(Multimídia) Entre argila e fogo, artista brasileira encontra inspiração na capital da porcelana da China-Xinhua

(Multimídia) Entre argila e fogo, artista brasileira encontra inspiração na capital da porcelana da China

2026-07-27 18:53:15丨portuguese.xinhuanet.com
Artista visual brasileira Viviane Diehl (D) posa para uma foto em 25 de julho de 2026, no Congresso da Academia Internacional de Cerâmica de 2026, na cidade de Jingdezhen, Província de Jiangxi, leste da China. (Foto fornecida por autoridade local/Divulgação via Xinhua)

   Nanchang, 27 jul (Xinhua) -- Mesmo em meio ao movimentado bairro cultural e criativo de Taoxichuan, em Jingdezhen, na Província de Jiangxi, no leste da China, é fácil reconhecer a artista visual brasileira Viviane Diehl.

   Com seus cabelos ruivos e uma presença marcante, ela se destaca entre artistas e visitantes que circulam por este importante polo da porcelana chinesa. Para Viviane, porém, a cidade há muito tempo ocupa um lugar especial em sua trajetória artística.

   Por ocasião do Congresso da Academia Internacional de Cerâmica de 2026, Viviane voltou a Jingdezhen, onde sua obra "Afforest" integra a Exposição de Membros da Academia Internacional de Cerâmica no Museu de Arte de Taoxichuan e permanece em cartaz até o fim de agosto.

   Criada durante uma residência artística de dois meses realizada em Taoxichuan, em 2024, a peça integra a série "Depois do fogo, depois da enchente", que retrata florestas devastadas por incêndios e enchentes, fenômenos que se repetem diariamente em diferentes partes do mundo.

   Na obra, a artista sugere que, após a destruição, surgem as chamadas "florestas fantasma" e que, à medida que a natureza é consumida, a alma humana também se esgota, enquanto a arte cerâmica anuncia a capacidade de a natureza se recriar.

   Viviane observou que a arte cerâmica e a natureza conduzem o ser humano à contemplação interior, conferem sentido aos ciclos e à coexistência, oferecem uma pausa e reconectam a liberdade ao bem-estar e à unidade.

   Sua relação com a cerâmica, no entanto, começou muito antes de conhecer Jingdezhen. Viviane contou que seu interesse pela arte começou na infância e que, por volta dos 15 anos, iniciou cursos de pintura em cerâmica com uma professora. Foi nessa época que teve os primeiros contatos com todas as etapas do processo de produção, desde a esmaltação até a queima das peças.

   A paixão pela porcelana acabaria levando Viviane à China. Ao começar a estudar porcelana, ela percebeu que precisava conhecer o país. Segundo a artista, alguns ceramistas brasileiros estiveram em Jingdezhen e, ao retornarem ao Brasil, começaram a falar sobre a cidade, despertando nela o desejo de conhecer aquela que viria a chamar de "a incrível cidade da porcelana".

   Essa relação também está ligada à própria história de Jingdezhen, que desenvolveu ao longo de séculos um complexo sistema artesanal de produção de porcelana, envolvendo desde a extração de matérias-primas e a preparação da argila até a fabricação, a queima e a comercialização das peças.

   A longa tradição cerâmica, consolidada especialmente entre as dinastias Song e Qing, transformou a cidade em um dos mais importantes centros mundiais de produção de porcelana. Esse legado foi reconhecido internacionalmente com a recente inscrição dos Sítios da Indústria de Porcelana Artesanal de Jingdezhen na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.

   Após essa inclusão, o número total de sítios de Patrimônio Mundial na China chega a 61.

   Os Sítios da Indústria de Porcelana Artesanal de Jingdezhen constituem um conjunto de locais históricos que representam o sistema da indústria de porcelana artesanal que se desenvolveu em Jingdezhen, na Província de Jiangxi, no leste da China, entre os séculos 10 e 19.

   Trabalhar com a argila local da China representou um desafio expressivo para Viviane, que considerou as experimentações na construção, no tratamento das superfícies com esmaltes e nas técnicas de queima a gás como parte de um processo contínuo de aprendizagem.

   A busca pelo conhecimento acompanha a trajetória da artista há décadas. Professora de arte desde 1989 e atuante em seu próprio ateliê, onde desenvolve trabalhos de desenho, pintura e cerâmica, Viviane, hoje com 62 anos, se define como uma educadora-artista, reunindo em sua carreira a produção visual e a educação artística.

   Doutora em educação pela Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, ela vive e trabalha em Feliz e possui uma trajetória marcada por projetos, exposições e eventos artísticos no Brasil e no exterior.

   Artistas de diferentes países têm escolhido Jingdezhen como um lugar de criação, aprendizagem e intercâmbio, movimento que reflete a transformação da cidade nas últimas décadas. Conhecida há séculos como a "capital da porcelana", Jingdezhen preservou sua tradição artesanal enquanto criou novos espaços para a produção artística e a troca cultural.

   Depois de décadas de industrialização e posterior reestruturação da indústria cerâmica local, antigos espaços fabris passaram a ser recuperados e convertidos em áreas culturais e criativas. A revitalização desse patrimônio industrial, aliada a programas internacionais de residência artística, ajudou a transformar Jingdezhen em um ponto de encontro para artistas e ceramistas de diferentes partes do mundo.

   Hoje, tecnologias avançadas facilitam o conhecimento, o aprendizado e a visão, não importa na América Latina ou em outras regiões ao redor do mundo. Para os entusiastas da porcelana, Jingdezhen é única. "Não temos outro lugar com técnicas tão especiais e de qualidade para fazer porcelana", disse Viviane.

   A dimensão da cidade e a força de sua cadeia cerâmica continuam impressionando Viviane. A combinação entre tradição, inovação e intercâmbio internacional faz de Jingdezhen, em sua visão, um lugar único no mundo da porcelana.

   Ao olhar para o futuro de Jingdezhen, Viviane destacou a crescente abertura internacional da cidade e acreditou que ela está "abrindo as portas para o mundo inteiro".

Artista visual brasileira Viviane Diehl (C) visita Museu de Cerâmicas da China, em 30 de junho de 2026, na cidade de Jingdezhen, Província de Jiangxi, leste da China. (Foto fornecida por autoridade local/Divulgação via Xinhua)
Obras cerâmicas da artista visual brasileira Viviane Diehl são exibidas no Museu de Arte de Taoxichuan, em 25 de julho de 2026, na cidade de Jingdezhen, Província de Jiangxi, leste da China. (Xinhua/Chen Yushan)

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