Rio de Janeiro, 17 jul (Xinhua) -- O aumento das exportações brasileiras para China, Europa e Índia no primeiro semestre de 2026 foi oito vezes maior do que a redução nas vendas para os Estados Unidos, refletindo o progresso da diversificação comercial do Brasil diante do aperto das tarifas americanas, informou nesta sexta-feira a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil).
Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, as exportações brasileiras para os Estados Unidos diminuíram em aproximadamente US$ 2,6 bilhões durante o primeiro semestre do ano, como resultado das tarifas impostas por Washington.
No entanto, as vendas para a Europa aumentaram US$ 3,1 bilhões, as para a Índia cresceram US$ 2,5 bilhões e as exportações para a China registraram um aumento de US$ 10,5 bilhões, compensando amplamente as perdas no mercado americano.
Diante desse cenário, a Apex Brasil anunciou um plano de 130 milhões de reais (US$ 25,5 milhões), a ser lançado em agosto em coordenação com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e 57 setores econômicos em todo o país, representando cerca de 2.400 empresas exportadoras.
O anúncio do plano ocorreu após os Estados Unidos confirmarem uma tarifa adicional de 25% sobre algumas exportações brasileiras. O Brasil rejeita as justificativas apresentadas por Washington e afirma que as medidas têm motivação política, defendendo, ao mesmo tempo, uma maior diversificação de suas relações comerciais para reduzir a vulnerabilidade a restrições unilaterais.
Müller explicou que a iniciativa visa acelerar a diversificação de mercado para reduzir a dependência do mercado americano. As prioridades incluem a União Europeia, impulsionada pelo acordo comercial com o Mercosul; os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã; e economias da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão.
O presidente da Apex Brasil destacou que esses mercados apresentam altas taxas de crescimento econômico, populações jovens e demanda crescente por produtos brasileiros, abrindo novas oportunidades para empresas afetadas pelas medidas comerciais americanas.
Müller explicou que as negociações comerciais do Mercosul com a Índia, o Japão e o Canadá podem expandir ainda mais os destinos das exportações brasileiras.
Segundo a Apex Brasil, o processo de diversificação já estava em andamento após a implementação das primeiras tarifas americanas em 2025. Entre junho daquele ano e maio de 2026, 72% das 2.400 empresas apoiadas pela agência que exportam para os Estados Unidos conquistaram pelo menos um novo mercado para seus produtos.
Müller afirmou que alguns setores terão entrada rápida em novos mercados, enquanto outros precisarão de esforços de médio e longo prazo para desenvolver a demanda. Como exemplo, citou a necessidade de promover certos produtos brasileiros na China, como tipos específicos de rochas ornamentais, ainda relativamente desconhecidos para os compradores chineses.
O presidente da Apex Brasil também afirmou que o Brasil consolidou sua posição como fornecedor confiável e parceiro estável para o comércio internacional. Nesse contexto, destacou que o país recebeu US$ 77 bilhões em investimento estrangeiro direto em 2025, um aumento de 22% em relação ao ano anterior, desempenho que o tornou o quinto maior receptor de investimentos do mundo e o principal destino para investimentos chineses entre as economias emergentes.

