Beijing, 17 jul (Xinhua) -- À medida que a China consolida suas robustas vantagens tecnológicas na fabricação dos veículos de nova energia (NEVs, sigla em inglês) e na área de conectividade inteligente, o mercado automotivo chinês está evidenciando uma profunda transformação.
Dados revelaram que em maio, modelos movidos a gasolina saíram do top 10 das vendas no varejo de veículos de passageiros no país.
Em contraste, durante o mês, as vendas de NEVs atingiram 1,496 milhão de unidades na China, um aumento anual de 14,4%, e representaram 56,9% do total de vendas de veículos novos, de acordo com a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis.
Neste novo cenário, a colaboração entre empresas automotivas chinesas e multinacionais passa por mudanças visíveis.
Há mais de quatro décadas, a modernização da indústria automotiva chinesa iniciou-se com o estabelecimento de joint ventures. As montadoras estrangeiras trouxeram linhas de produção e know-how de manufatura, produzindo modelos que eram populares em seus mercados de origem.
Hoje, a China se tornou o maior mercado automotivo no mundo. Enquanto as joint ventures continuam trabalhando com montadoras chinesas e as marcas estrangeiras ainda representam uma parcela significativa das vendas de automóveis, a pesquisa é atualmente conduzida e os produtos são desenvolvidos de forma mais alinhada com as necessidades em evolução dos consumidores chineses.
Este ano, a Volkswagen e a XPeng, fabricante chinesa de NEVs, iniciaram a produção massiva de seu primeiro modelo desenvolvido em conjunto.
Em abril, a montadora alemã apresentou três novos modelos como parte de seu mais recente impulso na China, seu maior mercado individual. Um dos três modelos revelados em abril foi desenvolvido em parceria com a XPeng, enquanto os outros dois vieram das joint ventures da Volkswagen com as montadoras domésticas FAW e SAIC.
A Volkswagen e a XPeng também desenvolveram conjuntamente a China Electronic Architecture, com o primeiro modelo baseado nessa plataforma previsto a chegar no mercado ainda este ano.
Segundo Oliver Blume, presidente do conselho de administração da Volkswagen, a China desempenha um papel central na trajetória da empresa para se tornar uma líder tecnológica global na indústria automotiva. "O progresso que alcançamos aqui fortalece nossa competitividade em todo o mundo", disse.
Tal colaboração reflete uma tendência mais ampla que percorre a indústria. A Audi, outra gigante automotiva alemã, firmou recentemente um acordo de cooperação estratégica com a SAIC Motor, uma das suas parceiras-chave na China, e anunciou o estabelecimento de um centro de inovação Audi em Shanghai, no leste da China.
Liderado pela Audi, o centro dedicará esforços à tecnologia de eletrificação inteligente e ao desenvolvimento de toda a cadeia de valor dos veículos inteligentes conectados (ICVs, sigla em inglês). Essa parceria visa desenvolver conjuntamente quatro novos modelos Audi, ampliando e complementando seu portfólio no país.
Desde a integração ao ecossistema digital da China até a formação de alianças estratégicas com parceiros locais, as montadoras multinacionais estão cada vez mais inseridas nas cadeias de inovação e fornecimento chinesas.
A pesquisa conjunta, colaboração tecnológica e exploração conjunta dos mercados globais estão se tornando o novo mainstream da cooperação, observou Yang Zhi, diretor da Escola de Gestão da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, acrescentando que essas tendências continuarão remodelando a indústria automotiva global.

