de cinco dessas escolas.
No Quênia, a cooperação em ensino profissionalizante apoiada pela China entra em uma nova fase: 69 instituições receberão equipamentos para 70 oficinas de treinamento, e 1.190 instrutores e técnicos serão capacitados em ambos os países.
"Um instrutor capacitado pode formar muitas gerações de aprendizes; uma oficina moderna pode formar continuamente trabalhadores qualificados", disse Esther Thaara Muoria, secretária principal do Departamento Estadual de Educação e Treinamento Técnico e Profissionalizante do Ministério da Educação do Quênia.
Wu Jiashun, chefe do centro regional para a África Central da China First Highway Engineering, explicou de forma mais direta: um jovem capacitado hoje trabalhará por 30 anos e ajudará a formar outros jovens ao longo dessa trajetória. "É assim que um país aprende a construir suas próprias estradas".
Para Amadhila e seus colegas de equipe, Shanghai será mais do que um local de competição. A cidade servirá como uma sala de aula global onde eles poderão testar suas habilidades, aprender com seus pares e trazer novas ideias para casa.
Por trás da trajetória desses jovens africanos, há muitas outras salas de aula como essas, onde jovens de todo o continente estão adquirindo habilidades práticas à medida que a cooperação sino-africana no ensino profissionalizante continua crescendo.








