
Trabalhadores limpam duriões em uma fábrica de processamento da fruta na província de Dak Lak, Vietnã, em 10 de setembro de 2026. (Xinhua/Hu Jiali)
Por Phan Hong Nhung e Hu Jiali
Dak Lak, Vietnã, 16 set (Xinhua) – Na aldeia de Thai Binh, na comuna de Ea Tul, Le Tuan Tai caminha sob a copa das árvores de durião, com a luz do sol filtrada pelas folhas. Ele bate levemente em uma fruta verde-amarelada com uma faca pequena. Ouve-se um baque surdo. "Está madura", diz ele.
Há quase quatro décadas, a família de Tai cultiva esta terra na província de Dak Lak, na região central do Vietnã. Primeiro borracha, depois café e, agora, durião. Cerca de 2.000 árvores ocupam uma área de 10 hectares. Essa mudança é uma decisão pessoal, e uma tendência cada vez mais comum.
Dak Lak, há muito conhecida como a capital do café no Vietnã, possui mais de 214.000 hectares de cafezais e uma produção anual que ultrapassa 530.000 toneladas. Atualmente, uma nova cultura está se espalhando rapidamente: o durião. O fator decisivo foi a China. Em 2022, o Vietnã assinou um protocolo permitindo a exportação oficial de durião fresco para a China, encerrando anos de comércio fronteiriço em pequena escala e garantindo preços mais estáveis aos agricultores.
A província de Dak Lak é uma das principais áreas produtoras de durião do Vietnã. A área de cultivo da fruta na região expandiu-se de 15.000 hectares em 2022 para 45.000 hectares em 2026, com uma produção prevista de cerca de 500.000 toneladas para este ano.
No ano passado, a localidade contribuiu com cerca de 1,1 bilhão de dólares americanos para a receita total de exportação de durião do país, que foi de 3,86 bilhões de dólares, segundo o Departamento de Alfândega do Vietnã e a Associação de Durião de Dak Lak. Paralelamente, o jornal vietnamita Lao Dong noticiou que, com a exportação de 940.000 toneladas de durião para a China, o Vietnã superou a Tailândia pela primeira vez e se tornou o maior fornecedor da fruta para o país.
O cultivo do durião é exigente. Requer mais mão de obra e capital do que o café. "Não é possível deixar um pomar de durião sozinho por uma semana, enquanto um cafezal pode ficar um ano inteiro sem muita atenção", disse Tai à agência Xinhua, comparando o durião a um recém-nascido que precisa de cuidados diários. Ainda assim, os agricultores continuam migrando para essa cultura, pois o retorno financeiro é difícil de ignorar.
Do Viet Hung, proprietário do pomar de durião Hung Toan, na comuna de Ea Tul, começou a plantar a fruta em 2017. Antes da primeira colheita, ele investiu mais de 10 bilhões de dongs vietnamitas (cerca de 391.000 dólares) em um sistema de irrigação automatizado, fertilizantes e cuidados intensivos.
Hung contou que seu pomar começou a dar frutos três anos após o plantio, época em que o quilo de durião era vendido por cerca de 25.000 dongs vietnamitas (aproximadamente 0,98 dólar). Desde então, os preços subiram para 60.000 dongs vietnamitas (cerca de 2,34 dólares americanos), disse ele.
A previsão é que o pomar de Tai produza 350 toneladas este ano, com um valor estimado em 18 bilhões de dongs vietnamitas (cerca de 703.000 dólares). "O café proporcionou à nossa família uma vida estável, porém modesta", disse ele. "Os preços do durião nos últimos anos têm permitido manter um padrão de vida confortável para a família". Cerca de 70% de sua produção é destinada à China.
Le Anh Trung, presidente da Associação de Durião de Dak Lak, disse que o futuro do setor não está na substituição do café, mas na construção de uma base agrícola mais diversificada e sustentável. O café mantém uma importância especial para Dak Lak, ao passo que o durião está se tornando uma indústria de exportação de alto valor.
"Na próxima etapa, não devemos perguntar apenas quantos hectares a mais podem ser adicionados, mas quanto valor pode ser gerado nas áreas já cultivadas", disse ele.
Ele vislumbra uma cadeia de valor que abrange desde zonas de produção de matéria-prima padronizada até inspeção e rastreabilidade, embalagem, processamento avançado, armazenamento a frio, logística e mercados internacionais. Segundo ele, as exigências crescentes da China em relação à qualidade, segurança alimentar e rastreabilidade já levaram o setor de durião da província a profissionalizar a produção e fortalecer sua cadeia de suprimentos.
Essa mudança atraiu processadores e exportadores para a cadeia de suprimentos. A Vietnam 001 Fruit Company Limited, fundada em 2022, já exportou mais de 2.000 contêineres de durião, totalizando mais de 236 milhões de dólares. Suas frutas chegam agora a consumidores em toda a China, de Kunming e Guangzhou a Shanghai e Beijing, alcançando supermercados de alto padrão e mercados atacadistas em cidades de menor porte.
"Obtemos nossas frutas por meio de cooperativas locais, abrangendo áreas de cultivo que somam cerca de 1.500 hectares", disse Nguyen Thi My Duy, diretora da empresa. Como a demanda chinesa ainda tem margem para crescer, ela disse que a concorrência dependerá da qualidade e da confiança, e não do volume.
"A qualidade começa no pomar, não na fábrica", disse Duy à Xinhua. A empresa tem trabalhado em estreita colaboração com os agricultores desde o início e planeja investir no processamento avançado, como bolos de durião e frutas desidratadas, para agregar valor e preparar-se para o momento em que o mercado de fruta fresca atingir a maturidade. "Não queremos vender apenas um durião. Queremos maximizar o valor da fruta", disse ela. "Essa também é a maneira de as empresas responderem de forma mais proativa às mudanças do mercado e ajudarem os agricultores a garantir vendas mais estáveis".
Enquanto o sol se põe sobre Thai Binh, os pomares ganham tons dourados. Caminhões carregados de frutas partem da aldeia. Para os agricultores de Dak Lak, o durião não é mais apenas uma cultura alternativa; é a nova joia da coroa do reino do café do Vietnã.

Trabalhadores embalam duriões para exportação para a China em uma fábrica de processamento da fruta na província de Dak Lak, Vietnã, em 10 de setembro de 2026. (Xinhua/Hu Jiali)

Dois trabalhadores colhem duriões na província de Dak Lak, Vietnã, em 10 de setembro de 2026. (Xinhua/Hu Jiali)

Foto tirada em 10 de setembro de 2026 mostra duriões destinados à exportação para a China em uma fábrica de processamento da fruta na província de Dak Lak, Vietnã. (Xinhua/Hu Jiali)

Dois trabalhadores colhem duriões na província de Dak Lak, Vietnã, em 10 de setembro de 2026. (Xinhua/Hu Jiali)

